Jungkook, Le Sserafim e aespa (Reprodução)

Créditos da imagem: Jungkook, Le Sserafim e aespa (Reprodução)

Música

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Os 10 melhores álbuns de k-pop de 2023

aespa, Le Sserafim, Jungkook e mais entraram no ranking do Omelete

Omelete
1 min de leitura
22.12.2023, às 12H36
ATUALIZADA EM 08.01.2024, ÀS 09H30
ATUALIZADA EM 08.01.2024, ÀS 09H30

Mais um ano no ciclo de renovação do k-pop - em 2023, a incansavelmente eclética e eternamente produtiva indústria musical sul-coreana tratou de estabelecer alguns de seus grupos mais promissores como máquinas de hits sólidas, nos introduziu a algumas novidades igualmente excitantes e… bom, nos deu muito mais de quase tudo que a gente podia querer.

A seleção abaixo reflete bem essa vitória pela variedade, pelo cansaço, que o sempre inovador k-pop nos proporcionou em 2023. Da investida solo de um membro do BTS ao álbum que transformou o Le Sserafim na força criativa mais incontestável do pop global nos últimos 12 meses, passando por algumas pérolas subestimadas e veteranos irrepreensíveis, o Omelete selecionou o que ficou na crista da hallyu este ano.

10. Golden - Jungkook

A estreia solo do Golden Maknae do BTS criou uma expectativa imensa entre os fãs e a indústria, e Jungkook mostrou para todo mundo que a espera valeria a pena com o lançamento de “Seven”, o debut single e primeiro gostinho do álbum que viria. A colaboração com Latto é ao mesmo tempo inesperada pelo contexto mais sensual e precisa em demonstrar as inclinações artísticas de JK em sua jornada solo, com inspirações voltadas ao pop ocidental. A verdade é que, desde o videoclipe até as batidas, a canção está impregnada com a identidade do artista, que é explorada por vários ângulos no álbum Golden

Com suas canções integralmente em inglês - escolha controversa entre alguns fãs -, o trabalho inclui os singles “3D” (parceria com Jack Harlow) e “Standing Next to You”, ambas sonoramente interessantes e com coreografias que mostram o talento de dançarino de Jungkook. Porém, no “lado B” do álbum, com canções mais melodiosas, é que o trabalho se solidifica como um conjunto de qualidade plural e garante lugar cativo em nossas playlists - “Yes or No”, “Too Sad To Dance” e “Shot Glass of Tears” provam isso.

Ouça completo. (Letícia)

9. The Future is Ours: Lost - AB6IX

Quando chega a marca dos 3 minutos de “Loser”, single principal do álbum The Future is Ours: Lost, a canção quebra a linha de sintetizadores limpíssima que tem empregado até então para cair em um dance break rasgado e sujo, que se estende um pouco até desaguar em uma última repetição do refrão. Isso em um momento cultural em que a regra na música pop é lançar canções de pouco mais de 2 minutos e meio, para maximizar o potencial viral em plataformas de streaming e no TikTok. O disco mais recente do AB6IX está cheio dessas pequenas escolhas ousadas, que o fazem quietamente especial dentro do contexto em que foi produzido.

Olhe para “Eden”, outra ótima canção do álbum: com as suas viradas de guitarra, o seu uso ubíquo de instrumentos de sopro, sua melodia excêntrica que usa e abusa dos timbres versáteis de Woong e Daehwi, e seus mais de 4 minutos de duração (!!!), ela é um deleite dançante saído diretamente dos anos 1990. Mas Lost não é um álbum antiquado, exatamente - o hip hop raivoso de “Blaze”, o R&B suave de “Reality” e o pop-soul ao violão redondinho de “Sucker” (turbinado por backing vocals robustos e pianinhos, outra constante inesperada do disco), ele é mais uma subversão do contemporâneo do que um flashback franco. E é uma subversão muito bem-vinda. 

Ouça completo. (Caio)

8. Good & Great - Key

Que o SHINee e qualquer um de seus integrantes têm cacife para fazer house music ninguém contesta, eu espero - afinal, eles são o grupo que fez “View” -, mas ainda assim a absoluta excelência da canção-título de Good & Great, solo de Key, salta aos ouvidos. E ela está nos detalhes: fazer o baixo sintetizado e a batida 4/4 incessante é fácil, mas acertar nos toques de teclado que acompanham o instrumental ou na intervenção de backing vocals agudíssimos é um trabalho mais fino. Curioso, aliás, colocar dessa forma, porque Good & Great, como um todo, é definido por pura finesse.

Olhe para como “Can’t Say Goodbye” (a favorita absoluta do disco) brilha com seu violão que se desdobra em um milhão de instrumentações bem escolhidas - atenção para o sintetizador rasgado antes do segundo refrão, que depois vira trompete. Olhe para como o autotune de “Intoxicating” é dosado perfeitamente para realçar, e não desfigurar, a melodia etérea da canção. E olhe para a forma como o timbre absurdamente carismático de Key salta por cima de cada um dos instrumentais do álbum, nos contando histórias bem condensadas de pura ressonância pop. É o trabalho de um mestre - e, embora não atinja as alturas de Bad Love (mas o que atinge?), ainda é um dos melhores do ano.

