Benedict Wong em She-Hulk

Créditos da imagem: She-Hulk/Marvel Studios/Reprodução

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Fase Wong: como personagem foi de coadjuvante a elo da Fase 4 do MCU

O atual Mago Supremo deixou a sombra do Doutor Estranho e, agora, participa da construção de mistérios importantes do universo Marvel

Omelete
4 min de leitura
08.09.2022, às 11H00

“Eu a chamo de fase Wong”. Ainda que seja uma piada, o apelido carinhoso que o ator Benedict Wong deu para a Fase 4 do MCU, em entrevista à revista Empire, não poderia ser mais certeiro. Desde o estalar de dedos do Thanos (Josh Brolin), em Vingadores: Guerra Infinita, o antigo bibliotecário de Kamar-Taj deixou a sombra do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e passou a ser uma presença mais constante nas novas histórias do universo compartilhado. O último episódio de She-Hulk é realmente apenas o exemplo mais recente. Porque, se você reparar, ele esteve envolvido de alguma forma em praticamente todos os grandes eventos seguintes à revanche contra o Titã Louco, desde a investigação sobre os artefatos que quase destruíram o universo em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis até as crises com o multiverso de Homem-Aranha: Sem Caminho Para Casa e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.

A mudança se deve, em parte, à ascensão de Wong ao posto de Mago Supremo. Quando Stephen Strange desapareceu no Blip, sobrou para ele o árduo (e solitário) trabalho de proteger o Sanctum Sanctorum e, consequentemente, a Terra contra qualquer nova ameaça mística. A responsabilidade, porém, veio acompanhada de uma voz mais ativa e, não à toa, ele ocupa hoje uma posição entre os líderes remanescentes dos Vingadores mesmo depois do universo voltar à normalidade. Por isso, quer Strange goste ou não, ele tem que pedir a autorização de Wong para realizar certos feitiços — assim como ouvir sua bronca, quando as coisas dão errado.

Do ponto de vista de construção de universo, no entanto, a justificativa é bem mais imediata. Em uma fase tão introdutória, é natural que a Casa das Ideias use velhos conhecidos do público para dar coesão às várias tramas que está abrindo. Enquanto alguns fazem as vezes de mentores e passam o bastão para uma nova geração, como o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e a Viúva Negra (Scarlett Johansson), outros lidam com as muitas perdas e ranços da última grande guerra. É um momento de reconstrução e todos, quase sem exceção, sentem isso. Quase, porque Wong, no caso, é uma peça neutra. Como sidekick de Strange, ele não teve nenhum arco ou mesmo desenvolvimento de personagem sólido que tornassem os prejuízos e os consequentes riscos minimamente pessoais para ele. Logo, o mago se apresenta como um ótimo guia para o público, por suas comprovadas seriedade e lealdade, mas também como um bom artifício de roteiro dada sua falta de lastros. Dá para acreditar que ele estaria em qualquer lugar do MCU, envolvido com todo tipo de conflito, até mesmo em um clube de luta clandestino, encarando o Abominável (Tim Roth). Por que não?

Ainda é cedo para saber como o Marvel Studios pretende arrematar esse aumento de visibilidade para Wong, isto é, se pretendem usá-lo de fato como uma peça central nas novas aventuras místicas e sobrenaturais que vem por aí ou se estão apenas aquecendo para uma despedida trágica — foi assim com Phil Coulson (Clark Gregg) na Fase 1, lembra? De todo modo, por enquanto, quem sai ganhando é o público. Porque, veja, basta um roteiro um pouco mais inspirado do que as piadas constrangedoras de Doutor Estranho para que Benedict Wong roube a cena. She-Hulk, nesse sentido, oferece para o ator as melhores situações para que ele demonstre seu carisma e seu timing cômico preciso e, de quebra, ainda dá aos fãs vislumbres da vida pessoal do Mago Supremo — informações preciosas, que fazem do mistério da sua vida um ativo em si mesmo. Por exemplo, você sabia que Wong foi vendedor em uma loja de departamento por quase uma década antes de chegar ao Kamar-Taj?

LinkedIn do Wong, em She-Hulk
She-Hulk/Marvel Studios/Reprodução

Se a Marvel for esperta, ela não se despede de Wong tão cedo. Estamos diante de um personagem largamente celebrado pelo fandom e de um ator que gosta e aproveita cada segundo que tem de tela. Por mais que nos quadrinhos ele tenha um papel de secretariado, este é o tipo de cenário em que ser fiel ao material-base é contraproducente. Por isso, fica aqui o apelo: que a Fase Wong seja só o começo. Dêem mais protagonismo para esse homem!

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