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Como a Marvel vai incluir Deadpool no MCU

Depois da venda da Fox, terceiro filme do mercenário tagarela aguarda aprovação do estúdio

Natália Bridi
21.10.2019
18h55

Das antigas propriedades da Marvel abrigadas pela Fox, a única que permanecerá viva depois da compra do estúdio pela Disney é Deadpool. A franquia para maiores estrelada por Ryan Reynolds, que se tornou sinônimo do personagem, arrecadou mais de US$ 1,5 bilhão em dois filmes de orçamentos relativamente modestos (US$ 58 milhões para o primeiro, US$ 110 milhões para o segundo). Ou seja, sucesso demais para ser deixado de lado por Kevin Feige e Cia. 

A grande questão é como incluir o personagem no MCU. O Marvel Studios está empenhado em buscar uma solução, um meio-termo entre os filmes de classificação livre da Disney e as tramas sangrentas do Mercenário Tagarela. Enquanto isso, os roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, de Deadpool e Deadpool 2, estão aguardando o sinal verde do Marvel Studios para começar a escrever a terceira aventura do Mercenário Tagarela. “Há muito a ser resolvido, como a forma que o Deadpool se encaixará no Universo Marvel, com os outros personagens e no cronograma de lançamentos do MCU. Os X-Men vão aparecer? O Quarteto Fantástico? Há muito a ser resolvido e acho que estamos tendo o descanso necessário do Deadpool: Ryan [Reynolds], nós e todos”, comentou Wernick

A recente reunião de Reynolds no Marvel Studios reaqueceu a discussão. Como encaixar um personagem adulto, ainda que extremamente imaturo, em um universo cinematográfico onde não há espaço para muita ousadia? Deadpool é um personagem que funciona pelas regras das animações. A graça está na sua capacidade de extrapolar a realidade, sem que se exija uma evolução de personagem (as piores partes de Deadpool 2 são justamente as que tentam criar um arco “humano” para o mercenário). Não é como Tony Stark, que começa como um carismático playboy/milionário que só pensa em si  (até na hora de criar e assumir publicamente a sua persona heróica) e termina salvando a humanidade em um ato altruísta.

Foi a própria natureza exagerada e descontrolada do mutante permitiu que Deadpool incorporasse sem questionamentos elementos da franquia X-Men, além de fazer piada com X-Men Origens: Wolverine (2009), em que Reynolds viveu uma versão “realista” do mercenário, e Lanterna Verde (2011), o filme que o ator pensou que seria a sua redenção no mundo dos heróis e se tornou um fracasso retumbante. É essa falta de amarras que poderia colocá-lo facilmente no MCU. Basta uma piada bem feita, como quando Wade Wilson cita as duas versões do Professor Xavier (a de Patrick Stewart e a de James McAvoy) no primeiro Deadpool, para amarrar qualquer ponta solta, incluindo uma possível redução na classificação indicativa. 

Logo, o grande obstáculo está no próprio MCU e suas histórias interligadas. Enquanto Deadpool é incoerente por natureza, o universo cinematográfico da Marvel exige coesão (ainda que colecione alguns pontos questionáveis ao longo de 10 anos). No vídeo acima, discutimos mais sobre as possibilidades de Deadpool na Marvel. Seria o multiverso a resposta para todas as questões?