Anime One Piece

Créditos da imagem: Toei Animation/Divulgação

Mangás e Animes

Artigo

Fã de One Piece, Elza Soares mostrou não haver idade para gostar de anime

Icônica em tudo o que se propôs, artista declarou seu amor pelas obras japonesas

Pedro Henrique Ribeiro
20.01.2022, às 19H14

Hoje, o mundo teve que provar o amargo gosto da despedida. Elza Soares, nossa “Mulher do Fim do Mundo”, fez a passagem aos 91 anos. Ela morreu em casa, de causas naturais. Preta e feminista, ela se fez ser ouvida nos quatro cantos do mundo, sempre levando consigo a defesa dos direitos da mulher e o empoderamento do povo negro. A voz do milênio nunca parou de surpreender. Em 2019, no alto de seus 89 anos, levantou o público do Rock In Rio com seu repertório insuperável. No ano seguinte, pegou muita gente de surpresa ao anunciar ser grande fã de animes e mangás, especialmente de One Piece, obra do mangaká Eichiiro Oda.

Ao declarar abertamente apreciar as obras feitas no japão, Elza não apenas levou o tema para um público diferente, mas também mostrou que não existe barreira etária para se gostar de animes. É interessante pensar que Elza construiu uma carreira que poucos conseguirão, tinha acesso a qualquer conteúdo erudito que quisesse e, ainda assim, por influência da neta, abraçou os animes e mangás como seus companheiros de entretenimento.

Claro, essa declaração de amor aos animes não foi bem vista por todos. Essas produções ainda são, em certa medida, deixados de lado na cultura mainstream, com os fãs dessas obras sendo em sua maioria pintados como introvertidos e antissociais. É por isso que quando uma artista do peso de Elza Soares vem a público dizer que “One Piece é bom sim!”, uma cadeia de estereótipos é derrubada. Como ela mesma disse uma vez: “Podemos gostar do que quisermos no mundo, com amor e respeito sempre”.

Não é de se estranhar que a artista tenha criado afinidade logo com One Piece, uma história de quase 25 anos, que já ultrapassou mil episódios de anime e capítulos de mangá. Mesmo com o tempo, a obra de Oda não se perde, não fica ultrapassada e segue arrastando multidões de fãs em todo o mundo — assim como Elza. Ambos envelheceram como vinho e sempre entregaram a perfeição esperada.

Em seis décadas, ela, eleita a cantora brasileira do milênio pela BBC, lançou canções icônicas como "Canta, Canta Minha Gente", "Maria da Vila Matilde" e "Façamos (Vamos Amar)". A voz e a música de Elza Soares ecoarão até o fim do mundo. Para nós, que ficamos, resta um enorme sentimento de gratidão e uma coletânea impecável para nos acompanhar nessa jornada. Obrigado, Elza! Rest in Power!

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