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Constantine acerta e erra na mesma proporção em sua estreia na TV | San Diego Comic-Con 2014

Assistimos ao piloto da série e o medo é grande. E não é dos demônios!

Marcelo Forlani
24.07.2014
04h18
Atualizada em
29.06.2018
02h39
Atualizada em 29.06.2018 às 02h39

Estamos em San Diego para levar até você as grandes novidades do mundo pop. E começamos nesta quarta-feira com as exibições dos pilotos das séries de TV que em breve estarão semanalmente nas suas TVs (ou HDs). Um dos episódios de estreia mostrado aqui na Comic-Con 2014 foi Constantine.

Constantine

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Bem diferente do filme estrelado por Keanu Reeves, o piloto traz para a telinha coisas que o longa-metragem não conseguiu atingir e os fãs reclamaram muito. Para começar, o protagonista, assim como nos quadrinhos criados por Alan Moore e depois muito bem explorados por Garth Ennis, é loiro. Não é pela cor do cabelo em si, mas a caracterização toda já está muito mais próxima das páginas das HQs. Ele ainda não fuma (e jamais vai fumar, pois é uma série encomendada por uma TV aberta aqui nos Estados Unidos, proibida de mostrar alguém fumando hoje em dia), mas já aparece apagando um cigarro e manuseando um isqueiro, um artifício usado pelos roteiristas David Goyer (Batman - O Cavaleiro das Trevas) e Daniel Cerone(Dexter, The Mentalist) para acalmar aqueles que cresceram lendo os gibis da Vertigo.

Outro elemento que veio junto: ele é britânico. O ator galês Matt Ryan (com participações em The Tudors, Criminal Minds e Torchwood) tem aqui a sua chance de ganhar a fama que nunca teve e se agarra a ela com tiradas sarcásticas, aquele eterno ar de "saco-cheio" e uma prepotência sem fim. Junte isso a uma boa trilha sonora e alguns efeitos especias bem feitos pela equipe do diretor Neil Marshall (Abismo do Medo, Centurião) e a diversão está garantida.

Ou quase isso.

Os personagens secundários estão ainda muito fracos. O anjo Manny (Harold Perrineau, de Lost) está muito afetado com aquelas asas e lentes de contato. Liv Aberdine (Lucy Griffiths), perdida, e Chas Chandler (Charles Halford) mal tem tempo de mostrar seu valor. E falta também à série um elemento que a coloque na lista dos novos programas que você vai querer ver toda semana. Ao final do piloto, a sensação que fica é a de que os produtores ouviram as reclamações feitas sobre o filme e se preocuparam apenas com o que estava errado, sem pensar naquilo que fez Hellblazer um sucesso entre o público mais maduro que a lia.

O resultado deste início parece ser uma tentativa de transformar Constantine em uma cópia de Sherlock, mas com jeitão de "procedure", com o caso demoníaco da semana e nada mais.