Colin Firth em A Escada

Créditos da imagem: HBO Max/Divulgação

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A Escada | Michael Peterson chama série de homofóbica e critica Colin Firth

Homem cujo julgamento inspirou a produção da HBO Max falou sobre a produção

Omelete
4 min de leitura
Eduardo Pereira
15.06.2022, às 19H41
ATUALIZADA EM 15.06.2022, ÀS 20H00
ATUALIZADA EM 15.06.2022, ÀS 20H00

Condenado em 2003 pela morte de sua esposa, Kathleen, o escritor Michael Peterson passou anos na cadeia até ser liberado, em 2011, para um novo julgamento. Em 2017, ele aceitou afirmar que era culpado de homicídio culposo (sem a inteção de matar) em um "Alford plea"; categoria penal americana que permite ao réu seguir afirmando sua inocência, ainda que ele concorde em se declarar culpado por considerar que as provas reunidas contra si são o bastante para que o júri o condene.

Há praticamente 20 anos tentanto explicar a morte de Kathleen — que foi encontrada morta em uma poça de sangue, caída logo abaixo da escada da casa da família  Peterson manteve-se distante do olhar público ao máximo que pôde, com excessão das participações na série documental A Escada, ao lado de seus quatro filhos (Clayton e Todd Peterson e Margaret e Martha Ratliff). Isso mudou em 2022, com o lançamento da série de TV A Escada na HBO Max. A produção adapta à ficção os eventos narrados no documentário.

Em entrevista concedida à Variety, Peterson, que é bissexual, afirmou que produção é homofóbica pela forma como relaciona a morte de Kathleen com a descoberta da infidelidade do marido com homens, e criticou a escolha do ator Colin Firth para interpretá-lo. Ele também criticou o diretor da série, Antonio Campos, e o produtor Jean-Xavier de Lestrade, que dirigiu a série documental que trouxe o caso ao olhar do público pela primera vez.

Segundo Peterson, A Escada não buscou ou contou com qualquer envolvimento dele, nem mesmo uma liberação para a exploração de sua imagem e principalmente de seus filhos. "O que eu espero é que um advogado especializado em Entretenimento consiga resolver essa situação com Antonio, a produtora Annapurna e a HBO, para que meus filhos consigam o dinheiro", afirmou. "Mas o meu alvo real é parar essa coisa. A série da HBO, quanto mais eu ouço falarem sobre, mais eu vejo que é horrível. É apenas terrível. Nela, meus filhos estão brigando, e histórias totalmente diferentes sobre eles são feitas. Isso é errado".

Sobre um suposto viés homofóbico na produção, Peterson apontu dois grandes exemplos. O primeiro, segundo ele, está na exploração de cenas de sexo "gratuitas". "Eu falei da minha bissexualidade com Jean [na série documental de A Escada], e eu acredito que ele a representou como falei sobre. Mas eu ouvi de muitas pessoas, incluindo meu advogado, que as cenas de seco na série da HBO são tanto erradas quanto maliciosas, incluindo um encontro com um homem quando fui à Blockbuster para alugar o filme que assisti com Kathleen na noite em que ela morreu. Isso é totalmente falso", disse. "Do que ouvi, é homofóbico, como meu julgamento também foi".

Depois, Peterson apontou uma cena em que Kathleen, antes de morrer, encontra pornografia no computador do marido. "Esse episódio completamente fabricado comigo matanto Kathleen é nojento e homofóbico, com ela encontrando pornografia no meu notebook mesmo que o especialista da procuradoria tenha testemunhado que não houve acesso no computador após as 16h. Criar uma razão falsa e sexual para que eu a matasse é repugnantemente homofóbico e errado, como provado no tribunal. Como Campos pôde criar uma cena desmentida em um julgamento? Isso mostra seu desprezo pela verdade", classificou o escritor.

Sobre Firth, ele afirmou que a escalação "poderia ser pior", adicionando que "ele não é meu ator favorito" e sugerindo: "Escolham o Brad Pitt". "Eu acho que eu aceitaria falar com ele, mas ele disse que queria fazer tudo sozinho. Fazer do personagem sua própria criatura. Eu pensei: 'O que você está falando? Eu sou a pessoa real. Se você quer saber o que eu penso e falo, leia meu livro ou fale comigo", afirmou.

A Escada, disponível na HBO Max, é estrelada por Sophie TurnerPatrick Schwarzenegger e Colin Firth. O time de atores ainda conta com Toni Collette, Juliette BinocheRosemarie DeWitt Parker Posey. A série conta com roteiro de Maggie Cohn (American Crime Story), e a produção é de Campos, Cohn e da Annapurna Television, em parceria com a HBO.

Já a série documental dirigida por Lestrade foi lançada em 2004 e teve oito episódios, mas teve continuações em 2012, 2013 e 2018, com desenvolvimentos do caso. A temporada completa, com todos os capítulos, foi lançada na Netflix.

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