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Com show alucinado, Green Day anima público de São Paulo

Durante quase três horas, o punk rock do Green Day dominou o Parque Anhembi

Julia Sabbaga
04.11.2017
03h57
Atualizada em
29.06.2018
02h38
Atualizada em 29.06.2018 às 02h38

Na noite de três de novembro, a cidade de São Paulo recebeu novamente o Green Day. Sete anos após sua última visita, a banda voltou ao Brasil com a turnê do álbum Revolution Radio, mas o setlist fez um panorama carreira inteira e, em São Paulo, foram quatro músicas a mais que a apresentação anterior, no Rio de Janeiro. Tocando hits e b-sides, o trio da Califórnia agradou tanto os fãs da velha guarda quanto os adoradores recentes, durante duas horas e meia o quando o frontman, Billie Joe, corria alucinado e pedia gritos e cantos da plateia.

Antes do Green Day chegar ao palco, a plateia foi aquecida com um ótimo show do The Interrupters, pequena banda de ska da Califórnia. Com muita simpatia, a banda agradecia o maior público para quem já tocou, e esbanjou potencial. A vocalista Amee Interrupter, cheia de danças e uma presença de palco carismática, fez o público cantar junto em “Take Back The Power” e “She Got Arrested”.  

E, às 22h no Parque Anhembi, o Green Day chegou. Abrindo com "Know Your Enemy", a banda de cara já chamou um fã ao palco. A interação com o público dura a apresentação inteira, com Billie Joe incansável e determinado a fazer a plateia ir à loucura com gritos e discursos de amor e liberdade. Durante o show, o líder da banda chamou três fãs ao palco em momentos diferentes, além de jogar camisetas no povo, encharcar as primeiras fileiras com mangueiras e se abraçar em bandeiras arremessadas no palco. E logo no começo o vocalista agradeceu o público por um comportamento peculiar: a surpreendente falta de celulares filmando a performance. Olhando para o público animado, Billie Joe louvou os fãs pela atitude, dizendo que a plateia sabia viver no presente, ao invés de guardar para assistir depois.

O baixista Mike Dirnt, que ganha momentos solo no microfone, tem uma boa presença de palco, e diversas vezes vem ao meio dos holofotes para um momento de sintonia com o vocalista. O baterista figura Tré Cool também agita sem parar, e seu momento exclusivo teve um solo complexo e rápido, que resultou em um dos destaques da apresentação. Mas o espetáculo, de modo geral, é do Billie Joe.

Depois da abertura, o Green Day emendou dois primeiros singles de seu último álbum, “Bang Bang” e “Revolution Radio” e já partiu para o álbum com mais tem destaque no setlist, American Idiot, agradando uma enorme quantidade de fãs que cantava todas as letras e engajava com cada tentativa de Billie Joe de animar ainda mais a audiência. No meio do tema político “Holiday”, a plateia respondeu críticas a Donald Trump com coro de "Fora Temer".

Já na metade do show, o trio surpreendeu com uma série de músicas: “J.A.R”, “F.O.D” (a primeira performance ao vivo desde 2013), “Armatage Shanks” e “Scattered”, dedicando as escolhas aos fãs mais fervorosos, que iam a loucura a cada surpresa.

O show só foi ficando melhor. Depois de uma performance completamente alucinada de Billie Joe em “St. Jimmy”, a banda tocou a favorita “Basket Case” e trouxe o multi-instrumentista Jason Freese para frente, tocando uma performance de “Garota de Ipanema” para fazer o público brasileiro feliz. Cansado depois de “King For A Day”, Billie Joe deitou no chão para fazer um medley de The Isley Brothers, Monty Phyton, The Doors, Rolling Stones e Beatles, antes de concluir o set com uma chuva de fogos em “Still Breathing” e arrematar com “Forever Now”, a melhor música do último álbum.

O primeiro retorno trouxe duas favoritas da plateia, que cantou “American Idiot” e “Jesus Of Suburbia” do começo ao fim. Na volta para o segundo bis, vem só o vocalista e o violão, fazendo uma performance de “21 Guns” e terminando o show em tom melancólico, despedindo-se do público com “Good Riddance (Time Of Your Life)”. Quando deu seu último tchau, coros da plateia ainda pediam a performance do clássico da banda “She”, que perdeu lugar no setlist. Mas com quase trinta anos de carreira, é difícil abrir espaço para todo hit.