Pacto Brutal: Diretores dão detalhes de doc sobre assassinato de Daniella Perez

Créditos da imagem: Reprodução/Globo

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Pacto Brutal: Diretores dão detalhes de doc sobre assassinato de Daniella Perez

Conversamos com Tatiana Issa e Guto Barra sobre o documentário da HBO Max que revisita o assassinato de Daniella Perez

Omelete
4 min de leitura
Henrique Haddefinir
19.07.2022, às 11H22
ATUALIZADA EM 19.07.2022, ÀS 12H03
ATUALIZADA EM 19.07.2022, ÀS 12H03

Quando Daniella Perez foi assassinada, em 28 de Dezembro de 1992, a diretora Tatiana Issa tinha 18 anos e uma relação direta com os familiares e amigos da atriz: “Eu estava lá, estava presente naquele momento. Eu estava trabalhando com o Raul [Gazolla, então marido de Daniella], a gente estava junto naquele dia. Sou muito amiga da prima da Daniella... Por causa de um ponto de vista pessoal, essa história nunca saiu de mim”. Tatiana pode ser reconhecida como atriz pelos olhares mais atentos (ela esteve em algumas novelas da Globo), mas seu trabalho na cadeira de direção já lhe rendeu muitos prêmios e muito prestígio.

Desde que o gênero do True Crime aportou nos serviços de streaming, havia uma certa expectativa a respeito da possibilidade de relembrar a morte de Daniella como um desses títulos. A jovem era filha da autora Glória Perez, estava no ar vivendo a personagem Yasmim na novela De Corpo e Alma; e foi morta pelo colega de cena Guilherme de Pádua e pela esposa dele, Paula Thomaz. Após pouco mais de 6 anos de cadeia, os dois foram soltos e hoje circulam por aí livremente, com ficha limpa e o mundo pela frente. Por anos ficou uma impressão de que era preciso recontar esse crime, para que a mitologia das versões alternativas (quase todas culpabilizando Daniella) fosse finalmente vencida -- o que agora está mais perto de acontecer com o lançamento de Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez, minissérie que chega à HBO Max nesta quinta-feira (21).

Tatiana lembrou como ela e o também diretor Guto Barra levaram a ideia a Glória Perez: “Queríamos falar dessa história de maneira séria. Mandei uma mensagem para Glória, lá pela meia-noite, perguntando se ela gostaria de falar sobre isso e ela me respondeu, à uma da manhã, dizendo que conhecia o nosso histórico e que estava disposta a confiar”. Segundo Guto, a oportunidade apareceu justamente em uma hora em que os recursos disponíveis também eram condizentes com a demanda que essa produção traria para os envolvidos.

Responsável pelo roteiro, Guto estabeleceu a narrativa dos episódios entre a brutalidade do crime e também à forma como Glória Perez se tornou a investigadora mais poderosa em ação naquela época: “É claro que temos a história do crime, que tem que ficar muito clara, por conta de todas as versões. Mas, a parte que mais nos fez querer contar essa história é a história da Glória, dessa mãe, que se tornou uma investigadora, que foi atrás e que sacou que tinha um papel crucial ali. E foi bom também resgatar a Dani como pessoa, como mais que o corpo, a vítima”.

Ao contrário do que acontece em alguns dos documentários sobre crimes famosos que circulam por aí, Pacto Brutal tem realmente um roteiro bem definido. No episódio 1, Guto e Tatiana buscaram provocar no espectador a mesma angústia que os familiares e amigos sentiram naquela noite do dia 28. Já no episódio 3, o foco é a investigação feita pela própria Glória. “A Glória levou as sapatilhas da Dani para o tribunal, porque ela queria mostrar como a delicadeza contrastava com a brutalidade daquele crime. Então, a gente tentou fazer isso em todos os episódios: começar com a delicadeza e escalar até a brutalidade”, reforçou Tatiana.

Há uma quantidade de depoimentos impressionante, mas é impossível não notar a ausência de declarações dos criminosos ou de pessoas ligadas a eles. Tatiana garantiu que a decisão foi mútua: “A gente decidiu duas coisas logo de cara. A primeira de que não íamos dar voz aos assassinos e a segunda de que não íamos usar dramatizações. Primeiro por respeito à Dani, à memória dela, à família dela... Não queríamos usar encenações, atores simulando o crime, porque isso é muito óbvio. Preferimos manter a dramatização na sutileza, no medo que espreita no escuro... queríamos colocar o espectador no sentimento que aquilo causa, muito mais que no visual”.

Os 5 episódios que voltam até 1992 para contar o horror do crime que interrompeu a vida de Daniella Perez ficam disponíveis no dia 21. É muito provável que muitas discussões sobre o assunto sejam reavivadas. Mas, o papel primordial terá sido cumprido: interromper o “assassinato” da reputação dela, que funciona midiaticamente, por toda parte, até os dias de hoje.

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