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REVIEW - Linha Marvel Panini - mês um

REVIEW - Linha Marvel Panini - mês um

Érico Assis
13.02.2002
01h00
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40
Seção de cartas
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As seis revistas da nova Panini Comics já chegaram a todos pontos do Brasil – e o Omelete faz sua análise deste novo capítulo dos quadrinhos Marvel no país.

Para quem acaba de voltar da hibernação criogênica: a Panini, editora italiana que licencia publicações da Marvel Comics para todo o mundo, não renovou contrato com a Editora Abril e decidiu investir por si própria no mercado de quadrinhos brasileiros. Produzidas pelo estúdio da Mythos Editora, seis novas séries foram lançadas em janeiro: X-Men, Homem-Aranha, Paladinos Marvel, X-Men Extra, Marvel 2002 e Marvel Millenium.

As revistas têm 100 páginas, num formato bem grandinho (18,7 x 27,6 cm), e custam R$ 6,90. A única exceção é Millenium, com 52 páginas a R$ 4,50.

ANÁLISE GERAL

A Panini deu um show de lançamento, apesar de algumas imperfeições. Ponto por ponto, vamos às qualidades das novas revistas e às vantagens e desvantagens em relação ao formato Premium (até então utilizado pela Abril):

Dimensões: Lembro que quando comprei Marvel Século 21 no. 1 (Ed. Abril), em setembro, alguns amigos viram a revista e ficaram impressionados com a qualidade gráfica. “Os gibis estão assim agora, é&qt;&”. Poucos dias depois, a Abril estava comemorando o sucesso de vendas.

Ou seja: não é por acaso que a Panini utilizou o formato “criado” por Marvel Século 21 em toda sua linha. As revistas ganham maior visibilidade nas bancas, chamam atenção pelo tamanho. E são bonitas – as capas foram sabiamente escolhidas. Como um amigo disse, “dá vontade de folhar”.

Há alguns contras, de menor importância. Da mesma forma que o formatinho, antigamente, escondia imperfeições nos desenhos, este novo formato as amplia. O trabalho de ilustradores como John Romita Jr. (Homem-Aranha e Thor), Andy Kubert (Capitão América) e Kevin Maguire (X-Men Extra) parecem perder o detalhamento. Compensa muito, porém, ver a arte de Jae Lee (Quarteto Fantástico) ou Joe Quesada (Demolidor) nessas páginas grandes.

Formato: 100 páginas permitem quatro histórias por edição e, embora a Panini não pareça querer chegar ao limite (quatro séries contínuas em cada revista), não há tanto espaço para publicação de sagas fechadas como nas Premium.

Já defendi aqui que as editoras brasileiras deveriam aproveitar as diferenças de formato, em relação às publicações americanas, para dar privilégio a arcos de história fechados e menos “continua na próxima edição”. Histórias que duram três, quatro, cinco, seis edições mensais nas revistas de linha americanas deveriam sair aqui em uma única edição.

Por exemplo, eu e várias outras pessoas odiamos o “continua” na história do Quarteto Fantástico em Paladinos Marvel, que cria uma expectativa fascinante. Vamos ter de esperar mais três meses até o fim da história. E por que não aumentar o número de páginas de X-Men Extra (por uma edição, que seja) para abarcar toda saga “X-Men Eternamente”&qt;&

Conteúdo: Por obrigações de cronologia, e para não enfurecer os leitores com cortes de histórias, a Panini teve que dar continuidade ‘as séries do ponto em que a Editora Abril as deixou... e infelizmente essa não é uma das melhores fases dos quadrinhos Marvel.

A fase de Rob Liefeld em Wolverine, por exemplo, é uma das mais criticadas do herói – e está na primeira X-Men. O Capitão América de Dan Jurgens, os X-Men de Chris Claremont e o Homem-Aranha de Howard Mackie ficam logo atrás. Felizmente, parece que o Quarteto Fantástico de Claremont foi substituído pela mini-série Fantastic Four: 1 2 3 4.

A Panini já declarou (leia cobertura completa aqui) que quer chegar logo ao momento em que a ação conjunta de Joe Quesada e Bill Jemas revisou muitos dos títulos Marvel – a partir de 2001. Faltam poucos meses para a cronologia brasileira chegar a esse ponto.

Em se tratando de conteúdo, vale lembrar também as ótimas seções de notícias (bastante atualizadas e completas, mesmo que dispensáveis para quem segue as novidades pela Internet) e de cartas. Demonstram bastante interesse da Panini em oferecer “algo mais” aos leitores, e com excelente produção. Ponto positivíssimo.

PREÇO: Faça as contas e você vai descobrir que está pagando um pouco mais por página de revista em relação ao que pagava nas Premiuns. Se comprar todas as séries, esse pouco mais vira R$ 4,50 (R$ 34,50 das Premium/Abril + Marvel Século 21 contra R$ 39,00 da linha completa Marvel Panini). Porém, há de se considerar as novas dimensões e todo o conteúdo extra que as revistas ganharam. Tudo depende do seu gosto.

Eu gostei. E, além disso, considerando que a distribuição está computada no preço, não tenho de ficar esperando dois meses para comprar as revistas em relação aos leitores do Sudeste. Ok, houve alguns problemas de distribuição. A última revista de janeiro chegou aqui em 9 de fevereiro, mas essas dificuldades devem ser sanados em breve.

OUTROS: Há pequenos errinhos, quase merecedores de um “troféu cata-piolho”, que mostram uma falta de revisão nas edições: na história do Quarteto Fantástico em Paladinos Marvel, logo nas primeiras páginas, um balão não foi traduzido e está mal apagado. Na propaganda de Paladinos, é dito que Mark Waid escreve as histórias do Hulk, quando na verdade o escritor é Paul Jenkins. A mesma coisa volta nos checklists: Howard Mackie está no lugar de David Mack como roteirista do Demolidor. Erros como estes aconteciam com pouquíssima freqüência nas edição da Abril.

Notei também que revistas como Paladinos Marvel e Marvel 2002 parecem estar sem identidade. Eu não saberia recomendar uma das revistas a um amigo que queira ler histórias com melhor qualidade de roteiro e desenhos. Fazer Demolidor trocar de lugar com Capitão América talvez resolvesse a questão, deixando os heróis clássicos em Marvel 2002 e as séries melhor produzidas, geralmente representadas pela linha americana Marvel Knights, em Paladinos.

Como coloquei no início, a Marvel Panini fez um ótimo show de apresentação, com alguns pontos negativos superados por diversos pontos positivos. Espero que a editora corrija facilmente seus pequenos erros, e faça o mais difícil: continuar com a qualidade que apresentou nas primeiras edições.

Caso contrário, há uma legião de leitores prontos para exigir que façam.

Gostaria de agradecer aos colaboradores de várias listas brasileiras de discussão de quadrinhos, e a diversos outros amigos, por ajudar a formar as opiniões que expressei aqui. Acredito que assim consegui colocar um review mais realista e, por isso, representativo.

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