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Reboot de Gossip Girl começa deslizando em pautas sérias

Produção estreou hoje (8) na plataforma de streaming HBO Max

Flávio Pinto
08.07.2021
12h22
Atualizada em
24.07.2021
13h04
Atualizada em 24.07.2021 às 13h04

Tiktok, Twitter, Instagram, super rich kids with nothing but loose ends, super rich kids with nothing but fake friends…Gossip Girl não poderia ter escolhido uma época melhor para reencarnar? Hoje (8), a blogueira favorita da elite estudantil retornou de um longo hiato para escancarar a verdade por trás dos ricos e dos badalados rostinhos nova-iorquinos. Sentiram falta?

Confesso que tinha altas expectativas quando anunciaram o reboot da famigerada série. Nunca fui um espectador assíduo da primeira versão, mas como fã da cultura de celebridades, apreciador do camp e um admirador de Blake LivelyLeighton Meester (se o mundo fosse justo, seria ela a despontar depois da série), não teria como não me importar com a continuação da história.

De qualquer forma, o universo da Gossip Girl, que estreou hoje, pela HBO Max, ainda é o mesmo. Acompanhamos a nova Queen B., ou melhor, Queen J., Julian Calloway (Jordan Alexander), a menina mais popular do colégio e seu grupinho que usa o topo das escadas do The Metropolitan Museum of Art como point. Mas, diferentemente da série original, a Queen J. é mais acessível, e nada temida. Aliás, de sua turma, ela é a única que parece ser querida, tanto pelos professores, como pelos outros alunos da fictícia escola Constance Billard. 

Como um reflexo da Geração Z da vida real, a reencarnação da série tem novos olhares a respeito de ativismo, sexualidade e diversidade racial. A nova Blair, Julian, é uma garota negra. Sua gangue é composta por meninos queer, garotas racialmente ambíguas, e seu querido namorado é ativo em causas sociais. O principal conflito da série vem com a chegada de Zoya (Whitney Peak), uma nova garota de Buffalo, que basicamente é escrita para ser a Serena da nova versão. O que logo descobrimos é que Julien e Zoya são meia-irmãs. Então, será que elas serão melhores amigas para sempre, ou serão inimigas mortais até o fim dos tempos (o ensino médio)?

Felizmente, como isso é Gossip Girl, sabemos a resposta. E por sabermos a resposta, a rivalidade entre as duas já é bem definida ao longo do primeiro episódio de forma efetiva. Ponto para o reboot! Agora, o que pesa — e muito — contra a leva atualizada de episódios é o peso em pautas e questões sociais em que o produtor Joshua Safran e a sua equipe de roteiristas resolveram abordar.

O que era divertido na produção original era a celebração do ridículo e o escapismo. Isso é Gossip Girl. É a série que a Serena, ao mexer no seu celular e encontrar uma foto sua com a Blair, joga o aparelho no lixo ao invés de simplesmente deletar a foto (que saudade desse show de ridicularidade). O apelo de Gossip Girl sempre esteve nisso, e não em discussões sobre a diferença do salário entre professores de colégios públicos e particulares. Aliás, embora seja uma pauta excepcionalmente importante, especialmente no Brasil, o assunto acaba destoando em uma série de temática teen e fora da nossa realidade.

A proposta é se divertir com o ridículo e o cotidiano de (supostos) adolescentes de 16 anos que, aparentemente, já podem beber e sair até altas horas da noite — em plena noite da semana —, em um país onde a idade mínima legal é de 21 anos. Ah, falando em professores, aqui vai o indefensável sobre o reboot: adivinha quem é a Gossip Girl? Ou melhor, quem são as Gossip Girls? Isso mesmo, os professores da escola.

Mesmo assim, o reboot tem seus elementos legais: a rivalidade entre as irmãs é bacana, os personagens coadjuvantes são interessantes, e os elementos da vida dos ricos e famosos é divertido. Meu conselho é: fique pelo drama adolescente, e não pelos textões de Facebook. Xoxo, Gossip Girl está de volta.

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