O Marido é suspense de roer as unhas com ótima atuação central
Namkoong Min ancora uma história cheia de reviravoltas no k-drama do Disney+
Créditos da imagem: Namkoong Min em O Marido (Reprodução)
Dirigido de maneira metódica por Kim Jung-hyun (The Fabulous) e Kim Min-tae (School 2021), o primeiro episódio de O Marido dedica boa parte de seu tempo à missão de estabelecer a normalidade da rotina de seus protagonistas. A saber: Kang Tae-ju (Namkoong Min) é cirurgião em um hospital prestigioso, trabalhando ao lado da esposa Ko Se-yun (Lee Seol), uma das administradoras do local e filha do seu poderoso fundador.
Sitiado por pressões financeiras, mas dedicado singularmente ao exercício ético da profissão – no primeiro capítulo, ele enfurece esposa e sogro ao mexer na agenda de cirurgias para colocar um paciente pobre em estado de emergência na frente de um doador milionário do hospital –, Kang viu seu casamento esfriar até o ponto de congelamento após um episódio traumático (ainda) não especificado. O ressentimento entre eles é tanto que, quando Kang finalmente pede o divórcio, Ko responde que não vai concedê-lo.. só para fazer o protagonista sofrer um pouco mais.
O Marido nos apresenta essa situação com um olhar afiado para as vicissitudes que permeiam o dia-a-dia de alguém que se vê preso numa situação impossível. Kang – e Ko também, embora ele seja o nosso personagem de ponto-de-vista – nunca encontra alívio, ou um lugar seguro. Sua vida é se deslocar de uma quebra de coração para outra, com pouco ou nenhum respiro de serenidade entre as conversas difíceis que precisa ter ,e os sapos que precisa engolir.
A construção desse clima opressivo gera frutos no terceiro ato do primeiro capítulo, quando o incidente central da trama finalmente se desenrola: Ko Se-yun é sequestrada, e o criminoso responsável argumenta – com provas em vídeo! – que Kang o contratou para fazer o serviço durante uma noite de bebedeira. Se o cirurgião já vivia num espaço sem oxigênio antes, daqui para frente ele terá muito mais motivos para não conseguir tomar fôlego.
O Marido engata a quinta marcha a partir daí, lançando mão de todos os recursos possíveis para colocar o espectador na ponta da cadeira. Tome cronômetro na tela, montagem frenética, um vilão que abusa de um filtro de voz enervante e de chavões psicopáticos, e um protagonista que tenta de tudo para sair dessa situação espinhosa, só para descobrir que seu algoz está dois passos à frente.
A boa notícia é que funciona, e o novo k-drama do Disney+ se mostra muito rapidamente o pior lançamento do ano para a saúde de suas unhas, que serão muito roídas pelas próximas semanas de episódios. Ancorando esse frenesi está uma performance íntegra de Namkoong Min, mostrando que consegue construir um personagem crível e conquistar a aliança do espectador mesmo com toda a correria acontecendo ao seu redor.
Ainda bem, porque sem ele O Marido poderia muito bem escapar na direção da incredulidade – aqui, a sensação é que estamos em boas mãos.
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