Fate/strange Fake prova que é hora de encarar o universo da Type-Moon
Anime finaliza primeira temporada de maneira magistral
Se você já assistiu a uma determinada quantidade de animes, é bem provável que a misteriosa entidade Fate já tenha sido apresentada a você em algum momento. No meu caso, foi ainda no ensino médio, quando um amigo disse que Fate/stay night era o melhor anime que ele já tinha visto. Apesar da vida ter nos separado há bastante tempo, o fim da primeira temporada de Fate/strange Fake me obriga a agradecê-lo novamente por ter me introduzido a esse universo.
Talvez, já na casa dos 30 anos de idade, eu não tivesse muito saco para embarcar nessa: a obra é extremamente vasta, com ramificações em todas as mídias possíveis e uma história que, às vezes, é mais sobre a vibe do que sobre fazer sentido ou ser compreensivelmente explicada — mas ainda vale a pena.
Tentando simplificar o caminho para alguém que não sabe muito sobre o tal do Nasuverso, ambientação expansiva que abrange tudo sobre Fate e algumas outras franquias menores, a premissa inicial de stay night, strange Fake e tantos outros é uma guerra pelo Santo Graal. O objeto mitológico é capaz de ceder um desejo ao vencedor do confronto sangrento, que acontece periodicamente.
Com esse objetivo em mente, magos invocam entidades do passado para lutar por eles. Figuras históricas extremamente conhecidas — e que não precisam ser reveladas aqui para manter sua experiência — usam poderes mágicos fortíssimos em busca de realizar seu desejo.
Essa base é o que dá início a praticamente todas as obras que carregam o nome Fate. Sabendo disso, a próxima pergunta é: por onde começar? A história "principal" da franquia é contada em quatro animes separados, que são melhor aproveitados na ordem de lançamento. O Fate/stay night original, de 2006; Zero, de 2011; Unlimited Blade Works, de 2014; e Heaven's Feel, que tem três filmes disponibilizados entre 2017 e 2020.
Há quem diga que stay night tenha envelhecido mal e que sua animação não é lá essas coisas, mas no auge dos meus 15 anos foi uma diversão e tanto. O fato de que Unlimited Blade Works e Heaven's Feel são recontagens da mesma história, mas que divergem de formas totalmente diferentes, ajuda a ignorar o anime que começou tudo. Penso humildemente que alguns mistérios do primeiro anime são resolvidos com pouco caso nas sequências, pois o espectador já deveria saber bastante sobre os personagens e o universo, o que justifica dar uma chance a ele.
Dito tudo isso, strange Fake meio que não tem muito a ver com esses quatro outro animes. A guerra do Santo Graal está ali, em um formato levemente diferente, mas os protagonistas são outros. Diferente de stay night e derivados, que têm um personagem principal bem estabelecido e uma progressão de narrativa bem familiar, strange Fake adota um viés que nos lembra novelas.
Diferentes núcleos que se tangenciam, mas só convergem de vez nos momentos cruciais; uma atenção especial dada a vários personagens, que podem todos serem chamados de protagonista; questões que são resolvidas lentamente, mas com profundidade. Sem abandonar lutas memoráveis feitas com ótima animação, esses traços fazem com que o novo anime se diferencie em um mar de roteiros novos porém familiares.
Encarando os treze episódios como alguém que não se aprofundou na franquia, mas esteve de olho nela durante mais de dez anos, é difícil recomendá-los sem vivenciar um pouco do que é Fate. Para quem quiser encarar a novidade sem muito contexto prévio, algumas referências vão ficar perdidas e uma ou outra cena perderão o impacto; a complexidade na hora de explicar alguns conceitos também pode ser esquisita — mas Jujutsu Kaisen já deve ter afiado sua capacidade de entender sistemas de poder.
Quando os créditos do último capítulo subirem, lembre que Fate/strange Fake é digno de celebração: um anime diferentão, que usa o melhor de uma franquia já estabelecida, e que finalmente saiu do papel depois de anos em desenvolvimento. A parte triste de tudo isso é que a light novel na qual a animação se apoia ainda não está finalizada, e ainda deve levar algum tempo para vermos como essa guerra do Santo Graal acaba.
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login no Omelete e participe dos comentários