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Entrevista

Zona Zero tem zumbis inspirados pela evolução da IA: “Me deu medo”, diz diretor

Yeon Sang-ho retorna aos mortos vivos dez anos após o sucesso de Invasão Zumbi

Omelete
3 min de leitura
23.10.2026, às 06H00.
Cena de Zona Zero (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Zona Zero (Reprodução)

Yeon Sang-ho se viu intrigado - e assustado - pela rápida evolução das ferramentas de inteligência artificial generativa nos últimos anos. Tanto que seu novo filme, Zona Zero, utiliza uma epidemia zumbi para espelhar esse processo, mostrando uma horda de mortos vivos que vai desenvolvendo estratégias cada vez mais sofisticadas para caçar suas presas humanas.

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Na trama, uma série de personagens - incluindo uma professora de biotecnologia (Jun Ji-hyun) desesperada por um emprego e um segurança (Ji Chang-wook) que está passeando ao lado da irmã deficiente - ficam presos em um grande complexo de escritórios e lojas quando uma infecção letal se espalha pelo local.

A seguir, confira um trecho da conversa de Yeon Sang-ho com o Omelete, refletindo sobre as inspirações por trás da trama e o esforço para retratá-la da forma mais arrepiante possível - com a ajuda de várias trupes de dança contemporâneas, inclusive!

OMELETE: Bom, depois de Invasão Zumbi e Península, esta é a terceira vez que você explora a ideia de uma infecção zumbi. O que te fascina tanto nesse conceito e como você diria que Zona Zero explora facetas diferentes dessa premissa?

YEON: Não é que desde o início eu tivesse a intenção de fazer um filme de zumbis novamente. Eu vinha trabalhando com o roteirista Choi Gyu-seok, com quem também fiz o roteiro da série Profecia do Inferno, da Netflix. Enquanto escrevíamos Profecia do Inferno, que abordava o tema da loucura coletiva ao longo de duas temporadas e doze episódios, conversamos que, após terminar aquele trabalho, poderíamos falar mais sobre essa questão da coletividade. Foi daí que surgiu a ideia: a coletividade gerada pela ultra-conectividade e pela troca rápida de informações, intensificada pelo surgimento da IA, faz com que os momentos em que os indivíduos mantêm sua individualidade se tornem muito frágeis. Pensamos que seria interessante fazer um filme sobre isso, e esse foi o ponto de partida da história.

OMELETE: Os infectados passam por uma série de mutações e revelam estratégias muito sofisticadas durante o filme. Como você e seu colega roteirista desenharam essa evolução, e de que maneira essas transformações afetaram a dinâmica das cenas?

YEON: A IA nos deu uma grande inspiração. Nos estágios iniciais, a IA mostrava comportamentos bastante estranhos, cometendo erros que um ser humano jamais cometeria. Mas, nesse processo, à medida que a coletividade se reunia num piscar de olhos, ela ia se aproximando do comportamento humano, o que nos causou uma sensação de medo. Pensamos em transmitir essas características para os zumbis. Para expressar isso de forma intuitiva, contratamos cerca de três equipes de dança contemporânea que apresentam coreografias vanguardistas e pedimos a elas que expressassem com o corpo algo que, embora abstrato, retratasse essa coletividade. O que eu queria não era que todos se movessem da mesma forma só por compartilharem uma consciência coletiva, mas sim uma movimentação semelhante aos dez dedos tocando um único piano. Pedimos a eles que demonstrassem esse tipo de dinâmica, e foi assim que trabalhamos.

*Zona Zero já está em cartaz nos cinemas brasileiros.

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