Ouça completo. (Caio)

7. Dark Blood - Enhypen

O catálogo de grupos sob a gerência da Hybe Entertainment está tão recheado de sucessos que por vezes alguns deles podem passar batido - o que não aconteceu com o Enhypen este ano. O septeto coleciona boas músicas em sua discografia, mas o lançamento de “Bite Me” definitivamente colocou os meninos de volta no hall de hits do kpop. O single dominou as redes sociais e os edits de fãs durante 2023, e não é por acaso: com ótimos vocais e uma batida gostosa de ouvir no repeat, a canção encapsula o clima mais sombrio, com um toque sexy, que paira em torno de Dark Blood

As seis canções que compõem o trabalho transmitem bem um sentimento de rebeldia de jovens adultos e marcam uma fase mais madura no trabalho do grupo. Ao mesmo tempo, elas exploram elementos da música eletrônica, do pop e do rock num combo perfeito para qualquer playlist de festa. A pérola no álbum é “Bills”, canção que os próprios artistas revelaram ser sua favorita e cujo refrão devia ser uma das maravilhas da humanidade. 

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6. Phantasy - The Boyz

Em “Passion Fruit”, a canção pop (com ou sem o k-) mais irresistível de 2023, os rapazes do The Boyz se declaram para uma amante que os capturou em seu balanço”. Bom, pessoal, olhem-se no espelho! Ouvir o Phantasy, álbum que o grupo lançou em duas partes durante o segundo semestre do ano, é se ver enredado em um balanço inescapável, que dura dos primeiros segundos de “Lip Gloss”, marcado pelo baixo funkeado, até os últimos momentos de “Escape”, que não dá folga com o seu refrão romântico entoado em falsete etéreo pelos vocalistas. 

Na parte 2 do disco, “Honey” oscila com muito estilo entre versos sensuais entoados em quase-rap e um pré-refrão tão doce quanto o mel que batiza a canção. Na parte 1, “Fire Eyes” aposta em um synthwave descontraído, em uma percussão cheia de palminhas e estalos, esparramando-se por cima de uma batida só um pouquinho mais rápida do que deveria ser. A sensação que fica, enfim, é que o Phantasy é o álbum que o The Boyz nasceu, lá em 2017, para fazer. Não há folga, não há balada, não há passo em falso - tudo aqui é um só sonho febril de boa música pop.

Ouça completo - parte 1 e parte 2. (Caio)

5. FML - Seventeen

Ano após ano, o Seventeen prova que o seu auge está longe de ter ficado no passado. Depois do incrível Face The Sun, a espera por seu sucessor era grande, e o FML não apenas fez jus às expectativas como conquistou o título de Álbum do Ano na premiação mais importante da música asiática, o MAMA Awards. O combo de diversidade sonora e performances poderosas faz desse projeto um marco na trajetória do grupo, e músicas como “Super” já nascem como clássicas dentro e fora do fandom (do MV às performances ao vivo, a canção é um espetáculo à parte).

A faixa que dá nome ao álbum, “F*ck My Life”, é exatamente o oposto do que o título sugere e traz a combinação de uma melodia relaxante com versos cheios de significado. “Fire”, canção da hip hop unit, conquista pelo carisma (a versão apresentada na turnê que o diga!), e “I Don’t Understand But I Luv U” é provavelmente a melhor performance vocal que a unit formada por The8, Jun, Dino e Hoshi já entregou. “Dust” e “April Shower” fecham o disco com clima contagiante, reafirmando o lugar do Seventeen entre os maiores nomes do gênero e com muito mais para mostrar pela frente. 

Ouça completo. (Letícia)

4. I’ve IVE - IVE

No meio de tantos acertos espetaculares que o IVE coleciona durante sua ainda curta carreira, é difícil de explicar porque “Lips”, b-side do álbum I’ve IVE, é minha canção favorita de toda a discografia do grupo até hoje. Acontece que a canção encarna como nenhuma outra o que o grupo da Starship faz melhor do que a concorrência: pop limpo, preciso, predicado justamente na dominação do dilema complicado entre ter personalidade o bastante para não ser entediante, e ser convencional o bastante para soar familiar aos ouvidos. Em “Lips”, isso se traduz em um número de R&B de batida simples, mas cheio de viradas inesperadas, preenchido por sintetizadores etéreos, mas também pelos corais de canção de ninar que complementam o refrão.

Outras canções do I’ve IVE repetem esse toma lá dá cá tremendamente sábio: a sugestiva e sussurrada “Heroine” se equilibra com a batida abafada de techno acelerado popularizada no k-pop pelo NewJeans; a agressividade melódica e lírica do single “I AM” vem de mãos dadas com sintetizadores de eurodance e um clipe tão arquetipicamente nonsense para o k-pop que chega a ser paródico; e quando “Hypnosis” vai mais longe com seu baixo acústico e seu refrão circular, “Not Your Girl” vem logo depois com um bubblegum pop açucaradíssimo que é o completo oposto da antecessora. Enfim, na altura em que chegamos ao soco duplo de Kylie Minogue na era Body Language (“Cherish”) e power ballad (“Shine with Me”) que fecha o I’ve IVE, o fã de boa música pop já está vendido.

