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Por que a Marvel (ainda) não pensa em fazer um filme solo do Hulk

Estúdio lida com divisão de direitos e históricos dos longas do personagem

Camila Sousa
13.06.2018
14h36
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

A Marvel começou seu Universo Cinematográfico em 2008 com o lançamento do primeiro filme do Homem de Ferro. O que muitos não lembram é que, no mesmo ano, a Universal lançou O Incrível Hulk, filme que tinha Edward Norton no papel principal e uma cena pós-créditos com Tony Stark e o General Ross.

O personagem retornou com Mark Ruffalo em Os Vingadores (2012) e se tornou um dos mais populares do estúdio - vide a repercussão de Thor: Ragnarok com o público. Mas então por qual motivo a Marvel não investe em um novo filme solo de um personagem tão querido? A resposta tem relação com os complicados direitos do estúdio e o próprio desempenho solo do herói nos cinemas.

A Marvel estava prestes a falir quando vendeu os direitos de seus personagens mais conhecidos (X-Men, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, etc.). Na época, era um movimento inteligente para manter a empresa funcionando e estabilizá-la para negócios futuros. Porém, as negociações foram complicadas e os personagens acabaram divididos entre estúdios e contratos.

Os direitos do Hulk ficaram com a Universal Pictures, que conseguiu a permissão para produzir e distribuir os longas do personagem. Para quem não sabe, os dois direitos são distintos e podem pertencer a estúdios diferentes. Assim, em 2003, a Universal lançou e distribuiu Hulk, estrelado por Eric Bana e Jennifer Connelly e dirigido por Ang Lee. Na época, os efeitos visuais e a história não agradaram muito os fãs do Gigante Esmeralda e o longa, que teve orçamento de US$ 137 milhões, faturou apenas US$ 245 milhões no mundo.

Com a Marvel mais estável, os direitos de produção do Hulk voltaram para casa, mas a distribuição (que inclui negociações com cinemas, decisão da data de estreia do filme e formato de lançamento) continuou com a Universal. Isso não foi um problema para a Marvel na época e, dentro desse acordo, as duas empresas lançaram O Incrível Hulk em 2008. Com um clima mais sério e uma linguagem visual próxima aos quadrinhos, o filme teve críticas positivas, mas o desempenho financeiro não cresceu: com orçamento de US$ 150 milhões, o filme fez US$ 263 milhões no total.

Entre 2008 e 2012, quando o personagem voltou às telas, duas mudanças importantes aconteceram e definiram a situação atual do Hulk. Primeiro, Edward Norton decidiu deixar a franquia, principalmente pelas exigências de agenda e dedicação da Marvel: “Meu sentimento é que tive a experiência que eu queria. Realmente gostei muito de fazer. Mas, mesmo assim, eu olhei para o balanço de tempo na vida que você passa fazendo não apenas esse tipo de filme, mas especialmente vários, e as obrigações que chegam com isso. Aconteceram várias coisas - eu queria mais diversidade. Meio que escolhi meu caminho em continuar tendo uma diversidade de experiências”, afirmou o ator na época. Além disso, o filme teve alguns problemas de bastidores com Norton, que rejeitou a primeira versão do roteiro e acabou reescrevendo boa parte do texto. A Marvel prometeu que filmaria sua versão, mas optou por um corte menor da história, sem cenas tão densas, como uma tentativa de suicídio de Bruce Banner, que mostraria como ele considerava o Hulk como uma maldição. O ator, que tinha uma promessa de controle criativo, ficou chateado com a situação.

Depois, em 2009, a Marvel foi comprada pela Disney, que assumiu a distribuição dos filmes. Para a empresa do Mickey, é pouco vantajoso produzir filmes sem conseguir distribuí-los e, principalmente, lucrar com isso. Embora os detalhes sejam misteriosos, o contrato da Universal tem poucas brechas, o que a deixa com controle total da distribuição. Atualmente, esse é o grande impasse para o longa do personagem, levando em consideração também seu histórico de bilheteria.

Mesmo com tudo isso, a Marvel ainda poderia tentar alguma negociação, mas o estúdio encontrou outra solução bem menos complicada: colocar um arco do Hulk dentro de outros longas, sem necessariamente fazer uma produção solo. Assim, Thor: Ragnarok começou uma história do personagem que continuou em Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores 4 - saiba mais. Já com esse plano em andamento, o filme do Deus do Trovão mostrou o personagem na versão gladiador e acrescentou personagens do arco Planeta Hulk, um dos favoritos dos fãs para ganhar uma adaptação.

Enquanto alguns espectadores podem considerar a decisão ruim, por enquanto ela funciona bem para a Marvel, que consegue aproveitar o personagem e contar sua história, além de ter seus produtos licenciados, sem precisar dividir os valores ganhos com a distribuição. Para os fãs, a vantagem é ter o Gigante Esmeralda em contato com outros personagens do estúdio, como foi mostrado em Guerra Infinita

Depois de Vingadores 4, a Marvel entrará em uma nova fase de Universo Cinematográfico e, nesse momento, é difícil dizer qual será o destino dos heróis protagonistas. Se a história desse Hulk de Mark Ruffalo for encerrada, há caminho para um reboot com um novo ator, e, apesar de todo o entrave, não seria uma grande surpresa se surgisse um acordo com a Universal para uma produção solo, desde que isso seja vantajoso para as duas partes.