And Just Like That | Revival de Sex and the City causa estranheza em estreia

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And Just Like That | Revival de Sex and the City causa estranheza em estreia

Primeiros dois episódios já estão disponíveis na HBO Max

Beatriz Amendola
09.12.2021
18h44
Atualizada em
12.12.2021
20h08
Atualizada em 12.12.2021 às 20h08

É inevitável assistir aos dois primeiros episódios de And Just Like That, o retorno de Sex and the City, e não sentir um certo estranhamento, seja na forma ou no conteúdo. O revival comandado por Michael Patrick King, nome por trás de boa parte da série original, adotou episódios mais longos, com mais de 40 min, e optou por dar às agora três amigas uma história mais dramática -- que, pelo menos neste início, ainda está tentando encontrar seu lugar. 

Há um alento em reencontrar Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis), agora com mais de 50 anos, mas ainda inseparáveis e se reunindo para o brunch -- com a exceção notável, claro, de Samantha (Kim Cattrall), cuja ausência é explicada logo no começo. Mas, como esperado, muito mudou: Miranda agora tem surpresas desagradáveis com o filho adolescente; Charlotte é uma mãe ativa no conselho da escola das suas filhas; e Carrie participa de um podcast, mas não se sente muito confortável em falar de temas mais picantes. 

O espaço dado a essas questões mais banais do cotidiano, no entanto, sai de cena com uma forte reviravolta logo no primeiro episódio, que muda abruptamente o tom da produção. A reviravolta em si acaba soando gratuita, especialmente dado o pouco contexto prévio que é reservado a um personagem-chave dela. O acontecimento, nessa reta inicial, acaba servindo mais como escada para tratar de um tema específico. 

É necessário reconhecer que, no segundo episódio, as consequências do plot twist são bem trabalhadas, abrindo caminho para momentos de emoção genuína que unem as protagonistas e suas famílias. Porém, o texto de King se atrapalha ao tentar conciliar o drama com as pitadas cômica que deram, por tanto tempo, o tom de Sex and the City. E nesse aspecto, em especial, o humor ácido de Samantha faz (muita) falta.

And Just Like That também anda na corda bamba ao se referir a questões atuais relacionadas a representatividade -- um tema sensível, já que a série original foi criticada por seu elenco predominantemente branco. Miranda, por exemplo, tem diálogos constrangedores e nada naturais com Nya (Karen Pittman), uma mulher negra que é sua professora em um mestrado sobre direitos humanos.  

A escalação de Pittman e de Sara Ramirez (a Callie de Grey’s Anatomy), porém, mostra-se um acerto. Ramirez, em particular, rouba a cena como Che Diaz, personagem não-binária que apresenta o podcast do qual Carrie participa, e entrega alguns dos melhores momentos cômicos dessa reta inicial. Resta ver se será dado o espaço a elas  para que se desenvolvam como personagens complexas. 

Neste início, o que And Just Like That provoca pode ser descrito como uma mistura de sentimentos. É uma experiência muito diferente daquela proporcionada Sex and the City, embora alguns elementos ainda estejam aqui para dialogar com a série original. Não que seja um problema mudar, mas a transformação precisa ser genuína. Do contrário, o revival se arrisca a ficar perpetuamente em um “nem lá, nem cá” capaz de alienar até os fãs de longa-data. 

And Just Like That é exibida semanalmente pela HBO Max.

 

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