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Marvel Século 21 aprovado

Marvel Século 21 aprovado

Frederico Dutra Vieira
20.09.2001
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40
Se depender de mim, Marvel Século 21 está aprovado.

A história do Homem-Aranha, em especial, me agradou muito. O roteirista Brian Michael Bendis acertou a mão em sua versão adolescente do herói. Esse é o Cabeça-de-Teia como sempre deveria ser: meio magricela e com jeitão mais ágil. Segundo o próprio Bendis, em seu texto de apresentação, agora o Aranha “lembra um nadador ou um ginasta adolescente, o que de fato é. Nas histórias da continuidade tradicional, que aqui no Brasil são publicadas em Homem-Aranha Premium, esse aspecto mais franzino varia ao sabor dos desenhista. Alguns deixam-no musculoso demais, outros muito mirrado. Mark Bagley parece ter achado o ponto de equilíbrio.

Coadjuvantes da linha tradicional também foram alvo de mudanças. Harry Osborn e seu pai, Norman, ganharam cabelos ruivos e lisos. De olho no que já se sabe do filme que estréia ano que vem, nesta narrativa, os Osborn estão diretamente ligados ao surgimento do herói. Flash Thompson continua sendo o valentão da escola, mas seu visual lembra o do Lanterna Verde, Guy Gardner. Mary Jane agora é viciada em ciências, mas não tão CDF quanto Peter. A propósito, a ruivinha e Harry fazem parte do círculo de amizades de Peter Parker desde o colegial e não a partir da faculdade como aconteceu na continuidade tradicional. A Tia May virou uma senhora do século 21. Rejuvenesceu seu visual e até acessa a internet. Tio Ben é um velho hippie que não abandonou o rabo de cavalo. Ao que tudo indica, ele será uma personagem mais elaborada do que sua versão de 1962. Tem tudo pra ganhar a simpatia dos fãs, o que é uma judiação porque... Ops! Quase dei com a língua nos dentes. Afinal, muitos leitores devem estar chegando agora e pouco sabem do mito do Homem-Aranha.

A história dos X-Men também foi do meu agrado ainda que eu tenha preferido a abordagem de X-Men: os filhos do átomo. Nesta edição especial lançada um mês atrás, o roteirista Joe Casey ajusta o passado das personagens, mantendo-as no Universo Marvel convencional. Em Marvel Século 21, o escritor inglês Mark Millar cria algo novo, apenas inspirado na obra de seus predecessores.

A trama começa poderosa, com os Sentinelas varrendo os céus de Los Angeles. É de tirar o fôlego tanto pela narrativa visual sem um único balãozinho quanto pelo desfecho inclemente da cena. Palmas para o desenhista Adam Kubert. Vale ressaltar que o emprego destes andróides gigantes pelo governo americano dá-se em retaliação ao ataque terrorista de Magneto e sua Irmandade de Mutantes a Nova Iorque e Washington. Em represália, qualquer pessoa nascida com o fator X em seus genes torna-se um alvo em potencial do governo americano.

Numa coincidência macabra, o gibi chegou às bancas brasileiras quase simultaneamente aos atentados terroristas nas duas cidades acima citadas. Às vezes, é de se lamentar que a vida imite a arte. Agora resta torcer para que, diferente dos quadrinhos onde impera a intolerância aos mutantes, o preconceito não gere uma perseguição indiscriminada a árabes e muçulmanos.

Voltando às páginas da revista...

Como no caso do Aranha, os X-Men não são exatamente os mesmos. A aventura já começa com Ciclope e Jean Grey trabalhando para o professor Xavier. Ela tem 16 anos e cabelos curtos enquanto o rapaz aqui também lidera a nova equipe. Ao longo das primeiras páginas, vemos a ruiva telecinética recrutar as outros personagens que vão integrar a equipe. O primeiro é o Fera (Henry McCoy) apresentado sem aqueles pelos azuis, com cabelos compridos e um visual mais moderninho. Tempestade (Ororo Munroe), tal qual no Universo Marvel regular, surge como uma ladra. No entanto, não é recrutada na África e sim em uma delegacia do Texas após ter sido presa por roubo de carros. Justamente por ainda não saber usar seus poderes, ela teme o que pode fazer com eles e torna-se presa fácil da polícia. Colossus (Piotr Rasputin) aparece como um criminoso da máfia russa e também é alistado nos Estados Unidos. Esses são os primeiros X-Men que partem para salvar o jovem de 15 anos, Bobby Drake dos Sentinelas.

O visual dos uniformes sofreu mudanças. Mais comedido como o do filme, deixou de lado as cores berrantes e assumiu o látex preto com detalhes em amarelo. Os trajes também ganharam uma função: ocultar os heróis dos sensores de gene mutante dos letais Sentinelas. Mark Millar, por sua vez, não resiste a fazer troça com os codinomes consagrados nos gibis tradicionais. As personagens estranham e não apreciam a idéia de usar apelidos ridículos como Tempestade e Fera.

O pontapé inicial de X-Men foi certeiro. Agora é torcer para que a série não se transforme em uma novela mexicana com pouca ação e gente falando pelos cotovelos. Essa tagarelice, no Universo Marvel convencional, já cansou.

Nota Omelete
3 ovos e uma gema

Marvel Século 21 chama atenção pela quantidade de páginas, o formato esquisito – um meio termo entre o formato americano e Espada Selvagem de Conan –, o papel de primeira e o preço camaradíssimo: R$4,50. Pena que as cem páginas desta edição sejam reduzidas para 52 a partir do número 2.