"O trágico é que o DeLuca estava apenas começando", diz astro de Grey's Anatomy

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Séries e TV

Entrevista

"O trágico é que o DeLuca estava apenas começando", diz astro de Grey's Anatomy

Conversamos com Giacomo Gianniotti sobre os acontecimentos recentes da série

Henrique Haddefinir
05.05.2021
09h00
Atualizada em
06.05.2021
12h58
Atualizada em 06.05.2021 às 12h58

A partida de Giacomo Gianniotti de Grey's Anatomy ressoa para os fãs como uma das decisões mais esquisitas que Krista Vernoff poderia tomar. Em uma temporada tomada de episódios chamativos por conta dos retornos de personagens perdidos há muitos anos, uma morte adicional parecia deslocada e irrelevante, sem nenhum impacto dramático e que – ao contrário do que os envolvidos queriam fazer parecer – não teve o resultado sócio-engajado que eles pretendiam. Em um ano com aparições de meio elenco original, quem se importaria com o final trágico de DeLuca?

Ao falar sobre o momento da trajetória do personagem que ele mais se orgulhava, Gianniotti, em seu papo conosco, não voltou até um passado tão distante assim: “A coisa que mais me orguho de ter feito foi ter visto o lugar para onde trouxeram DeLuca no final da temporada passada, quando ele teve uma crise mental muito forte, foi desacreditado e precisava de ajuda. Aquele foi um momento de virada pra mim como ator e também para o personagem. Espero que esse momento tenha ajudado outras pessoas que precisam e não conseguem pedir ajuda”.

Apesar da surra de Alex (Justin Chambers) e do relacionamento com Meredith (Ellen Pompeo), o ator citou o último grande momento de DeLuca na série, momento esse que também foi o primeiro que deu ao personagem uma storyline autônoma, independente de outros personagens e que mostrava uma evolução de sua figura sempre “perfeita” para algum tipo de complexidade. Sabemos como funcionam esses dramas de longa duração: problemas de saúde são muletas que garantem a sobrevida de um personagem. Mas, se bem usadas, podem revigorá-lo.

Por alguma razão, Vernoff achou que DeLuca já tinha esgotado as próprias possibilidades e nem mesmo esse enredo da doença mental foi devidamente explorado e resolvido. Gianniotti, contudo, se esquivou de comentar alguma irregularidade na trajetória do personagem: “Não há nada que eu ache que o DeLuca não deveria ter feito ou vivido. Pra mim tudo que ele passou foi importante para levá-lo até essa despedida”. As justificativas da manda-chuva da série, entretanto, transmitem a certeza de que a decisão da morte foi tomada depois de um “impulso criativo”: Não havia uma decisão sobre matar o personagem, mas a ideia, toda a sequência, de repente veio na minha mente e eu me dei conta de que estávamos matando o DeLuca. Mas ninguém queria isso, eu não queria isso”.

No episódio 7 (que foi ao ar na última terça-feira, na Sony), essa decisão que Krista Vernoff “não queria tomar” foi executada e algumas semanas depois, o ator assumiu a direção do episódio número 11. Era esperado que depois de uma saída aparentemente amigável, Gianniotti fosse continuar aparecendo uma vez ou outra através de lembranças ou mesmo na “praia do purgatório”. O episódio entregue em suas mãos para que fosse dirigido, pareceu, contudo, ter sido escolhido aleatoriamente. Nada de significativo acontece no roteiro e o astro respeita a irrelevância da trama com uma direção igualmente irrelevante.

Os personagens giram nos mesmos loopings emocionais, os casos da semana continuam forçando a ligação com Station 19 e o tempo de coma de Meredith nos deixa a mercê da ausência da única personagem que sustenta os pilares do que a série foi um dia.  A COVID-19 continua sendo tratado com a competência esperada e o episódio em questão – esse mesmo dirigido por Giacomo – tem um enredo interessante envolvendo Jackson (Jesse Williams) e que está preparando o terreno para o retorno de mais um personagem clássico. Um dos vivos, pelo menos. April Kepner (Sarah Drew) vai voltar.

Quando questionado sobre o que ele imaginaria para o futuro de DeLuca, Gianniotti fez uma pausa, respirou fundo e retornou ao tópico do bipolarismo, interrompido bruscamente pela decisão dos roteiristas: “Começamos essa temporada com DeLuca retomando sua estabilidade, se tratando, se reconectando, recomeçando; e isso que é trágico”. Giacomo também foi categórico ao afirmar que só foi informado de sua partida quando as filmagens da atual temporada já tinham começado. “Eu adoraria ter visto como ele estaria depois dessa chance de recomeço” - Continuou o ator. - Como a vida amorosa dele estaria? Como sua carreira evoluiria? Teria adorado ver como todas as partes da vida dele seriam retratadas depois de sua estabilização”.

A sensação que fica é a de “uma varrida para debaixo do tapete”. Meredith terá um evidente novo interesse amoroso (o “presente” de Christina) e a presença de DeLuca parecia uma experiência deformada, no qual se tinha investido tanto, mas que terminou esquecida numa gaveta, uma daquelas onde a gente guarda os fracassos. O futuro da atual temporada de Grey's Anatomy ainda é incerto, mas esse ano se desenvolve com os dois pés na nostalgia e com um imenso senso de despedida. Talvez não dê nem tempo de sentir falta do DeLuca. Aliás, de muito pouca coisa sentiríamos falta nesses anos finais.

Grey's Anatomy é exibida todas as terças, às 21 horas, na Sony.

Gianniotti

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