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Me Faça Vibrar une deboche e denúncia para fazer k-drama sexy, mas responsável

Nam Ji-hyun brilha com protagonista que passa por jornada de desconstrução

Omelete
3 min de leitura
22.10.2026, às 19H00.
Nam Ji-hyun em Me Faça Vibrar (Reprodução)

Créditos da imagem: Nam Ji-hyun em Me Faça Vibrar (Reprodução)

Há duas ou três tomadas no primeiro episódio de Me Faça Vibrar que exibem em destaque (não no fundo, mas em primeiro plano) letreiros declarando: “Sem camisinha, sem sexo”. A mensagem, tão cuidadosamente exibida pela diretora estreante Kim Ye-ji, ganha relevância dentro da trama quando a protagonista Kong Yeon-su (Nam Ji-hyun, ótima) tem um desentendimento com o namorado, com quem estava prestes a transar pela primeira vez, sobre o uso do preservativo – mas ela também é simbólica da abordagem que Me Faça Vibrar escolhe quando se trata de seu tema central.

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Trata-se, afinal, de uma história decididamente sobre sexo, o que não é nada comum na televisão sul-coreana (o fato de ter sido produzida pelo streaming TVING, e não por uma das grandes emissoras lineares da Coreia do Sul, dá uma dimensão do quanto). E a missão narrativa de Me Faça Vibrar é ainda mais ousada do que isso: escrito por Ahn Sae-bom (Soundtrack #1), este é um k-drama que encara todos os papéis de gênero tradicionais prescritos às mulheres, retrata o dano que eles causam, e advoga – através do arco de sua protagonista! – que as mulheres se libertem o quanto antes deles.

Kong Yeon-su vem de uma família conservadora e rica, que vê com maus olhos qualquer namoro que não vá dar em casamento, e onde os homens sempre têm precedência sobre as mulheres. Sua tia foi basicamente deserdada quando se divorciou de um homem violento, e sua mãe viúva criou os filhos junto aos avós rígidos, num complexo de residências tradicionais em Seul. Nesse ambiente, embora a dedicação de Yeon-su ao emprego em uma agência de publicidade seja visto como um sinal de diligência positivo, só se espera que ela fique no escritório até arranjar um marido.

Quando o relacionamento da moça vai por água abaixo (vide o primeiro parágrafo desta crítica), no entanto, entra em cena um novo pretendente que é o oposto completo dela: Dokgo Dal (Kim Jae-young), o jovem e competente CEO de uma fabricante de brinquedos sexuais, que contrata a agência da moça para liderar a campanha de marketing do seu novo produto. Sentindo-se perdida e começando a questionar os preceitos da família seriamente pela primeira vez, ela decide assumir a conta, desenhando aí um conflito de personalidades e pudores que mexe com os dois protagonistas, e todos ao redor deles.

Ao abordar a dureza anacrônica dos costumes contra os quais sua protagonista se choca, Me Faça Vibrar recorre frequentemente ao deboche – a presunção da série já é que o público concorda com sua avaliação desse conservadorismo como absurdo. Crucialmente, não é só Kong Yeon-su quem guarda segredos da família, e tanto o texto quanto a direção retratam essa dança dos parentes ao redor das verdades inconvenientes de sua vida como engraçada justamente por ser tão estupidamente desnecessária diante das liberdades pessoais que já existem fora dos muros daquela casa.

Por outro lado, há seriedade na forma como o k-drama sintetiza suas mensagens sobre saúde sexual, abuso e misoginia. A melhor qualidade de Me Faça Vibrar neste início é entender que a jornada de sua protagonista na direção de uma visão mais sadia de si mesma, especialmente quando se trata de seu desejo, precisa necessariamente passar por determinadas conscientizações, e que essas conscientizações precisam necessariamente expor os lados mais feios das opressões que ela sofre.

Sem fazer caso demais, mas tampouco deixando espaço para dúvida (vide o “Sem camisinha, sem sexo”), a série toma todos os lados certos, e reconhece os espinhos de seu tema sem precisar torná-lo menos divertido por isso. É o melhor de dois mundos, enfim: um pouco de safadeza, mas com toda a responsabilidade que você poderia pedir.

*Me Faça Vibrar está disponível para streaming no Rakuten Viki, com episódios semanais lançados às quintas-feiras.

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