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3. Exist - EXO

O EXO é o grupo mais antigo dessa lista (entre os solistas, Key estreou com o SHINee alguns anos antes), mas a vitalidade do Exist é incontestável desde os primeiros acordes de “Cream Soda”, que abre o álbum. Com o seu violão improvável que deságua em uma batida sensual, a canção dá suporte para os agudos estratosféricos incomparáveis de Baekhyun - ou talvez seja o talento do vocalista que dê suporte para a própria existência da canção no formato em que está? De qualquer forma, é um dos números mais climáticos e apoteóticos do k-pop deste ano.

É um testamento à qualidade do álbum que ele continue no mesmo ritmo depois disso, e ainda abra espaço para a versatilidade do EXO dentro do R&B. Pérolas rápidas como “Regret It” (com seus sintetizadores rasgados) e “Cinderella” (a melhor melodia do disco) funcionam tão bem quanto as fantasias românticas estendidas de “Hear Me Out” (atenção para a guitarrinha à la Nile Rodgers) e “No Makeup” (obra-prima de harmonização, para variar), que por sua vez só destacam a densidade abafada da experimental “Let Me In”. Um tratado em sensualidade e emoção dentro de uma indústria que dá cada vez menos espaço para as duas coisas.

Ouça completo. (Caio)

2. My World - aespa

O aespa não passa despercebido em meio a indústria musical, e o álbum lançado no primeiro semestre de 2023 é a prova de que tal efeito não é temporário. Com seis músicas, todas elas acima de três minutos de duração, My World tem todo o carisma que a união de Giselle, Winter, Karina e Ning Ning é capaz de proporcionar: ótimos vocais no pop que a gente ama com alguns twists inesperados. O single “Spicy” foi hit instantâneo e traz o suprassumo do gênero com a personalidade cheia de atitude do grupo, dando o tom do álbum, que é marcado por pequenos e inesperados toques de tempero. 

“Welcome To MY World” é uma baladinha melodiosa que dá espaço para instrumentais bem interessantes, vibe que retorna no pop com inspirações à la Ariana Grande de “Thirsty”. “Salty and Sweet” vem logo após o lead single com uma pegada mais rebelde e pesada, trazendo sons experimentais e mais rap, na mesma toada da ótima e inesperada “I’m Unhappy”. “Till We Meet Again” é uma faixa fofa para fechar o álbum e deixar o coração do fã feliz, demonstrando que as meninas são boas em levar o público direto para o mundo delas. 

Ouça completo. (Letícia)

1. Unforgiven - Le Sserafim

Que ano para Le Sserafim! Após um começo conturbado na carreira, o quinteto formado por Sakura, Yunjin, Chaewon, Kazuha e Eunchae deixou as polêmicas para trás do melhor jeito possível: com muita música boa. Na contramão de vários outros grupos, ao mesmo tempo em que coletam aqui e ali tendências do momento, as garotas inauguraram a nova era com os dois pés na porta ao lançar “Unforgiven”, faixa título do álbum que tem todos os componentes de um hino do pop, da melodia única proveniente de parceria com Nile Rodgers até a letra com mensagem potente. 

E esse não foi o único single que hitou no projeto - na verdade, o grande viral (e uma surpresa sonoramente muito positiva) foi “Eve, Psyche and the Bluebeard Wife”. O álbum também inclui dois êxitos já conhecidos do grupo, “ANTIFRAGILE” e “Fearless”, coroando a setlist pelo sucesso comercial, pluralidade musical e inovação artística. Que sorte nós, FEARNOT, temos!

Ouça completo. (Letícia)

Top 10 do Caio

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  1. Phantasy - The Boyz
  2. Unforgiven - Le Sserafim
  3. Good & Great - Key
  4. The Future is Ours: Lost - AB6IX
  5. Golden Age - NCT (ouça)
  6. Exist - EXO
  7. The Piece of 9 - SF9 (ouça)
  8. My World - aespa
  9. The Name Chapter: Freefall - Tomorrow X Together (ouça)
  10. I’ve IVE - IVE

Menções honrosas:

  • Guilty - Taemin (ouça)
  • Version Up - Odd Eye Circle (ouça)

Top 10 da Letícia

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  1. FML - Seventeen
  2. Unforgiven - Le Sserafim
  3. Dark Blood - Enhypen
  4. My World - aespa
  5. Golden - Jungkook
  6. 5-Star - Stray Kids (ouça)
  7. Exist - EXO
  8. I’ve IVE - IVE
  9. D-Day - Agust D (ouça)
  10. Ready to Be - Twice (ouça)

Menções honrosas:

Ouça a playlist do ano - uma música de cada álbum!

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