Foto de Lollapalooza Brasil

Créditos da imagem: Lollapalooza Brasil/Camila Cara/Divulgação

Música

Artigo

Lollapalooza | Sam Smith equilibra sofrência e animação em show com apoio de fãs

Inglês claramente se divertiu tanto quanto o público nesse primeiro dia de festival

Mariana Canhisares
05.04.2019
22h51

Do início ao fim, Sam Smith tinha estampada na cara uma expressão de surpresa. Parecia difícil de acreditar no volume dos gritos e como o público brasileiro conhecia tão bem suas músicas. “Realmente acredito nisso: o Brasil é o melhor público do mundo. Muito obrigado por me trazer de volta. Amo vocês e volto quantas vezes quiserem”, disse na abertura, quando já caíra a noite no Autódromo de Interlagos.

Antes de subir ao palco Onix, Smith começou o show com uma mensagem no telão: “vamos desligar nossos telefones hoje. Estamos tão perdidos ultimamente, nós esquecemos quem somos”. O apelo foi em vão, mas por um bom motivo. Enquanto a multidão de fato erguia seus smartphones para fazer incansáveis stories, também usavam suas lanternas para compor com a apresentação incrível que estava em curso.

Neste Lollapalooza, o britânico confiou no público com se fosse um membro da sua banda - que, por sinal, é talentosa por si só. Ora com palmas, ora cantando as letras até dos covers, os presentes garantiram a satisfação do headliner, que claramente se divertiu tanto quanto os presentes. A estratégia, obviamente, foi acertada: ninguém conseguiu ficar parado.

Logo, para quem temia uma performance melancólica, com base nas músicas que se costuma ouvir dele nos rádios, teve a grata surpresa de um setlist bastante equilibrado. Smith chamou o público para curtir com “Dancing With a Stranger”, que originalmente é acompanhada pela Normani, mas também sofrer por um coração partido e cantar a plenos pulmões com “Lay Me Down” e “Too Good at Goodbyes”. É interessante também como ele conciliou faixas de diferentes trabalhos, incluindo “Nirvana”, canção de um dos seus EPs, e covers do Disclosure.

Em um dia com manifestações políticas do público, Sam Smith foi breve no seu discurso sobre diversidade. “Amor é amor. Sou um homem gay com orgulho. Se vocês têm orgulho de quem são levantem as mãos”, disse durante “HIM”, que teve uma performance com clima gospel. Recado dado, o show seguiu sem mais delongas.

Sem deslizes, o cantor mostrou a força da sua voz e soube ressalta-la muito bem nas faixas mais emocionantes. Mas a imagem que fica mesmo de Sam Smith ao final do show é a de sua descontração e o clima dançante que criou desde o princípio. Distante do Brasil desde o Rock in Rio 2015, o retorno ao país se provou benéfico tanto para Smith, quanto para o público. Quem sabe ele não volta mais rápido?