JUNNY viu o k-pop crescer: “Quando fui pra Coreia, ele estava vindo pra cá”
Cantor canadense-coreano fala de trabalho solo, composições para outros artistas e OSTs
Créditos da imagem: JUNNY (Reprodução/Instagram)
Esta entrevista faz parte da KOREA WEEK, semana especial de conteúdo sul-coreano (k-drama, k-pop e mais!) em todas as plataformas do Omelete. Fique de olho na nossa seção KOREA para acompanhar tudo.
Kim Hyung-jun tinha quatro anos quando se mudou da Coreia do Sul natal para o Vancouver, no Canadá, e 22 quando decidiu voltar para o país asiático e investir na música. Nesse meio tempo, ele herdou uma paixão irremediável pelo R&B de seus irmãos mais velhos, que viviam cantando Brian McKnight pela casa, influência que se provaria importante em seu caminho na indústria do k-pop – e além.
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Com o nome artístico de JUNNY, ele começou a lançar músicas solo (“Handle You” foi uma das primeiras a causar impacto entre os fãs do gênero, seguida de hits como "Invitation", "By My Side" e "Movie") ao mesmo tempo em que era recrutado para escrever para o time-A de artistas da indústria do k-pop. KAI (“Mmmh”), IU (“Troll”), Baekhyun (“Privacy”), NCT (“Rain Day”) e SHINee (“Gravity”) estão entre as vozes famosas que já cantaram versos do rapaz.
“Acabei me mudando para a Coreia bem no momento em que a música coreana estava avançando para o Ocidente”, conta ele ao Omelete. “Quando cheguei aqui, muitos compositores e músicos estavam interessados em pessoas que vinham do Canadá, como eu, ou dos Estados Unidos e de outros lugares. Para mim, foi uma grande oportunidade. Por vir do Canadá, queriam saber que tipo de música me interessava”.
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A seguir, JUNNY reflete sobre essa trajetória marcada pela internacionalização da música sul-coreana – mas também fala do seu mais recente single, o excelente “Heaven Can Wait”, do trabalho em trilhas-sonoras de k-dramas, e da expectativa para o seu primeiríssimo show no Brasil. Confira o papo completo!
OMELETE: Olá, e antecipadamente bem-vindo ao Brasil! Sei que esta é a sua primeira vez no país e na América Latina em geral, e gostaria de saber se seus colegas da música lhe contaram algo sobre o público brasileiro. Quais são suas expectativas para este show?
JUNNY: Me contaram muita coisa. Falaram de experiências divertidas, muita energia, empolgação e que o público é muito, muito barulhento e enérgico. Estou muito animado. Sempre me divirto muito nos shows em que todos estão realmente envolvidos. Sinto que todos deveriam estar no palco comigo, e espero isso no Brasil, pois sei como são as danças, a música e a cultura por lá; é tudo tão vivo. Quero sentir isso, pois é a minha primeira vez. Só espero que seja incrível.
OMELETE: Também quero falar sobre sua música, é claro. Sei que sua discografia se inclina bastante para o R&B, e também sou um grande fã do gênero. De onde vem seu amor por esse estilo, e você sempre soube que trabalharia nessa área?
JUNNY: Sempre amei R&B, desde criança. Conforme fui crescendo e comecei a ouvir música, acho que uma das primeiras canções que ouvi foi provavelmente um R&B dos anos 1990, talvez algo como Brian McKnight. Me apaixonei porque meus irmãos adoravam cantar as músicas dele. Como irmão mais novo, eu queria copiar tudo o que eles faziam e comecei a cantar junto. Foi assim que comecei a me apaixonar pelo canto e por aqueles floreios vocais típicos do R&B; achava tudo muito interessante e queria imitar.
Olhando para os anos 2000, 2010 e chegando na nova era, você percebe como o R&B cresceu. Assim como outros estilos, o R&B tornou-se tão popular que está sempre inserido na indústria da música pop. Isso é muito importante, porque o R&B influencia muito, por exemplo, a música coreana e o k-pop. Quando comecei a compor, foi natural abordar esse gênero primeiro, em vez de hip-hop ou rock, que eu também amo. A primeira coisa que pensei foi em tentar algo como o R&B, porque amo cantar assim. E fico feliz que esse tenha sido meu primeiro pensamento, pois me trouxe até aqui.
OMELETE: Seu single mais recente é "Heaven Can Wait", que é também uma das minhas faixas favoritas da sua discografia. Pode falar um pouco sobre as inspirações por trás dela? Você se vê explorando mais esse tipo de som em lançamentos futuros?
