Como Hybrid Theory mudou após a morte de Chester Bennington

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Como Hybrid Theory mudou após a morte de Chester Bennington

Vocalista faleceu há três anos hoje

Julia Sabbaga
20.07.2019
13h23
Atualizada em
20.07.2020
10h00
Atualizada em 20.07.2020 às 10h00

Há três anos, em 20 de julho de 2017, o mundo perdeu Chester Bennington. Além de uma legião de fãs saudosos, o vocalista do Linkin Park deixou para trás um legado importantíssimo para a música que, no aniversário de sua morte, pega de modo ainda mais profundo. 

Apesar de não ser tão claro na época, o álbum de estreia do Linkin Park, Hybrid Theory, definiu a direção que o rap metal e o nu metal tomariam e, mais do que isso, ajudou (e muito) a aproximar o metal ao mainstream. Junto com The Strokes, o Linkin Park foi uma das bandas que moldou o que seria o rock pós anos 2000. E após o suicídio de Chester Bennington, a relevância do Hybrid Theory vai além de seu significado musical.

A sonoridade estabelecida por Linkin Park em seu primeiro álbum era absolutamente única. A combinação do vocal suave e os gritos de Chester Bennington com o rap de Mike Shinoda surpreendeu o mundo musical. E apesar de ter recebido, em sua época, uma avaliação de duas estrelas e meia na Rolling Stone, hoje a indústria tem um consenso do legado que o álbum deixou e de sua qualidade de modo geral. Hybrid Theory marca hoje a lista dos 1001 Álbuns Para Ouvir Antes de Morrer e foi colocado em #11 nos 200 melhores álbuns da década da Billboard.

E se críticas não convencem, argumentos não faltam do lado comercial. Hybrid Theory é um dos álbuns mais vendidos da história, com 30 milhões de vendas no mundo inteiro. O número supera The Joshua Tree, do U2, e ...Baby One More Time da Britney Spears, que venderam, cada um, 25 milhões de cópias. O sucesso comercial do Linkin Park é incontestável; a banda foi a primeira de rock a ultrapassar o marco de 1 bilhão de views no Youtube.

Hoje, o significado de Hybrid Theory é outro. Depois do suicídio de Chester Bennington, as músicas e letras já intensas da banda tocam de um outro jeito. E por mais que você tenha gritado e sofrido com Chester na sua juventude, ouvir as letras do álbum hoje é uma experiência completamente diferente.

Claro que ouvir Linkin Park, de modo geral, após o suicídio de seu frontman, é diferente. Até seus últimos singles, desconsiderados e criticados por muitos em seu lançamento por sua roupagem absolutamente pop, hoje se transformaram. “One More Light”, faixa-título do último álbum, é uma balada que não parecia nada demais. Hoje, a música se tornou um hino de prevenção ao suicídio e conscientização de depressão e doenças mentais. Com emoção, Chester canta a importância da vida de cada indivíduo, e ouvir o vocalista cantar isso depois do seu suicídio é cortante.

Mas Hybrid Theory tem um outro peso por ser tão visceral. Faixas como “One Step Closer”, “In The End”, “Papercut”, assim como a maioria das músicas do álbum tem um clima pessimista, e tratam das devastadoras experiências que Bennington passou em sua vida. A infância do vocalista teve traumas de abusos e excessos de substâncias, e ele depositou todo o sentimento nas letras do primeiro álbum do Linkin Park. Em “Crawling”, Chester canta a dificuldade de superar: “Estas feridas não vão cicatrizar”.

Pouco antes de sua morte, Chester pediu em entrevista que os fãs superem o Hybrid Theory. O sentimento geral do músico era de que a banda evoluiu e que as pessoas precisam se desgrudar da sonoridade antiga: “Por que nós ainda estamos falando sobre Hybrid Theory? Foi há anos. É um ótimo álbum, nós amamos. Mas siga em frente”.

É difícil. Hybrid Theory significou demais em sua época e ganhou um novo peso hoje. Desculpe-nos, Chester. Mas, pelo menos em datas como essa, nos dê licença para nos prender ao passado.

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