Gaho: “Sinto que o encontro entre Brasil e Coreia estava destinado a acontecer”
Cantor fala de sucesso com trilhas de k-dramas e muito mais em entrevista ao Omelete
Créditos da imagem: Gaho (Reprodução/Instagram)
Esta entrevista faz parte da KOREA WEEK, semana especial de conteúdo sul-coreano (k-drama, k-pop e mais!) em todas as plataformas do Omelete. Fique de olho na nossa seção KOREA para acompanhar tudo.
Gaho é uma das vozes mais familiares do planeta – ao menos, para quem é fã de k-drama. Desde 2018, o cantor (que concilia a carreira solo com a banda KAVE) tem trabalhado duro para se tornar a primeira escolha quando se trata da OSTs, acrônimo de original soundtracks, como são conhecidas as canções lançadas especialmente para promover as séries sul-coreanas.
O resultado é uma sequência respeitável de hits: “Start Over” (de Itaewon Class), “Running” (de Apostando Alto), “Yellow Light” (de Sorriso Real), “Not Over” (de A Última Imperatriz), e por aí vai. E, se a voz supersônica de Gaho é perfeita para marcar romance e superação nas telinhas, ela também conquista fãs para o seu trabalho autoral, como deixam claros os números de “Stay Here” e “Then”, por exemplo.
“Os fãs brasileiros sempre foram as pessoas que mais me enviaram mensagens, então eu já sabia bem do carinho de vocês”, comenta ele em entrevista ao Omelete, pouco antes de começar uma turnê de oito datas pelo país. “Sinto que esse era um encontro [entre Brasil e Coreia] destinado a acontecer. Brasileiros e coreanos têm muito em comum, mas no passado a distância tornava esse encontro difícil”.
A seguir, confira o papo completo do Omelete com o artista, que discutiu os bastidores de suas OSTs mais famosas, o lançamento do seu single mais recente (“To Mars”), a participação no Festival de Cultura Coreana, em São Paulo (SP), e muito mais.
OMELETE: Olá, Gaho, e bem-vindo ao Brasil!
GAHO: Obrigado!
OMELETE: Esta é a sua primeira vez aqui. Quais são suas expectativas para esta turnê? Você ouviu algo sobre o público brasileiro de seus colegas da indústria?
GAHO: Para começar, quase não tenho amigos ou conhecidos ao meu redor que tenham feito turnê no Brasil, então não tive a chance de ouvir relatos através deles. Mas os fãs brasileiros sempre foram as pessoas que mais me enviaram mensagens, então eu já sabia bem do carinho de vocês. Na verdade, já faz muito tempo que decidi que este ano deveria, sem falta, realizar uma turnê no Brasil, e vinha me preparando na Coreia para isso. Foi assim que acabei vindo para esta turnê, e acredito que será a mais longa que já fiz.
OMELETE: Sua primeira parada aqui no Brasil foi participar do Festival da Cultura Coreana, onde realizou dois shows gratuitos. Como foi essa experiência? Isso te energizou para o restante da turnê?
GAHO: Senti que foi muito bom começar por esses dois shows gratuitos no Festival. Enquanto meus shows solo são para pessoas que compram ingressos e que já gostam muito de mim, este festival foi uma oportunidade para quem ainda não me conhecia me ver. Antes de começar a turnê propriamente dita, foi um palco excelente para me apresentar aos fãs brasileiros e ao público em geral. Por isso, se eu voltar ao Brasil, além de eventos relacionados à cultura coreana, fiquei com muita vontade de participar de diversos festivais que acontecem aqui dentro do país.
OMELETE: Seu single mais recente é “To Mars”, que também batiza esta turnê. O que esta música significa para você, e o que você quer mostrar ao público com ela?
GAHO: Como eu falei antes, meu objetivo este ano era planejar uma turnê no Brasil, para ir diretamente ao encontro dos fãs que me apoiaram até agora. Como parte disso, lancei a música “To Mars” e decidi que a turnê deveria levar esse nome. O motivo é que “To Mars” é uma 'fan-song', uma música feita para transmitir meus sentimentos aos fãs. Por isso, este é o nome da turnê no Brasil. O significado maior é justamente esse: eu indo pessoalmente ao encontro dos fãs, mesmo que eles estejam longe.
