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Créditos da imagem: Lollapalooza Brasil/Camila Cara/Divulgação

Música

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Lollapalooza | Arctic Monkeys traz novo álbum mas empolga com sucessos antigos

Grupo repetiu setlist de apresentações no festival da Argentina e Chile

Julia Sabbaga
06.04.2019
00h27

Antes do Arctic Monkeys subir ao palco para fechar o primeiro dia do Lollapalooza 2019 no Palco Budweiser, fãs que preenchiam toda a área principal do Autódromo de Interlagos já se pronunciavam ansiosos por faixas como “I Bet That You Look Good on the Dancefloor” ou “Fluorescent Adolescent”, ignorando o mais recente álbum do grupo, Tranquility Base Hotel + Casino. A reação pré show não foi surpreendente, já que o último trabalho dividiu opiniões, mas o resultado no show falou em alto e bom som: o público ainda espera o velho Artic Monkeys de hits dançantes.

O grupo subiu em um palco decorado com poucos adereços mas muito estilo, onde o que predominava eram as luzes nos integrantes e um discreto jogo de iluminação. Já de cara, “Do I Wanna Know” tirou os fãs do chão com uma guitarra alta e um grave forte, que fez corações tremerem. Desde o início até o fim, Alex Turner, a estrela absoluta do show, manteve o seu estilo bad boy dos anos 50, com expressões blasé e uma pose de rebelde que arrancou suspiros.

Os pulos aumentaram ainda mais quando o grupo passou para “Brainstorm”, a faixa mais pesada do show, e o público seguiu animado até “Snap Out Of It”, quando Turner esbanjou capacidade vocal, em um refrão que vai do grave ao mais agudo. Mas no desenvolver na apresentação, ficou claro o interesse menor em novas faixas; quando o Arctic Monkeys apresentou a primeira faixa de TBHC, “One Point Perspective”, o público ja abaixou o ânimo. A performance, no entanto, foi precisa; o grupo se provou perfeitamente capaz de entregar as melodias estranhas de Turner, e o vocalista ganhou no carisma ao interpretar um confuso eu lírico da canção.

A solução para a recepção morna foi emendar o material novo com as favoritas do público, algo que a banda fez muito bem. “One Point Perspective” foi seguida de “I Bet You Look Good On the Dancefloor”, a ótima e melosa “The Ultracheese” foi seguida de “Teddy Picker” e a faixa-titulo do novo album emendou em uma pesada e animada “Crying Lightning”, que contou com um final instrumental e o momento mais grandioso da apresentação.

Mas não foi apenas o peso que marcou os destaques do Arctic Monkeys. “505”, com seu início silencioso, trouxe o melhor do coro do publico, e a romântica “Cornerstone” também ficou ótima, complementada por improvisos vocais inesperados de Turner. O frontman, aliás, não saiu do personagem de crooner em nenhum momento, eventualmente até pegando um pente para colocar o cabelo para trás.

A performance do Arctic Monkeys deixou pouco a desejar, mas a resposta do público parece ter sido mais morna do que a banda merecia. Quando saíram do palco, depois de “Four Out Of Five”, o povo mal gritou por bis. O público permaneceu na frente do palco de qualquer modo, e mesmo sem grandes pedidos, a banda retornou para um grande final, com “Star Treatment”, “Arabella” e “R U Mine”, quando Turner termina com uma performance a capela exemplar, fechando um setlist idêntico às performances nos Lollapaloozas do Chile e Argentina.

Foi um show preciso, de uma banda madura, cujo novo disco parece fazer mais sentido com a postura blasé do frontman. Enquanto em shows antigos do grupo a pouca interação de Turner pode ter parecido esquisita, em sua nova fase, a pose combina perfeitamente. O líder do grupo expressou seu carisma através de improvisos vocais e poucos agradecimentos, mas a performance talentosa falou por si só.