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Aqui Dentro e Lá Fora - 11 de agosto

X-Women do Manara e Marvel Millennium: Requiém

Érico Assis e Rodrigo "Piolho" Monteiro
11.08.2010
22h58
Atualizada em
29.06.2018
02h39
Atualizada em 29.06.2018 às 02h39

As colunas AQUI DENTRO e LÁ FORA se fundiram e ganharam uma periodicidade semanal, dando mais vazão para as coisas que saem no Brasil e manter você também atualizado sobre o que está acontecendo longe das nossas bancas.

Veja os destaques da semana:

AQUI DENTRO: MARVEL MILLENNIUM: RÉQUIEM

O QUÊ: Edição de encerramento da primeira fase do Ultiverso - conhecido como Marvel Millennium por aqui - que faz uma transição entre as séries Marvel Millennium e Ultimate Marvel no Brasil.

QUEM: Brian Michael Bendis, Joe Pokaski e Aron E. Coleite (escritores), Stuart Immonem, Mark Bagley, Robert Atkins, Ben Oliver e diversos outros (arte).

POR QUÊ: Há dez anos, a Marvel Comics resolveu que seria uma boa reapresentar seu universo de heróis para a nova geração. Para não cair nos mesmos problemas que sempre acontecem quando esse tipo de decisão é tomada, pois os fãs nunca aceitam bem quando o personagem que conhecem de longa data recebe uma nova roupagem, optou-se por criar um universo paralelo, o Marvel Ultimate, no qual tudo começaria do zero.

Para o pontapé inicial, nada mais justo do que dar uma repaginada no Homem-Aranha e nos X-Men, personagens mais populares da editora no momento. Coube aos então desconhecidos Brian Michael Bendis e Mark Millar a tarefa de tentar torná-los tão populares quanto suas contrapartes no Universo Marvel tradicional.

De início - e por pelo menos 3 anos - as histórias do Ultiverso, no geral, se mostraram superiores àquelas do Universo Marvel tradicional. Sem tanta bagagem cronológica, Bendis e Millar tinham uma liberdade que seus companheiros do Univeso Marvel tradicional não tinham e seus títulos alcançaram não só sucesso de público quanto de crítica. Isso fez com que a direção da Marvel resolvesse expandir o Ultiverso e Bendis e Millar logo trouxeram suas versões de Quarteto Fantástico e Vingadores, também alcançando boa repercussão, ao ponto de o gibi dos Supremos - os Vingadores do Ultiverso - bater recordes de vendas.

Com o passar dos anos, no entanto, as histórias do Ultiverso foram perdendo em qualidade e, consequentemente, vendas. Logo, Joe Quesada resolveu detonar tudo através do evento Ultimatum e começar de novo.

Cabe a essa Marvel Millennium: Réquiem o epílogo de toda essa história. O gibi traz quatro histórias, sendo duas do Homem-Aranha, uma do Quarteto Fantástico e uma dos X-Men fechando pontas soltas em Ultimato e preparando os personagens para a nova fase. Das quatro histórias, apenas as do Homem-Aranha realmente valem à pena, pois mostram J. Jonah Jameson escrevendo o obituário do Cabeça de Teia numa tentativa de retratar-se das injustiças perpetradas por ele contra o herói ao longo dos anos. A história do Quarteto é um conto de separação, com o grupo debandando como já aconteceu inúmeras vezes no universo tradicional, enquanto que em X-Men vemos como os mutantes lidam com as inúmeras perdas ocasionadas em Ultimato e preparam-se para o futuro.

ONDE E QUANTO: Nas bancas e lojas especializadas. O gibi tem 138 páginas ao preço de R$ 14,90

LÁ FORA: X-WOMEN

O QUÊ/QUEM: O álbum das X-Men - ou melhor, das X-Mulheres - produzido originalmente na Itália, com desenhos da lenda Milo Manara e roteiro de Chris Claremont, que já foi mais lendário.

POR QUÊ: Era uma vez um desenhista mundialmente famoso por seus quadrinhos de sacanagem, que desenhava beldades seminuas e invariavelmente as desnudava poucas páginas depois - possivelmente envolvendo-as em uma variedade sadia de posições sexuais. Seu nome: Milo Manara.

Era uma vez também uma equipe de super-heróis cheia de beldades nunca antes desnudadas devido aos padrões morais retrógrados de seu país, que adora megadecotes e biquínis cavados, mas deusmelivre de dar a entender variedades sadias de posições sexuais. Seu nome: X-Men. No caso, X-Women.

A Marvel, possivelmente com uns euros sobrando, convidou Manara para fazer um álbum com as super-heroínas mutantes. Mas alguém deve ter esquecido 1. do problema que seria colocar tamanha perversão nas páginas cheias de controle dos Estados Unidos; e 2. do choque que seus puritanos leitores habituais tomariam.

Percebe-se claramente que Manara entendeu que estes problemas não eram seus e logo de cara começou a procurar formas de impor seu talento. E, seguindo seu estilo, diminui os fartos seios made in USA, caprichando nos traseiros que tanto gosta de desenhar. Cinturas descem e saias sobem.

Mesmo as beldades cujo uniforme tradicional não é revelador - como a adolescente reprimida que atravessa paredes e a jovem intocável que suga a energia de quem se aproxima de sua carne - são sabiamente semidesnudadas com poderes desativados e rasgos estratégicos devido à alta intensidade friccional da aventura.

Segue-se uma conturbada história envolvendo ilhas de algum ponto distante do planeta, piratas e exércitos truculentos. Uma vilã sádica que agarra as heroínas numa variedade sadia de posições e submissões. Experiente no que faz, Manara reconhece que o país da editora segue padrões morais retrógrados e cultiva uma tensão sexual latente por mulheres se pegando - e faz com que elas se peguem, se toquem, se alonguem, se apertem, se puxem e se abracem em todas situações propositais e despropositais.

Subentende-se que, de última hora, Chris Claremont é chamado para colocar letrinhas sobre as imagens, buscando dar algum sentido à aventura impudica. Mal entende ele que buscar lógica em puro deleite estético impróprio para menores é como chamar Stephen Hawking para dirigir um pornô e acaba colocando letrinhas demais - e todas pudicas demais.

Sobram apenas dois ovinhos para agradecer pela variedade de formas arredondadas a nós concedidas pelo desenhista mundialmente famoso.

ONDE E QUANTO: Só importando. A edição em inglês custa US$ 4,99 (R$ 9). A edição original italiana, X-Men: Ragazze in Fuga, 12 euros (R$ 28).