Com comeback na Netflix, BTS se confirma como a essência do pop moderno
Transmissão do primeiro show da era ARIRANG no streaming marca grande momento para o k-pop
Créditos da imagem: BTS Arirang Live, na Netflix (Reprodução)
A onda de k-pop que tomou conta do mundo na última década não tem somente uma origem, mas os caminhos dela definitivamente passam pelo BTS. O grupo formado por RM, Jin, Suga, j-hope, Jimin, V e Jung Kook é um dos, se não o principal, responsável pela popularidade do gênero (e da própria cultura sul-coreana) em escala global. E mesmo que as bolhas da internet permitam que milhões de pessoas não saibam de certos fenômenos ou verdades, desconhecer k-pop ou BTS hoje é quase impossível.
Acontece que, devido ao alistamento militar obrigatório na Coreia do Sul, os sete jovens passaram por um hiato que terminou nesta semana, quando foi anunciado o álbum ARIRANG, que será seguido por uma turnê mundial, iniciado por um show para marcar a volta aos holofotes. O evento foi transmitido neste sábado (21) pela Netflix e constantemente vendido como “a volta da década”. Não é difícil imaginar os motivos para tal expressão, já que mais de 100 mil pessoas se reuniram na histórica praça Gwanghwamun, em Seul, para assistir uma performance que reflete exatamente o talento e magnetismo que fez o grupo ser o símbolo de todo um movimento cultural.
A apresentação misturou sucessos do passado, como "Dynamite" e "Mic Drop", com músicas do novo álbum, com destaque para o bom single "Swim" e a ótima "Hooligan". Ainda que tenha sido curto, com pouco mais de uma hora, todo o concerto trouxe um nível de produção e narrativa que justifica o tamanho da atenção que o comeback ganhou. A abertura, que deixou como pano de fundo o palácio de Gyeongbok, trouxe tradicionais artistas coreanos recebendo o BTS numa espécie de ritual de passagem, como se, para voltar ao mundo pop, os jovens tivessem que receber a bênção do próprio povo.
Essa fidelidade à cultura local e a constante conversa com movimentos ocidentais, seja moda, música, cinema ou internet, foi muito do que fez a Coreia do Sul se tornar um pilar do comportamento cultural moderno - e ter o comeback transmitido pela Netflix, com duração curta, um documentário atrelado e uma massiva cobertura em redes sociais pelo mundo inteiro, reafirma como o BTS está muito distante de ser um fenômeno passageiro.
A naturalidade com que desfilam pelo palco, conversam com o público e performam linha a linha das canções - com personalidades muito específicas que (tal qual outras boy bands, desde sempre) refletem no visual, timbre e atitude - cria uma espécie de aura em torno deles difícil de ignorar. As danças não são espalhafatosas, mas coordenadas de forma quase contemplativa, assim como o cenário do hipnotizante palco minimalista e o figurino todo preto - uma combinação que passa a sobriedade consciente do momento que estão vivendo.
Essa volta comprova que o BTS é a essência do pop moderno. Multicultural, respeitoso à própria origem, inclusivo e, agora, pronto para um amadurecimento digno de um fenômeno que vai marcar toda uma era. Hoje, a impressão que dá ao testemunhar Comeback Live por meio do streaming é que o auge deles, e do próprio k-pop, ainda está por vir.
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