La Casa de Papel

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Artigo

Por que a "teoria chocante" sobre La Casa de Papel não faz sentido

Fãs tem desfecho sinistro em mente para a série da Netflix

Natália Bridi
02.04.2020
16h42
Atualizada em
02.04.2020
17h08
Atualizada em 02.04.2020 às 17h08

O sucesso mundial de La Casa de Papel foi completamente inesperado. A série criada por Álex Pina foi exibida na Espanha pelo canal Antena 3 em maio de 2017 e em dezembro do mesmo ano chegou a Netflix. A estreia, feita sem alardes, se transformou em um fenômeno em diversos países, abrindo um novo caminho a ser explorado pelo serviço de streaming.

Exibida de uma vez na TV espanhola, La Casa de Papel recebeu uma nova edição para a Netflix, que dividiu o assalto à Casa da Moeda em duas partes. Ao final da “segunda temporada”, a história chegava a um final praticamente definitivo, ainda que existissem espaços para uma continuação.

Foi por esses espaços que Álex Pina construiu as Partes 3 e 4 da série: como o plano foi construído? Para onde fugiram os assaltantes? Como é a vida depois de um assalto monumental? Por que o grupo se reuniria novamente? Respondendo a essas perguntas, foi criada a trama do assalto ao Banco Central da Espanha. Mistura de estratégia de resgate com revolução política, o plano foi criado por Berlim e Palermo anos antes do roubo à Casa da Moeda.

Essa expansão da mitologia apresentada nas duas primeiras partes levou os fãs a criarem diversas teorias, seja sobre a misteriosa namorada de Berlim, seja sobre o desfecho da série como um todo.

A teoria chocante

Uma das principais teorias entre os fãs envolve Tóquio. Por ser a narradora da série desde o início, ela seria a única sobrevivente e estaria contando a história de dentro da prisão. Embora seja compreensível o apelo dessa ideia entre os fãs, a teoria não faz lá muito sentido dentro do que a série mostrou até agora.

A narração de Tóquio serve, sim, para conectar alguns momentos da série, mas não é o fio condutor dos fatos — La Casa do Papel não é contada apenas do seu ponto de vista para sustentar o argumento de que ela está relatando os eventos da prisão. No último episódio da Parte 2 (que teria sido o final da série não fosse o sucesso na Netflix), a narração de Tóquio sequer aparece - e ela nem estaria lá para saber com foi o encontro entre Lisboa e o Professor que concluí a história. Ela poderia ser uma narradora onisciente (que sabe tudo) e onipresente (que está em todos os lugares) e até mesmo contar a história do além (como em Beleza Americana), mas esse não parece o caso de La Casa de Papel que investe no drama, sacrifica alguns personagens, mas parece preferir finais felizes.

Na Parte 3 é ainda mais evidente. Sua narração é ocasional e surge para conectar alguns eventos ao espectador, mas ela não tem todos os fatos na mão para apresentar os detalhes sobre o plano e os demais personagens que compõem a trama. Tóquio pode até terminar presa, mas ela é apenas uma observadora. Caso a teoria seja confirmada será mais uma amarra forçada do que uma conclusão satisfatória. Pela lógica narrativa, quem possui todas as informações é o Professor. É na história dele, seu irmão Berlim e Palermo que estão as respostas sobre o desfecho de La Casa de Papel, o que pode ser resolvido agora, com a estreia da Parte 4 na Netflix, ou em possíveis novas temporadas.

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados para as finalidades ali constantes.