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Jackson Wang faz teatro macabro em ótimo show em SP
Espetáculo do integrante do GOT7 é guiado por narrativa provocadora
3 min de leitura
Créditos da imagem: Jackson Wang em show no Suhai Music Hall, em São Paulo (Caio Coletti/Omelete)
No primeiro vídeo exibido nos telões do Suhai Music Hall, em São Paulo (SP), na noite de hoje (23), Jackson Wang morre.
Trata-se do clipe de "High Alone", onde Wang interpreta um ilusionista à la Harry Houdini, que se tranca em um tanque de água - a promessa implícita sendo, é claro, que ele vai escapar antes de precisar respirar. Não é o que acontece, no entanto, e "High Alone" termina com um público malvado batendo no vidro de Wang como num aquário, pouco antes de vermos o cantor imóvel no fundo do tanque.
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Macabro, com certeza. Pouco convencional como "esquenta" para um show, provavelmente. Mas "High Alone" também é a cara do k-pop (nascido em Hong Kong, Wang fez sua carreira na Coreia do Sul como membro do grupo GOT7), eternamente fascinado por corpos, controle, e quanto controle podemos ter sobre os nossos corpos. Em sua arte, Jackson Wang se apresenta como uma curiosidade mórbida, e cutuca o público que bate no vidro para atiçá-lo.
Melhor ainda é como a narrativa continua se desenvolvendo durante toda a performance que Wang apresentou em São Paulo. Parte da turnê de seu álbum Magicman 2 (2025), o show é um empreendimento intensamente teatral, com pouco das firoulas e fofuras que marcam a maior parte dos espetáculos de k-pop.
Wang aparece no palco frequentemente acompanhado por um corpo de dançarinos composto por 12 profissionais vestidos inteiramente de preto, com rostos pintados, que desempenham com ele um cabo de guerra em formato de balé. Não é uma relação amigável, e sim uma luta. Wang, que foi esgrimista antes da carreira musical, se move elegante e elasticamente para comandar ou ser comandado por esse batalhão de fantasmas ao seu redor, que perdem e ganham a vantagem contra ele de forma alternada durante o show.
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Quando eles vencem, o Jackson geométrico e poderoso, mas também de certa forma reservado (ele pouco fala com o público, e em vários momentos se retrai para expressar as notas mais angustiantes de suas canções lentas), some para dar lugar a um popstar populista. Daí a prolongada brincadeira sensual que se desenrola após "Not for Me", com uma e depois múltiplas fãs subindo ao palco para receberem serenadas, danças e toques de Wang e seus bailarinos.
Enquanto dá ao público o que ele quer, o artista deixa escapar um ou dois sorrisinhos de lado, mas se concentra mesmo é no teatro. A execução econômica dos passos de exagero libidinoso, o timing cafajeste do último lance de cena - em que Wang rasga a camiseta enquanto o telão do palco se fecha, com as fãs escolhidas ao seu lado como se estivessem sendo levadas para o backstage... É tudo performance, narrativa, uma radicalização do que o k-pop sempre tenta nos dizer.
Esse é Jackson Wang, o Magicman, o Houdini moderno. E nós estamos batendo no vidro sem parar enquanto ele se afoga. Difícil saber quantas pessoas ali no Suhai Music Hall estavam ouvindo, mas o recado foi dado.
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