Séries e TV

Artigo

Como WandaVision é uma nova etapa para a Marvel na televisão

Série da Feiticeira Escarlate mostra que TV deixou de ser secundária para a empresa

Arthur Eloi
05.03.2021
10h39

Após semanas de expectativas e teorias, WandaVision chegou ao fim nesta sexta-feira (05) em uma conclusão repleta de ação. O encerramento não só amarra a jornada de Wanda (Elizabeth Olsen) em Westview, como também a prepara para o seu futuro como Feiticeira Escarlate no Universo Cinematográfico da Marvel. Assim como para a personagem, é justo dizer que o programa também inaugura uma nova fase para a Marvel Studios - dessa vez, na televisão.

A relação da Marvel com a telinha não é de hoje, e não demorou muito para surgir depois que as coisas começaram a engrenar nos cinemas. Em 2010, alguns meses após o sucesso de Homem de Ferro 2 (2010), a empresa criou a divisão Marvel Television, para expandir o alcance de seu universo. O primeiro projeto, porém, demorou mais três anos para enfim chegar às telas. Agents of SHIELD resgatou o queridinho agente Coulson (Clark Gregg) de sua morte em Vingadores (2012) para colocá-lo em operações secretas da SHIELD. Olhando em retrospecto, o programa é o que melhor exemplifica como a dona do MCU lidava com as séries de TV.

Agents of SHIELD conquistou uma legião de fãs ao longo dos anos, mas nunca foi tratada como produto de primeira pela Marvel. O seriado tentou ao máximo correr em paralelo com os eventos dos filmes, mas ao ritmo que o cinema ficava mais ambicioso, com brigas internas entre os heróis e a luta contra Thanos (Josh Brolin), a televisão já tinha suas próprias tramas e conflitos para resolver, ao ponto de que foi deixada para trás.

A falta de prioridade marca todas as obras Marvel Television. Agent Carter até conseguiu dar a volta por cima ao ser ambientada num período não-explorado pelos filmes, mas um cancelamento injusto em 2016, e uma conclusão apressada em forma de easter egg em Capitão América 3: Guerra Civil (2016), deixaram um gosto amargo na boca de todos os fãs de Peggy Carter (Hayley Atwell). Mesmo as produções na Netflix, com obras aclamadas como Demolidor e Jessica Jones, não vieram sem levantar questões. Enquanto os programas gostam de frisar que estão no mesmo universo que os longa-metragens, as conexões são escassas, e as séries parecem produzidas com uma fração do orçamento e da atenção aos detalhes.

A Marvel Television deixou de existir em 2019, e muitos erros foram cometidos ao longo desse período. Para cada Demolidor, Agent Carter e Legion que produziu, a divisão também criou obras questionáveis como Inumanos, Punho de Ferro e Helstrom. O ritmo constante que novos seriados eram criados, mesmo que sem muito apreço pela qualidade final ou tramas interessantes, ajudaram a dar a sensação de que eram produtos inferiores ao cinema. E é aí que WandaVision chega para mudar essa percepção.

Após a conclusão bombástica de Vingadores: Ultimato (2019), a Marvel precisa encontrar uma forma de criar novos arcos narrativos para a sua Fase 4, e dessa vez a televisão é central nessa estratégia. Para atrair assinantes ao streaming Disney+, a empresa anunciou uma enorme leva de programas durante a San Diego Comic-Con 2019, como WandaVision, Loki, Falcão e o Soldado Invernal e mais. Mas o que muda da época que a Marvel Television atirava para todo lado? Dessa vez, tudo é supervisionado por Kevin Feige.

Quem comandava a divisão de TV era Jeph Loeb, mas o executivo nunca demonstrou ter a mesma visão geral do universo que consagrou Feige nas telonas. O presidente da Marvel Studios enxerga cada herói e cada projeto como peças de um enorme quebra-cabeça. Nas suas mãos, a televisão se torna mais um recurso para ajudar nessa montagem.

WandaVision já demonstra isso ao dar os holofotes para Wanda, que terá papel importante no vindouro Doutor Estranho 2. Se a personagem servirá como uma espécie de vilã, responsável por uma crise no multiverso, é preciso garantir que tudo seja bem desenvolvido, e com calma. E para isso não existe forma melhor do que em episódios, servindo esses conceitos inéditos em pequenas doses. Já outra mudança garantida pela presença de Feige acontece por trás das câmeras. Nas mãos da Marvel Studios, as séries se tornam responsabilidade do mesmo estúdio dos filmes, com equipes e orçamentos maiores, e também acabamento cinematográfico.

Muitas discussões podem ser levantadas em cima de WandaVision, sobre seu formato, sua trama ou mesmo sua qualidade. Mas não há dúvidas de que o seriado é um divisor de águas dentro da Marvel. Foram-se os dias de produção televisiva como produto secundário da empresa. Daqui para frente, o que acontece na telinha será tão importante - e tão bem feito - quanto o que rola nas telonas.

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