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A saga dos super-heróis na Editora Abril - parte 1

A saga dos super-heróis na Editora Abril - parte 1

Hugo Silva
20.08.2002
00h00
Atualizada em
29.06.2018
02h40
Atualizada em 29.06.2018 às 02h40

Muitos de nós, leitores de quadrinhos, crescemos nutridos com as revistinhas da Editora Abril, que os nossos pais ofereciam, ou que nós próprios comprávamos com nossa mesada. A série de artigos com que inicio minha colaboração no Omelete é uma homenagem ao empenho demonstrado por esta empresa nos 23 anos em que reinou suprema no mundo dos Super-Heróis.

Hugo Silva

A Editora Abril iniciou seu convívio com os super-heróis em 1979. Depois de décadas publicando a Disney e outras infantis, a empresa - mais propriamente sua Divisão Infanto Juvenil, posteriormente desmembrada em Abril Jovem - decidiu se aventurar neste tipo de publicação, tomando a atitude correta, não os tratando de maneira demasiado infantil, já que, de fato, eles não o eram totalmente. A companhia de Victor Civita fazia assim concorrência à carioca Rio Gráfica Editora, que publicava, na época, os pesos-pesados da editora americana.

A revista escolhida para começar esta epopéia foi Capitão América que trazia as aventuras do combatente da liberdade, sendo pouco depois alterada para Almanaque do Capitão América, numa tentativa talvez de torná-la mais acessível à atenção dos mais novos. Quinze dias depois, surgiu aquela que se tornou uma das prediletas por parte dos leitores e uma das mais emblemáticas da editora pelos personagens nela apresentados, seu nome: Heróis da TV.

Naquele momento, a Abril dispunha apenas dos heróis, digamos, de segundo escalão. Mesmo assim, aqueles publicados pela primeira vez, como Cristal ou os Campeões, ganharam rapidamente adeptos, enquanto outros reconquistavam-nos, depois de muito tempo decorrido após sua publicação no Brasil, como o Thor de John Buscema ou o Homem de Ferro.

A Abril presenteava-nos ainda com uma variedade incrível de super-heróis no já célebre, e agora polêmico formatinho (13,5 x 19 cm). O certo, no entanto, é que, de outra forma, esses heróis nunca seriam publicados. Falo de casos como o Surfista Prateado, o Mestre do Kung Fu, Defensores, isto só para citar alguns neste principio. Os títulos eram publicados numa lombada quadrada, algo que, com o tempo, mostrou-se impraticável, devido à má leitura que esta proporcionava, além da cola utilizada, que, aos poucos, perdia seu efeito, estragando as coleções.

Uma das grandes vantagens da Abril, que, nos últimos anos, esmoreceu-se e muitos apontam para a causa máxima do fecho de portas da Redação de Super-Heróis, consistia no material inédito com que esta nos presenteava, além dos cuidados nas traduções, que agora eram muito mais ajustadas às personagens, ao contrário das editoras precedentes. Tudo isto derivava de uma preocupação e paixão constante, pelo e com o leitor, muito devido à paixão de nomes como o de Hélcio de Carvalho, Wlamir Sohl, Jotapê Martins, Leandro del Mantlo, Sergio Figueiredo entre tantos outros.

A família cresce

Chegou-se à década de oitenta e assistiu-se, em 1982, ao nascimento do seu título mais querido, por parte dos leitores, e, da jogada mais inteligente por parte da editora, que foi a criação da revista Superaventuras Marvel. Nesta publicação, as palavras inédito, surpreendente e inovador eram levados a patamares completamente diferentes. Nela acompanhamos, Demolidor de Frank Miller e de Denny ONeil, Dr. Estranho de Barry Windsor-Smith, entre outros heróis misteriosos e fora do comum.

Em 1983, fomos brindados com a unificação da Marvel no Brasil sob o selo da Abril. A Rio Gráfica Editora - atual Globo - abria mão de seus super-heróis, capitaneados por Homem-Aranha , Hulk e X-Men. Já não era sem tempo, uma vez que as cronologias dos heróis e sua continuidade começavam, cada vez mais, a ser interligadas num todo.

Homem-Aranha e O Incrível Hulk tornaram-se assim as mais novas revistas da Abril. A novidade, todavia, não ficou por aí. Ainda, esse ano, a Redação de Super-Heróis - que na época ainda se chamava Redação de Quadrinhos Nacionais e Estrangeiros - apresentou-nos a revista Grandes Heróis Marvel que seria publicada trimestralmente e conteria só as grandes sagas. Logo no primeiro número, foi-nos apresentada a morte de um herói já querido por todos.

As traduções da Abril evidenciavam um enorme cuidado com as características das personagens, fruto do trabalho de nomes como Jotapê Martins, mais tarde um dos fundadores com Hélcio de Carvalho do Estúdio Artecomix. Prova disto era o Aracnídeo, que tinha suas piadas brilhantemente aplicadas ao quotidiano brasileiro. As personagens, cujos nomes quando não eram traduzidos à letra, eram presenteadas com denominações derivadas da palavra que seria a tradução original ou recebiam alcunha que se assentava como luva nas suas características e poderes.

No próximo capítulo, a chegada da DC Comics