Ninguém aproveitou o palco do Lollapalooza melhor do que o KATSEYE
Tão teatral quanto descontraído, grupo fez grande show no domingo (22)
Créditos da imagem: KATSEYE no Lollapalooza (Reprodução)
O início de "Fright Song", canção do KATSEYE para a trilha da franquia Monster High, foi um momento e tanto no show do grupo no Lollapalooza 2026, na noite do domingo (22).
Após os últimos acordes da deliciosamente ridícula "Internet Girl", o provisional quinteto (uma sexta integrante, Manon, está em hiato e não veio ao Brasil com as colegas) deixou o palco vazio por bons segundos enquanto a expectativa pairava no ar no Autódromo de Interlagos. E então... Uma a uma, as integrantes surgiram da esquerda do palco, tratando o Flying Fish como passarela, se insinuando e posando para a platéia enquanto a melodia grudenta da canção estourava as caixas de som.
Esse tratamento do palco como espaço versátil é a marca mais fascinante do show do KATSEYE. Até por isso, inclusive, a estrtura que elas trouxeram para o Lolla é simplérrima - uma fileira de luzes na frente das artistas, um pacote de gráficos característicos para exibição no telão, um grupo de dançarinos que entrava e saía apenas para marcar os últimos refrões apotéoticos de algumas das músicas do setlist. E é isso.
A partir dessa base, reina a criatividade. Se em "Fright Song" o palco vira passarela, em "Tonight I Might" ele é espaço de zoeira, conforme algumas das integrantes recebem bastões da equipe de bastidores, munidos com câmeras, e o resultado das filmagens preenchem os telões em um aceno à juventude e desconstração do grupo. A integrante mais velha do KATSEYE tem 23 anos, afinal, e o grupo só está fazendo música em conjunto há três.
Daí também a duração modesta (50 minutos, mais ou menos) do show, que mesmo assim cobre uma parte significativa do repertório do grupo. E dentro dele, é claro, "Gabriela" e "Gnarly" surgem como peças centrais, celebradas como tal neste Lollapalooza 2026.
A primeira apareceu seguida de um longo interlúdio misturando dança flamenca e trocas de figurino, sublinhado pelas longas saias azuis colocadas nas integrantes, que flutuavam pelo palco; a segunda, mais agressiva, virou festival de rebolado e trouxe à frente o estilo de dança anguloso que é mais identificado com o k-pop. Pudera: ainda que vendido como "grupo global" pela HYBE (mesma gravadora do BTS), e apesar de ter integrantes de várias nacionalidades, o KATSEYE se apresenta e se comporta como um conjunto de k-pop, da agenda promocional à cadência do show, pausado a cada três músicas para as integrantes se recuperarem das coreografias.
Também é "Gnarly" a menos melodiosa, mais "gritada", canção do repertório do grupo. Antes dela, as integrantes exibiam rigor vocal - especialmente Lara e Sofia, líderes claras do KATSEYE nesse sentido -, ainda que o público reunido diante do Palco Flying Fish não parecesse se importar muito com isso. Para eles, o KATSEYE já chegou com aura de headliner. Depois dessa noite, é difícil discordar.