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Executiva da Toei Animation fala sobre produzir animes no Brasil; confira

Olfa Sakakibara ministrou um painel no Rio2C

Omelete
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PS
27.05.2026, às 12H44.
Atualizada em 27.05.2026, ÀS 14H40
Executiva da Toei Animation fala sobre produzir animes no Brasil; confira

Créditos da imagem: Reprodução

Na manhã desta quarta-feira (27), o Rio2C, maior feira de criatividade da América Latina, trouxe para o Rio de Janeiro a produtora de animação e executiva de estratégia de conteúdo global da Toei Animation, Olfa Sakakibara. Com foco em coproduções internacionais, Olfa falou um pouco mais sobre o momento dos animes no mundo e sobre a busca por projetos internacionais que dialoguem com a visão da empresa.

“Estou muito feliz por estar aqui hoje, porque o anime costumava ser algo muito nichado no mundo da animação, e ainda mais de nicho no mundo audiovisual em geral. Então, estar aqui me deixa muito feliz porque é mais um sinal de que os animes estão crescendo pelo mundo, o que demanda que nossa empresa entenda como lidar com esse sucesso crescente mundo afora. Temos algumas franquias, como Sailor Moon, Dragon Ball, One Piece e Digimon, que saíram do Japão e foram parar na América Latina, na América do Sul. Mesmo com a cultura sendo tão diferente, as crianças cresceram com esses personagens no mundo inteiro, e isso é algo de que temos muito orgulho”, disse.

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Ela explicou que a Toei vem encarando o mercado de uma forma diferente, buscando entender como o mundo enxerga essas animações, e produzindo em diferentes países para conseguir captar novas visões que somente outras culturas podem agregar.

“O que fazíamos antes era apenas distribuir essas franquias do Japão para o resto do mundo. Mas não pensávamos muito em como o resto do mundo iria receber essas produções. Para nós, era apenas: 'OK, nós fazemos do jeito japonês. Vamos fazer como achamos correto e vamos ver se as pessoas gostam'. Mas, como vocês sabem, o Japão é um mercado muito autocentrado. Então, basicamente, o que era feito no Japão era feito apenas para o Japão, não tinha essa perspectiva de como poderia soar em outro país. Mas, felizmente, esse método funcionou de alguma forma. O que foi ótimo, mas poderíamos ir além. Atualmente, nossa sede principal fica no Japão, é claro, mas temos um estúdio em Manila, nas Filipinas. Temos um escritório em Los Angeles. Temos um escritório em Paris, que é onde estou trabalhando agora. Temos um em Xangai, outro em Hong Kong, e estamos tentando, dessa forma, diversificar um pouco o que fazemos. E isso é importante porque não se trata de exportar algo do Japão para o resto do mundo. Na verdade, estamos tentando ser mais locais", contou a produtora. 

Produzindo fora do Japão

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Olfa Sakakibara falou sobre os desafios e metas de produzir fora do Japão 

Pedro Sobreiro

“Temos novas franquias que não foram feitas no estúdio do Japão. Até então, tudo era criado, desenhado e planejado no nosso estúdio japonês, na cidade de Oizumi. E agora temos muitas coproduções, e damos muita liberdade a eles. A nossa ideia é produzir nesses diferentes países com talentos locais, e distribuir essas produções o mais longe possível. Claro que queremos que cada franquia seja global, mas fazer isso localmente traz uma visão, um sabor diferente, sabe? Adiciona detalhes, sensibilidades que não teríamos produzindo no Japão, porque são novas culturas, novas formas de ver o mundo... Esses personagens passam por experiências diferentes”, afirmou.

Ela abordou algumas dessas novas franquias, como Monkey Quest, fenômeno do Roblox, e Future’s Folktales (Asatir), uma produção da Arábia Saudita que adapta a estética de anime.

