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Artigo

Hong, a Infiltrada passeia entre thriller corporativo e comédia de costumes

Série da Netflix talvez seja melhor em um gênero do que em outro, mas tem desenvoltura

Omelete
3 min de leitura
24.01.2026, às 08H00.
Park Shin-hye em Hong, a Infiltrada (Reprodução)

Créditos da imagem: Park Shin-hye em Hong, a Infiltrada (Reprodução)

O k-drama mais famoso do diretor Park Seon-ho até hoje é Pretendente Surpresa (2022), comédia romântica sobre uma mulher que substitui a amiga em um encontro às cegas e descobre que o cara do outro lado da mesa é seu chefe. Grande sucesso na época, a série minava dinâmicas de trabalho e pressões contemporâneas para criar de tudo: tensão romântica, conflito dramático, humor observacional.

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Talvez por isso Park mostre ter um olhar tão afiado para essas mesmas dinâmicas já nos primeiros episódios de Hong, a Infiltrada, a mais nova série a levar sua assinatura. Claro que aqui muda a ambientação e, de certa forma, mudam os problemas: a trama se passa no final dos anos 1990, quando uma multinacional corrupta entra na mira de uma obstinada inspetora financeira (Park Shin-hye, de Médicos em Colapso). Ela percebe, no entanto, que terá que se disfarçar como estagiária da tal empresa para reunir as provas de que precisa.

O bom humor da série vem dos marcadores de época – Park e sua equipe salpicam Hong de grandes hits da música sul-coreana do final dos anos 1990, além de resgatar tendências de moda, decoração, beleza e comportamento  –, mas também é daí que ela tira a sua contundência temática. Cercada por um “clube do bolinha” pueril no seu trabalho de verdade, a protagonista encontra sororidade no emprego de mentira, e descobre que determinados procedimentos de opressão não mudam, independente da posição que você ocupa, ou da natureza do escritório em que você trabalha.

O texto de Moon Hyun-kyung (Dentro do Ringue) não é especialmente profundo na maneira como entrelaça os personagens ao redor dessa ideia, mas a direção consegue elevá-lo ao criar um mundo onde tais reflexões estão mais evidentes. Park toma cuidado notável com as posições de seus personagens em cena, tratando de estabelecer uma hierarquia rígida entre eles e comunicar o que está ao alcance de cada um. E essa hierarquia, por sua vez, serve bem ao lado mais interessante do k-drama: o thriller corporativo.

É verdade, Hong, a Infiltrada flui melhor quando está caminhando pelos corredores do poder e do dinheiro, articulando os mocinhos e vilões de sua história de corrupção empresarial, do que quando se concentra na história de peixe fora d’água vivida pela personagem título em sua nova missão. O charme da reconstituição de época, no fim das contas, é mais passageiro do que o interesse pelos estratagemas sujos engendrados por cada um dos funcionários da nefasta Hanmin Investment & Securities – e, até por isso, o excelente elenco coadjuvante chega a eclipsar a celebrada protagonista da série nesses primeiros capítulos.

De qualquer forma, há tempo para Hong, a Infiltrada convencer o público da sua eficiência como narrativa completa. Desenvoltura narrativa e esmero técnico é o que não falta.

*Hong, a Infiltrada está disponível para streaming na Netflix. Os próximos capítulos serão lançados semanalmente, aos sábados e domingos.

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