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Panini Comics Brasil - Estratégias e objetivos

Panini Comics Brasil - Estratégias e objetivos

Érico Borgo
08.02.2002
01h00
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

Aconteceu recentemente a primeira coletiva de imprensa da Panini Comics a fim de anunciar seus planos para o mercado brasileiro. Estiveram presentes José Eduardo Martins, presidente da empresa no Brasil; Helcio de Carvalho, sócio-diretor da Mythos Editora; e Fernando Lopes, editor da linha Marvel da Panini.

Em duas horas de papo, os três responderam perguntas e trocaram idéias com os jornalistas presentes. Confira agora os principais momentos da discussão.

Sobre a Panini

A multinacional Panini está presente em 100 países e publica em cerca de 50 idiomas diferentes. É a responsável pelo licenciamento da Marvel Comics para todo o planeta, exceto os Estados Unidos e o Canadá. Além dos quadrinhos, suas outras áreas de atuação incluem colecionáveis (figurinhas e cards), publicações (setor no qual os quadrinhos são a prioridade), distribuição e new media (digitalização de campeonatos de futebol, análise e distribuição para clubes, informativos etc). Para se ter idéia de sua abrangência, a editora publica, ao mesmo tempo, o álbum de figurinhas do campeonato de futebol da Palestina e o de Israel.

No Brasil, a Panini está presente desde 1989, quando a Editora Abril convidou a empresa para entrar no país como sua sócia. Em 1994, na Europa, a Marvel Italia comprou a Panini. A estratégia visava melhorar a receptividade da marca Marvel, atrelando-a ao conhecido nome da empresa italiana. Um ano depois, em 1995, a Panini recomprou as ações que estavam em poder da Abril. O Brasil, então, tornou-se o centro de distribuição de seus para a América Latina. Como parte do acordo de dissolução da sociedade, a Panini comprometeu-se a não atuar no mercado de quadrinhos e a Abril, a não editar figurinhas.

Por volta dessa época, as editoras licenciadas da Marvel em toda a Europa deixaram de renovar seus contratos de publicação. Como resultado, a Panini assumiu os títulos deixados de lado e criou, na Itália o departamento editorial Marvel. É esse orgão que controla os títulos de cada país.

Em dezembro do ano passado, a Panini finalmente assumiu a publicação da Marvel no Brasil, após discordâncias com a Editora Abril.

Panini Comics Brasil

Acredito que duas frases sejam o bastante para resumir o sentimento geral da conversa com os representantes da Panini: "Esperamos beneficiar o leitor porque temos tesão por Marvel", e ainda, "o Brasil será trabalhado com vontade".

A editora prevê um crescimento de vendas de seus título, o que torna a parceria com a Mythos imprescindível. Apesar de todas as decisões editoriais serem tomadas pelo departamento editoral italiano, os editores da Mythos discutem as propostas a e fazem sugestões. Quarteto Fantástico 1234, publicado em Paladinos Marvel 1, é um ótimo exemplo. Sua inclusão foi sugerida pela equipe nacional.

Outro aspecto a ser ressaltado é o calendário fixo. Cada título publicado pela Panini chegará às bancas no mesmo período do mês, todos os meses. Por exemplo: Homem-Aranha entrará sempre na primeira semana. A distribuição está sendo feita pela Fernando Chinaglia e de forma nacional. Os atrasos, constatados pelos leitores entre a chegada da edição em São Paulo e Rio de Janeiro e os outros estados, decorrem do tempo necessário para o transporte via terrestre das revistas. Desta forma, o calendário fixo também será adotado nas demais regiões brasileiras, mas com uma pequena diferença com relação ao lançamento em SP/RJ.

entretanto, é de se esperar que o sistema só funcione perfeitamente nos próximos meses, quando a editora já tiver consolidado seus cronogramas de trabalho.

Planejamento editorial

Embora, de acordo com Helcio de Carvalho, não haja cortes na Panini, algumas histórias poderão ser omitidas a fim de nivelar cronologias de personagens distintos. Todavia, histórias os sagas não selecionadas pela Panini, poderão ser publicadas por outras editoras licenciadas da Marvel Comics, com é o caso da própria Mythos.

Segundo o editor Marvel, Fernando Lopes, o momento é de avaliação do mercado. Primeiro, será medida a receptividade dos leitores às novas publicações, dando continuidade ao trabalho da Abril. Porém, a editora esperar acordar o mercado, adormecido pelas políticas editoriais anteriores, com novos lançamentos a serem divulgados ao longo do ano. Arcos poderão ser aceleradas para que as revistas logo alcancem a elogiada fase de Joe Quesada e Bill Jemas na direção da Marvel.

Algumas atitudes tomadas pela nova casa da Marvel no Brasil incluem o restabelecimento de canais de comunicação com o leitor (seções de cartas, resposta de e-mails) e a atraente promessa de uma convenção de quadrinhos no país, trazendo grandes nomes.

A decisão do formato, talvez a mais difícil do início da Panini Comics Brasil, levou em conta dois fatores: preço e qualidade. Apesar dos preços da linha Premium, os leitores acostumaram-se à qualidade oferecida. Portanto, a Panini teve de buscar a maior qualidade com o menor preço possível.

Os quadrinhos de super-heróis contra-atacam

Não precisa ser nenhum analista experiente para notar que, a cada dia, os quadrinhos de super-heróis perdem espaço para os mangás, a preferência inegável da garotada. Impulsionados pelas séries de televisão, os gibis japoneses rapidamente conquistaram novos leitores, coisa que as HQs de heróis deixaram de fazer há anos. Os motivos são simples: Divulgação dos personagens, preço das publicações e simplicidade das histórias. Enquanto o mercado de super-heróis tinha gibis luxuosos a R$10,00, com personagens presentes só nas revistas, em tramas prolongadas, os mangás ofereciam leitura mais ágil e acessível, com heróis conhecidos na televisão.

Este cenário preocupa a Panini, que promete aproveitar a onda de filmes que vem por aí. O primeiro está próximo. Homem-Aranha, chega aos cinemas nacionais em 17 de maio e tem tudo para alçar o principal personagem da Casa das Idéias novamente ao estrelato. Em suma, não tarda para conferirmos se as estratégias da Panini serão diferentes das adotadas pela Abril na ocasião do lançamento de X-Men - o filme, em 2000.

Até lá, a briga promete ser boa. A Editora Abril anunciou, na semana passada, 23 lançamentos para março, numa tentativa de tirar o espaço em banca da concorrente. Agora, cabe a nós, leitores, escolhermos nossos títulos e aguardar as novidades. E, é claro, se depender do Omelete, você vai assistir ao show de camarote!