Uma Loja Para Assassinos volta com excelente ação e uma pitada de noir
2ª temporada sobe o sarrafo do estilo e dos valores de produção
Créditos da imagem: Lee Dong-wook em Uma Loja Para Assassinos (Reprodução)
Os fãs de Uma Loja Para Assassinos, que lançou sua primeira temporada no Disney+ lá em 2024, devem se lembrar que a série tem um fraco pela tecnologia. Drones de ponta, cachorros robóticos e bombas supersônicas faziam parte do arsenal dos assassinos de aluguel que caçaram Ji-an (Kim Hye-jun) durante o primeiro ano, estabelecendo a afinidade do diretor e roteirista Lee Kwon (Fechadura) pelo tema. Mas nada pode te preparar para o que te espera nesta segunda temporada.
Exemplo fácil: logo no primeiro episódio do retorno de Uma Loja Para Assasinos (sem spoilers, prometo!), Jeong Ji-man (Lee Dong-wook) é surpreendido por dois ciborgues aterrorizantes – esqueletos de metal fundido à la Exterminador do Futuro, mas muito mais flexíveis e ágeis do que o T-800 – que guardam uma sala de armas que ele está tentando invadir. O que se segue é uma sequência de luta que Lee conduz com um prazer quase geométrico, toda ângulos mecânicos e movimentos bruscos de câmera, sublinhando o grotesco e o frio daquela situação toda.
E é por aí mesmo que este começo de temporada de Uma Loja Para Assasinos segue, revelando uma corrente cyberpunk (ou, vá lá, technoir) inesperada em sua história de ação contemporânea. Se Ji-man tem uma luta em cima de uma passarela, por exemplo, o diretor coloca a câmera para realizar um movimento circular vertiginoso ao redor dos dois adversários, elicitando desconforto e destacando as superfícies metálicas escuras do mundo que ele criou; se acompanhamos o caminho de um carro pela rua, com certeza Lee vai mostrá-lo de cima, fazendo com ele as curvas íngremes da estrada.
O resultado é um grupo inicial de episódios muito mais acertado, em termos de atmosfera, do que os da primeira temporada. E falar de atmosfera é oportuno porque este início toma o seu tempo para amarrar pontas soltas do ano anterior, acertar os ponteiros da relação entre os personagens, apresentar novas ameaças. É um trabalho que poderia ser burocrático, e que deixa os temas mais interessantes da trama (a crueldade inerente de qualquer estrutura corporativa, a tolerância à violência que mantém esses sistemas de pé, etc) em segundo plano, ao menos por enquanto.
Mas é inegável que, elevando o sarrafo do estilo e explorando de forma exemplar o orçamento generoso que a Disney certamente lhe deu após o sucesso da série, o criador e diretor de Uma Loja Para Assassinos vende melhor do que nunca o universo de Jin-man, Ji-an e da organização de assassinos de aluguel Babylon. O espectador médio pode não detectar as inspirações que o guiaram, mas certamente sente o cheiro de uma produção que sabe o que quer ser, e que sabe como seduzí-lo para querer também.
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Compartilhe sua opinião, publique críticas e participe das discussões com a comunidade Omelete.Escrever comentário