JUNNY: Sim! Ótima pergunta, e muito obrigado por gostar da música. Ela é o início de algo que estou buscando agora. Estou trabalhando em um álbum, e essa música é como uma porta para mostrar aos meus fãs e ao público que tipo de música quero fazer no futuro. Ela é fortemente influenciada pelo R&B e pop do final dos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000. Já mencionei em outra entrevista influências de Michael Jackson, Prince e Earth, Wind & Fire, e você consegue sentir isso na música. Esse tipo de música realmente dá vontade de levantar e dançar, e era isso que eu queria para essa canção. É por isso que estou dançando no videoclipe, algo que nunca tinha feito antes. Acho que encontrei algo que me interessa e me mantém motivado a escrever mais. Esse estilo se tornou uma parte grande da minha vida e quero mostrar mais disso nos próximos projetos.
OMELETE: No ano que vem completará dez anos desde sua estreia como artista solo. Durante esse tempo, como você viu o crescimento da popularidade da música coreana em todo o mundo, e o que você acha disso?
JUNNY: Eu vi isso de perto, de forma intensa. Quando comecei, em 2017 — e até antes de estrear oficialmente, quando eu era apenas um garoto lançando músicas de forma independente —, o k-pop era um gênero muito de nicho, pouca gente conhecia. Mas vi o crescimento gradual e acabei me mudando para a Coreia bem no momento em que a música coreana estava avançando para o Ocidente. Quando cheguei aqui, muitos compositores e músicos estavam interessados em pessoas que vinham do Canadá, como eu, ou dos Estados Unidos e de outros lugares. Para mim, foi uma grande oportunidade. Por vir do Canadá, queriam saber que tipo de música me interessava, e eu pude participar de acampamentos de composição e escrever para outros artistas de k-pop. Através disso, consegui fazer meu nome e uma carreira como compositor antes de lançar minha própria música e estrear de fato. Então, para mim, tudo se conectou através do k-pop. Não consigo me imaginar nesta posição sem esse gênero ter ficado tão grande no mundo todo. Devo muito à indústria e às grandes gravadoras que impulsionaram a música coreana para países como o Brasil, os Estados Unidos, a Europa e o mundo todo. Sou muito grato.
OMELETE: Queria falar sobre seu extenso currículo escrevendo para diferentes artistas de k-pop. Como é o processo de composição para outros em comparação a escrever para si mesmo?
JUNNY: É sempre um desafio entender se a música combina com aquele artista específico, e se ele se sente confortável cantando. Quando você escreve para outra pessoa, não é apenas para o seu prazer; tem que ser natural para eles abraçarem, apresentarem e promoverem a canção como parte de suas discografias. É algo muito delicado, e um desafio difícil como compositor. Mas quanto mais eu fazia, mais aprendia sobre diversidade, sobre como as pessoas são diferentes e como percebem a música. Isso me ensinou muito e incorporei esse aprendizado no meu próprio trabalho. Sinto que cresci como compositor e artista simultaneamente por poder escrever para outros, e é divertido. Você escreve algo com uma imagem na cabeça e então a música sai com um artista diferente e você pensa: "Uau, eu fiz parte disso". Me sinto muito orgulhoso.
OMELETE: Você também cantou para algumas trilhas sonoras de k-dramas, como em Um Bom Garoto e As Células de Yumi. Como funciona esse tipo de trabalho? Você assiste ao programa ou recebe um roteiro? Qual visibilidade você sente que isso te dá?
JUNNY: É muito dinâmico e, às vezes, aleatório. Às vezes me dão a oportunidade de escrever para o drama, e isso é divertido porque você recebe a sinopse antes de todo mundo; é um privilégio ver a história de fundo. Assisto um pouco e começo a pensar nos personagens para escrever. Mas, hoje em dia, o que mais faço é receber uma música pronta e apenas cantá-la, tentando expressá-la mais como cantor do que como compositor. Eu canto pensando como se fosse o personagem. Participei da trilha de Um Bom Garoto e tenho outra trilha sonora saindo muito em breve para um drama da Netflix. A música em que contribuí é uma das minhas favoritas até agora. Gravar foi divertido; você entra na cabine, conversa com o compositor sobre o que ele pensou ao escrever a música e o que ele espera. Isso me coloca em uma posição diferente, pois como compositor eu estaria do lado de fora da cabine tentando explicar minha música para um artista, mas agora estou dentro da cabine ouvindo os pensamentos de quem escreveu. Estar nos dois lados é muito divertido, e me sinto orgulhoso disso.
OMELETE: Muito obrigado, Junny, e espero que tenha uma ótima estadia no Brasil.
JUNNY: Muito obrigado, Caio. Tchau!
*JUNNY se apresenta em São Paulo, no Fabrique Club, em 23 de agosto, com produção da W+ Entertainment. Confira ingressos aqui.
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