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Artigo

O Amor Pode Ser Traduzido? encontra poesia em suas situações inusitadas

Novo k-drama das irmãs Hong reafirma qualidades do texto da dupla

Omelete
3 min de leitura
16.01.2026, às 06H00.
Atualizada em 16.01.2026, ÀS 13H58
Cena de O Amor Pode Ser Traduzido? (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de O Amor Pode Ser Traduzido? (Reprodução)

À primeira vista, O Amor Pode Ser Traduzido? tem pouco a ver com os k-dramas de maior sucesso das irmãs Hong. Isso porque a dupla de roteiristas, que se tornou uma verdadeira marca dentro da indústria sul-coreana desde meados dos anos 2000, costuma extrapolar suas histórias românticas com elementos de fantasia – uma das protagonistas é uma criatura folclórica imortal (Minha Namorada é uma Gumiho), ou é capaz de ver fantasmas (Sol do Mestre), ou gerencia uma hospedagem para espíritos (Hotel Del Luna), ou é uma maga poderosa lidando com os conceitos de paraíso e inferno (Alquimia das Almas)... enfim, conceitos elevados aplicados ao formato familiar do k-drama.

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Acontece que a magia, o além-vida e o folclore passam longe de O Amor Pode Ser Traduzido?, que acompanha o reencontro entre o tradutor Ho-jin (Kim Seon-ho) e a atriz Mu-hee (Go Youn-jung) no set de uma série de TV, na qual o trabalho dele é traduzir as conversas entre ela e o galã japonês Hiro (Sôta Fukushi). Algum tempo antes de trabalharem juntos, Ho-jin e Mu-hee se trombaram durante uma viagem ao Japão, e passaram perto de engatar um romance – mas agora, é claro, as coisas se complicaram, e nenhum dos dois sabe como articular o que sente pelo outro.

O plano de existência de O Amor Pode Ser Traduzido?, portanto, é firmemente o nosso. Mas qualquer dúvida sobre como as irmãs Hong se dariam ao transportar o seu estilo operático para uma história mais modesta desaparece logo no primeiro episódio, preocupado quase integralmente com o flashback daquele primeiro encontro dos protagonistas no Japão. Já aqui, é fácil entender que não só sobra charme aos texto do k-drama, como também sobra espaço para encontrar magia no corriqueiro.

A ideia, é claro, é falar sobre desencontros de comunicação – mas, ainda além disso, sobre desencontros de tempo e espaço. O Amor Pode Ser Traduzido? entende como o idioma pode dividir, mas também entende que ele é um mero marcador do lugar geográfico onde a pessoa se encontra… e, quando se trata do uso do idioma, do lugar emocional também. A desventura de Ho-jin e Mu-hee no Japão é uma elaboração perfeita dessa tese, e uma apresentação certeira às personalidades dos protagonistas.

Kim Seon-ho transfixa um olhar sério e um trato gentil como Ho-jin, enquanto Go Youn-jung deixa o corpo agir de forma mais solta em cena. Por trás das câmeras, a diretora Yoo Young-eun (Coração Inimigo) os observa com curiosidade, abrindo mão de fazer um programa mais convencionalmente cartão-postal para focar nessa relação. É claro que também existe grandiosidade, ditada pelo investimento pesado na produção e pelos nomes envolvidos – mas ela é mais concessão do que intenção, muitas vezes quebrada pelo bom humor, e tantas outras transformada em exercício de estilo.

Por que, sim, O Amor Pode Ser Traduzido? é uma comédia romântica. O único lugar do mundo em que ainda se fazem comédias românticas milionárias é a Coreia do Sul, e acima de tudo é bacana ver como as irmãs Hong e seus colaboradores se aproveitam dessa abertura para inserir uma história íntima, minuciosamente preocupada com as emoções de seus personagens, em um pacote de luxo. 

*O Amor Pode Ser Traduzido? já está disponível para streaming na Netflix, com a temporada completa de 12 episódios.

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