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Com cara de TikTok, O Valor Absoluto do Amor só existe pela zoeira

Episódios curtos do k-drama do Prime Video são divididos em pílulas ainda menores

Omelete
3 min de leitura
18.04.2026, às 08H00.
Cha Hak-yeon em O Valor Absoluto do Amor (Reprodução)

Créditos da imagem: Cha Hak-yeon em O Valor Absoluto do Amor (Reprodução)

Uma estudante de ensino médio é escritora de fanfics do gênero BL (boys love, as histórias asiáticas focadas em relacionamentos homossexuais) no tempo vago. Desajustada, com um corte de cabelo trágico e uma única amiga, ela ainda por cima se vê fracassando nesse hobby – suas histórias não conseguem visualizações nem comentários nas plataformas digitais onde as publica. 

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Quando um quarteto de rapazes se muda para uma casa ao lado da sua, no entanto, ela encontra uma mina de ouro de inspiração: sempre que os observa, ela encontra mais evidências para achar que eles todos estão envolvidos em relacionamentos românticos uns com os outros. Acontece que, ao que tudo indica, eles não estão, e tampouco apreciam ser observados pela adolescente meio estranha que vive na casa vizinha. A gota d’água nessa desventura da protagonista é revelada bem no meio do episódio de estreia da série: os quatro rapazes, na verdade, são seus novos professores no colégio.

Essa é a premissa de O Valor Absoluto do Amor, k-drama curto e grosso que o Prime Video trouxe para o Brasil. Os quatro primeiros episódios (serão 14, com lançamento semanal) chegaram hoje (17) à plataforma, e deixam claro que a série existe, mesmo, pela zoeira. E para a geração TikTok, que não por acaso é a mesma que devora webtoons e webnovels como os escritos pela protagonista.

Os capítulos, para começar, têm pouquinho mais de meia hora cada um – duração irrisória para uma indústria que está acostumada a fazer 1h10, 1h20 por episódio. Ademais, eles próprios são divididos em segmentos ainda menores, que dificilmente ultrapassam os 10 minutos e são frequentemente marcados com letreiros na tela. Pílulas narrativas fáceis de engolir, enfim, que se encadeiam uma na outra, mas seguram o nível de complexidade que a história pode alcançar.

Não fosse o formato horizontal, portanto, O Valor Absoluto do Amor poderia muito bem ser uma novelinha do aplicativo de vídeos curtos favorito da geração-Z. E essa escolha estrutural dita também o tom das encenações, das piadas – o que poderia passar como insinuação de mau gosto em outras séries, aqui é recebido como a besteira que é. O espectador se permite rir do absurdo das situações tremendamente gays onde os personagens incongruentemente se enfiam, porque sabe que elas só estão ali para entretê-lo, e não há a ambição de contar uma grande história para além delas.

Daí também que é gostoso assistir à forma como o quarteto de atores principais se entrega a toda essa bobagem de duplo sentido. É stunt casting em seu melhor: Cha Hak-yeon (o N, do grupo de k-pop VIXX) e Kim Jae-hyun (da banda N. Flying) como rivais mortais obrigados a conviver, um metódico e outro relaxado; Song Jeong-kyung (o DAMIEN) como um professor de educação física meio himbo e Kim Dong-gyu (A Cobertura) na pele de um poeta hipersensível. Arquétipos que o roteiro de Lee Min-joo vai chocando um contra o outro com óbvio prazer, assumido também pelos atores.

Enfim, O Valor Absoluto do Amor é raso como um pires, e divertido como um café da tarde com amigos tão hiper-online quanto você. Mas ele nunca finge ser algo além do que é. Abrace-o ou rejeite-o, não dá para dizer que ele te enganou.

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