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The Apartment Job faz inversão inesperada, mas certeira, de moralidades

Ji Sung dá carisma inegável para um “anti-herói” pelo qual é impossível não torcer

Omelete
3 min de leitura
16.07.2026, às 07H00.
Ji Sung em The Apartment Job (Reprodução)

Créditos da imagem: Ji Sung em The Apartment Job (Reprodução)

Park Hae-kang (Ji Sung) não é um tipo pelo qual as narrativas ficcionais, e ainda mais os k-dramas, normalmente nos incentiva a torcer. Estiloso, confiante e bonitão, ele usa todas essas características como fachada para o empreendimento ilegal que toma conta de boa parte da sua vida: um cassino clandestino, escondido por trás da pretensão de um escritório comum em um prédio de luxo no bairro mais prestigiado de Seul (Coreia do Sul).

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Por lá, ele recebe ricaços (e outros nem tanto) com pompa e circunstância, os incentiva a apostar até ficarem devendo milhões, e logo em seguida tira tudo o que eles têm a fim de receber seu dinheiro de volta, com juros. The Apartment Job usa a linguagem visual da comédia para retratar esse “modelo de negócio”, mas a crueldade dos métodos de Park não é perdida na tradução… pelo menos, até a página 2.

A grande jogada do k-drama, transmitido no Brasil pela Netflix, é expandir o seu escopo narrativo para nos mostrar que, no grande esquema das coisas, Park Hae-kang é peixe pequeno – e as águas estão cheias de tubarões. A história real da série começa justamente quando um desses peixes graúdos resolve usar nosso protagonista de alavanca para elevar sua influência, colocando-o em uma situação financeira impossível e arriscando a vida de seus colaboradores mais próximos no processo.

O resultado é que passamos a entender a falta de escrúpulos de Park como uma resposta à imoralidade daqueles que o cercam. Uma coisa pode não justificar a outra, mas sem dúvida as duas se relacionam – num sistema onde é impossível vencer sem pisar nos outros, num mundo onde figurões da polícia lamentam não terem sido “corruptos o bastante” para chegar onde queriam, é claro que o trambiqueiro menor vai ser nosso herói, até pelo potencial de mexer com a base de poder dos verdadeiros vilões.

E é assim que The Apartment Job vai se mostrando uma narrativa quietamente subversiva. O roteiro de Kim Yoon-young (My Strange Hero) trafega nos chavões da fidelidade mafiosa e do “chefão do crime com coração de ouro”, mas também investiga os motivos que deram à luz esses chavões. E Ji Sung, enquanto isso, empresta alma inegável a um protagonista masculino que poderia ser um estereótipo de CEO frio nas mãos de um ator mais jovem, mais preocupado com a própria imagem, menos dado às nuances.

É nessa inversão de moralidade esperta, enfim, que a série prospera. Adequadamente para os tempos em que vivemos, a graça aqui não é torcer pelo bom moço – é torcer contra os moços piores.

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