OMELETE: O seu som é muito baseado em influências do rock, além das baladas ao piano que realmente mostram a potência da sua voz. Você sente vontade de explorar outros gêneros no futuro? O que podemos esperar dos próximos álbuns?
GAHO: Em termos de gênero, eu faço rock com a minha banda KAVE e, como artista solo faço baladas, trilhas sonoras e várias outras coisas. Ainda não estou pensando em mostrar um gênero totalmente novo aos fãs; no momento, estou refletindo muito sobre como elevar a qualidade dos gêneros que já apresentei. Acredito que mostrarei uma versão mais evoluída dos estilos que vocês já conhecem.
OMELETE: Sua música “Start Over”, da trilha sonora do k-drama Itaewon Class, é um grande hit aqui no Brasil. Você pode falar um pouco de como essa canção foi criada, e o que ela significa para a sua carreira?
GAHO: Pensei bastante sobre isso desde que cheguei ao Brasil. A meu ver, o motivo desse sucesso foi porque todos estavam passando por um momento difícil na época. Era o período da pandemia de COVID-19, o mundo inteiro estava sofrendo – eu incluso. Por causa da pandemia, por outro lado, as pessoas acabaram tendo mais tempo para assistir à Netflix e muitos descobriram os dramas coreanos. Não posso dizer que foi 'graças' à COVID, pois não quero associar isso a algo positivo, mas acho que naquele momento as pessoas buscaram uma música que lhes desse força, e essa música acabou sendo “Start Over”. Eu mesmo ganhei muita força por causa dessa canção, então recebi o mesmo impacto positivo que o público recebeu.
OMELETE: Tenho muita curiosidade, também, sobre o processo de gravar OSTs como um todo. Como acontece o convite? Você consegue assistir à série antes de compor e gravar?
GAHO: Nas trilhas sonoras, foco muito em como colocar energia na minha voz. Geralmente, o processo acontece quando o roteiro e as imagens das atuações dos atores já estão disponíveis. Em Itaewon Class, por exemplo, essa música tocava muito quando o ator Park Seo-joon estava correndo ou superando algum obstáculo. Eu precisava visualizar as expressões e o movimento dele correndo para maximizar aquele sentimento na música. Por isso, ver a atuação deles é fundamental. Pessoalmente, nunca conheci o Park Seo-joon, mas os atores acabam me dando muita inspiração.
OMELETE: Você está se aproximando de dez anos de carreira – e, como mencionou, a sua música agora é popular no mundo inteiro, incluindo no Brasil. Como você vê essa expansão internacional do k-pop?
GAHO: Quando estou na Coreia, o Brasil parece muito distante – mas, ao chegar aqui, percebo que somos todos pessoas. Mesmo que não falemos a mesma língua, sinto que todos são pessoas boas, que podem ser amigas. Sinto que me beneficiei muito da era das redes sociais e dos smartphones, onde podemos conferir tudo e ter experiências culturais indiretas. Sou muito grato pelo fato de as pessoas verem os artistas sul-coreanos de uma forma positiva, e sinto que esse era um encontro [entre Brasil e Coreia] destinado a acontecer. Brasileiros e coreanos têm muito em comum, mas a distância tornava esse encontro difícil. Não acho que as pessoas gostem de mim por eu ser alguém especial, mas sim porque, conforme nos aproximamos, percebemos que temos muito em comum.
OMELETE: Obrigado, Gaho! E tenha uma ótima turnê.
GAHO: Obrigado!
*Gaho faz shows em São Paulo (22/08), São Luís (23/08), Belém (28/08), Fortaleza (30/08), Salvador (01/09), Florianópolis (03/09), Porto Alegre (04/09) e Curitiba (05/09), com produção de K-Beat Entertainment. Ingressos neste link.
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