Arishem em Eternos

Créditos da imagem: Eternos/Marvel Studios/Reprodução

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Entenda o final de Eternos

Cuidado com os spoilers!

Mariana Canhisares
04.11.2021
22h00
Atualizada em
04.11.2021
22h45
Atualizada em 04.11.2021 às 22h45

[Atenção: como o título sugere, o artigo a seguir contém spoilers de Eternos]

Descobrir que estavam trabalhando há milênios não para impedir os Deviantes, mas sim tornar possível o nascimento de Tiamut às custas da Terra e da humanidade não foi a notícia mais fácil que Sersi (Gemma Chan) e os Eternos receberam. Além do sentimento de traição diante da mentira contada por Arishem -- e reproduzida por Ajak (Salma Hayek) --, a equipe se viu pela primeira vez verdadeiramente impotente. Por mais habilidosos que fossem, cada um à sua maneira, eles sabiam que não eram páreo para um Celestial. Ao menos, não individualmente. Como, então, poderiam impedir o extermínio da vida como eles a conheciam?

A solução encontrada por Phastos (Brian Tyree Henry) foi a chamada Unimente que, como bem pontua Kingo (Kumail Nanjiani), não tem o melhor dos nomes, mas cuja dinâmica não poderia vir mais a calhar. Através de uma pulseira desenvolvida no coração do Domo, nave que os trouxe para a Terra há 7 mil anos, o Eterno encontrou uma maneira de criar uma conexão entre todos os membros da equipe. Desse modo, eles poderiam emprestar seus poderes a um único indivíduo da corrente e, assim, ele teria uma chance contra Tiamut.

Unimente nos quadrinhos da Marvel
Marvel Comics/Reprodução

A Unimente, porém, é parte da mitologia dos Eternos há muito tempo: Jack Kirby a apresentou ao público em 1977, na edição de número 12 do gibi, e ela apareceu ao longo das publicações em situações variadas -- geralmente, quando a equipe estava diante da possibilidade dos Celestiais destruírem tudo. A regra é que o líder do grupo é o único capaz de conjurar essa mente coletiva. Nos quadrinhos, isso significa, na maioria das vezes, que é a função de Thena ou do Ikaris. No filme, porém, esse não é o caso.

Como fica estabelecido na reta final do épico, por mais que seus pares o respeitem enquanto líder, Ikaris (Richard Madden) é o responsável pela morte de Ajak. Ele acreditava tanto na sua missão original que foi capaz de justificar a execução da sua até então mentora para garantir o bom caminhar dos planos de Arishem e dos demais Celestiais. Ajak, no entanto, toma uma última decisão esperta: deixa seu posto de herança para Sersi por ver na empatia da personagem uma força importante para pôr um ponto final no ciclo de destruição a que serviu por milênios.

(Vale dizer que Thena (Angelina Jolie) sequer é cogitada, porque há séculos ela lida com uma condição chamada Mahd Wy'ry, isto é, do mais absoluto nada ela perde o controle de si mesma por causa de uma espécie de bug da última tentativa dos Celestiais de apagarem sua memória).

Por isso, ainda que inicialmente Sersi tente tercerizar a responsabilidade da Unimente para Druig (Barry Keoghan) por causa do poder dele -- lembra? Ele é capaz de controlar o pensamento dos seres à sua volta, então poderia convencer Tiamut a permanecer dormente --, fica nas mãos dela a missão de parar o nascimento do Celestial. E assim ela o faz. No entanto, é importante salientar um dos motivos centrais para que isso tenha sido possível: mais do que se conectar aos seus pares, a Unimente conjurada por Sersi estabeleceu laços com o próprio Tiamut. Como os membros remanescentes da equipe entendem ao final da batalha, esse fato não foi por acaso. Na realidade, a sobrevivência do grupo, após tantos planetas destruídos, se deve justamente a esse laço que estabelecem com o Celestial recém-nascido da vez.

Gemma Chan, Barry Keoghan e Lauren Ridloff formando a Unimente em Eternos
Eternos/Marvel Studios/Reprodução

Com o que sobra do poder coletivo, Sersi realiza o sonho de Duende (Lia McHugh) e a transforma em humana, destituindo-a de seus poderes, mas garantindo que ela poderá envelhecer. Mas essa não é a única perda na equipe: decepcionado com suas traições consecutivas, Ikaris voa rumo ao sol no que parece ser uma tentativa de suicídio. O momento -- um aceno à história de Ícaro na mitologia grega -- não garante, porém, que essa tenha sido a última vez que veremos o personagem de Richard Madden. Ele é, afinal de contas, um ser criado artificialmente pelos Celestiais. Logo, não seria improvável que uma versão dele voltasse a aparecer no MCU, se assim fosse a vontade de Arishem e companhia.

Além disso, acontece uma fissura dentro da equipe: enquanto Thena, Druig e Makkari (Lauren Ridloff) partem para o espaço em uma tentativa de revelar aos outros Eternos do cosmos os planos reais dos Celestiais, Sersi, Phastos e Kingo preferem ficar na Terra e viverem suas vidas. Os próximos passos do primeiro trio são sugeridos logo na primeira cena pós-créditos do filme com a aparição de um surpreendente aliado -- mais sobre isso em breve --. Já o destino dos demais é um grande mistério. Isso porque os três foram sequestrados por Arishem aos olhos da humanidade, na promessa de que suas memórias seriam analisadas para fazer o chamado Julgamento, ou seja, decidir se a Terra será preservada de fato ou exterminada.

Com tantos ganchos, é inevitável que a Marvel se proponha a fazer uma sequência. Até lá, Eternos segue em cartaz nos cinemas.

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