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Artigo

De Repente Humana ganha pontos com história simples de conflito de classes

K-drama da Netflix não reinventa a roda, e nem precisa fazer isso para funcionar

Omelete
3 min de leitura
20.01.2026, às 19H00.
Cena de De Repente Humana (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de De Repente Humana (Reprodução)

Há um contraste bastante óbvio – e, por isso mesmo, interessante – entre as cenas de De Repente Humana focadas em cada um de seus protagonistas: Eun-ho (Kim Hye-yoon, de Adorável Corredora) é uma gumiho, a raposa de nove caudas do folclore sul-coreano, vivendo uma vida de luxo e lazer ao conceder desejos àqueles que conseguem pagar; e Si-yeol (Lomon, de All of Us Are Dead) é um jovem e promissor jogador de futebol, que faz bico como entregador de comida para pode pagar pelos seus treinos sem incomodar a avó, catadora de lixo, que o criou num subúrbio de Seul.

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Ela, rica; ele, pobre. Ela, descarada e displicente; ele, humilde e aplicado. Ela, desfilando por um mundo de fantasia que se entrelaça aos corredores reais do poder e do dinheiro de maneiras perturbadoras; ele, caminhando a penas duras por ladeiras mal asfaltadas e becos escuros, tendo que enfrentar um mundo que dá todas as vantagens que ele deveria ter para o amigo Woo-seok (Jang Dong-joo), filho de família influente e afluente. Não só é uma história de opostos extremos que se veem unidos pelas circunstâncias, como também uma baita oportunidade para o diretor Kim Jung-kwon (Maestra: Cordas da Verdade) mostrar elasticidade.

É o que ele de fato faz, ao menos nos primeiros episódios. O mais bacana de De Repente Humana, até agora, é ver como a série mantém os pés firmes no chão ao abordar as dificuldades enfrentadas por Si-yeol, pintando um retrato claustrofóbico e difícil da vida na metrópole sul-coreana; e, muitas vezes logo na cena seguinte, adota para si o tom excêntrico que um k-drama de fantasia como ele deveria ter, ainda que limitado pelas amarras do seu orçamento. De Repente Humana está mais para série de super-heróis da CW do que para Gênio dos Desejos ou Bon Appétit, Vossa Majestade, para citar superproduções recentes saídas da TV coreana – e está tudo bem!

No fundo, o exercício estético aqui é o de encontrar o charme específico dessas produções de “meio de campo”, que precisam manter certa consciência orçamentária enquanto atendem a ambições… elevadas, por assim dizer. E o fato é que não só o diretor Kim faz um bom trabalho nesse sentido, como também mandam bem os roteiristas Park Chan-young e Jo Ah-young (O Melhor Frango), concentrados em criar um embate retórico interessante entre as classes representadas no seu texto. De Repente Humana convence, para além de história de fantasia ou melodrama realista, como mais uma narrativa sul-coreana que confronta o abismo de oportunidades, consequências e interesses entre os estratos sociais do país.

Com dois jovens protagonistas que aparecem soltinhos diante das câmeras, a série da Netflix flui com naturalidade nesses primeiros capítulos, sem deixar que drama atropele comédia, nem fantasia atropele realidade. É uma receita carismática e relevante, que vai ganhar fãs com facilidade no passar das semanas.

*De Repente Humana já está disponível para streaming na Netflix. Os próximos capítulos serão lançados semanalmente, às sextas-feiras e sábados.

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