Foto de Lollapalooza Brasil

Créditos da imagem: Lollapalooza Brasil/Camila Cara/Divulgação

Música

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Lollapalooza | Greta Van Fleet afirma potência e esbanja qualidade instrumental

Tradicionalmente criticados pela semelhança com Led Zeppelin, banda recebeu só amor do público

Julia Sabbaga
07.04.2019
20h23

Pode ser que o mundo esteja cheio de críticos de Greta Van Fleet, mas pelo menos na área do Palco Budweiser no início da noite de domingo (7), no Lollapalooza, o clima era de total amor pela banda, vindo até de fãs com camisetas do Led Zeppelin. Antes mesmo do quarteto subir ao palco, o público que se aglomerava no local já cantava “ole olá Greta”.

Pontualmente, o grupo liderado pelo vocalista Josh Kiszka subiu ao palco, repleto de fumaça e luzes coloridas. De cara e já preparando o solo para o que seria o foco da noite, o guitarrista Jake Kiszka imediatamente começou um solo de guitarra, introduzindo “The Cold Wind”. Pouco a pouco, cada um dos instrumentistas se juntou e em alguns minutos o poder instrumental do Greta Van Fleet estava comprovado; os jovens garotos de Michigan tem um potencial sonoro difícil de botar defeito.

O vocal de Josh, no entanto, de cara causou um estranhamento, pelos efeitos de eco. Seu agudo admirável demorou para normalizar, mas lá pela terceira música “Black Smoke Rising”, a voz do frontman já estava mais nítida. Ainda bem, porque o alcance vocal de Josh é certamente uma das melhores qualidades do grupo, e a faixa que deu nome ao primeiro EP da banda foi uma das mais bem recebidas pelo povo.

A apresentação foi animada e alternou entre longos momentos instrumentais, alguns dos melhores liderados pelo poderoso baterista Danny Wagner ou pelo próprio guitarrista, que rouba os holofotes em diversos momentos. A energia e a qualidade técnica inegável do Greta Van Fleet dominavam a apresentação com um tom quase desafiador, de um grupo de músicos que precisa comprovar a todo momento para que veio. Mesmo assim, a sintonia entre os integrantes era perceptível, e não faltou leveza na postura do vocalista, que sorria e se mostrava tanto confortável quanto feliz com a quantidade de fãs que os assistia. Toda vez que ele soltava um grito, a plateia soltava outro, em resposta.

Foram piruetas instrumentais, incluindo guitarras nas costas e belas linhas de teclado, que agitaram mais a plateia do Lollapalooza, que respondia tanto com coros quanto com palminhas, mas mesmo com pouco mais de uma hora de show, o Greta Van Fleet deixou o palco com algum tempo de sobra. Para os fãs mais animados, faltou a favorita “When The Curtain Falls”, mas para qualquer um que aprendeu a gostar do grupo no Lollapalooza faltou outra coisa: uma promessa de retorno.

Pode ser que o Greta Van Fleet realmente sofra de uma falta de originalidade em sua composição, mas no Lollapalooza o grupo deixou sua marca definitiva como músicos de primeira, que já são mais do que capazes de liderar uma multidão de fãs.