“Nos EUA, fizemos Hypergalactic, que agora se chama Monkey Quest, e criamos um jogo no Roblox. Em cada país, tentamos ver do que as crianças gostam, como usam as coisas e como consomem conteúdo para direcionar nosso marketing. O jogo no Roblox é uma forma de alcançar novos públicos que preferem os jogos. Na Arábia Saudita, estamos fazendo Asatir, que é baseado na cultura saudita, mas com uma estética de anime. Fizemos pesquisas e vimos que as crianças queriam aquele visual e estilo de anime. Então fizemos como anime, mas toda a história é sobre a cultura deles. Na França, temos Collège Noir, que é baseado na cultura francesa. É um projeto feito na França com um estúdio francês. Para nós, isso é fundamental. Ao termos uma equipe francesa, a gente deixa os franceses contarem suas próprias histórias”, disse.

“Se um projeto nosso for feito no Brasil, deixaremos os brasileiros contarem a sua história e desenharem do jeito que quiserem. Entende? Por exemplo, na Arábia Saudita, eles queriam algo estilo anime. Mas o nosso projeto da França não é tão 'anime' assim. Tem algo diferente ali. E para nós é muito importante deixar que as pessoas mostrem sua própria identidade. O próximo é na Coreia do Sul, chama-se Gosu e é baseado em um Webtoon. Como o Webtoon é muito popular na Coreia do Sul, queríamos fazer algo que conversasse diretamente com a população local. Em cada país, queremos ser muito, muito locais para trazer uma sensibilidade diferente, uma forma diferente de contar as histórias e, com sorte, a partir daí, nos tornarmos globais", completou.

Brasil está na fila?

Após o painel, perguntamos a Olfa se o Brasil é um dos países com os quais a Toei Animation futuramente. No momento, ela disse que não há nenhum projeto encaminhado, mas que a possibilidade da parceria no futuro existe.

“Nós esperamos poder desenvolver o maior número possível de coproduções, de verdade. Por isso, sim, estou esperando que os brasileiros me ensinem e me digam o que poderia ser bom para uma adaptação por aqui. Precisamos entender que tipo de história poderia ser contadas aqui, e estou disposta a fazer contatos para entendermos melhor. Mas sendo bem direta, no momento, não temos nenhum projeto encaminhado com o Brasil. Estamos focados na distribuição das nossas próprias propriedades. Estamos distribuindo os animes japoneses e também os novos projetos, como Collège Noir, que eu adoraria ver na América do Sul, especialmente no Brasil. Mas ainda não fizemos uma produção voltada especificamente para o Brasil. Quem sabe no futuro? Ficamos muito felizes que as pessoas gostem tanto de Dragon Ball e One Piece. Como sou responsável pela produção, meu objetivo e meu sonho é construir pontes em todos os lugares”, explicou.

Ainda sobre o Brasil, ela revelou que teve uma interação muito legal com um fã brasileiro de Collège Noir.

“Tem uma coisa engraçada sobre Collège Noir, que é o projeto que sou responsável agora. Eu estava procurando sobre ele no Reddit e achei alguém do Brasil que traduziu todos os episódios. Ele usou o tempo livre dele para traduzir a série inteira para que as pessoas pudessem assistir aqui também. Ele comentou: 'Achei isso tão legal, que pena que não passou no Brasil'. Sério, ele traduziu todos os episódios para o português. Eu achei muito bacana, fiquei muito feliz com isso. E esse é um dos motivos de querer tanto trazer essa série para o Brasil”, contou.

Nova imagem dos animes

Por fim, a produtora comentou que uma das prioridades da Toei no momento são as animações voltadas para o público infantil. Segundo ela, uma das missões é tentar quebrar no exterior o estigma de parte do público de que as animações japonesas sejam somente aquele estereótipo de violência e personagens sexualizados.

“No momento, para produções feitas no exterior, estamos buscando mais séries infantis. Nós queremos diversificar. No Japão, nós já fazemos muitos animes voltados para um público mais adulto, e são ótimos. Não estamos excluindo nada, mas buscando estamos esse caminho que se diferencie de produções adultas. Você sabe, a animação japonesa tem um estereótipo muito forte de ser sempre violento e um pouco sexualizada. Por estarmos mirando públicos no exterior, queremos fazer diferente para mudar a percepção dessas pessoas sobre nós. Por isso focamos no público infantil, mas se gostarmos mesmo de um projeto, a faixa etária não importa. O importante é ser novo, diferente e contar histórias distintas. Isso é o que nos interessa", concluiu.

 

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