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The Grand Budapest Hotel | Da Frigideira

Novo filme de época de Wes Anderson tem clima de conto de fadas insólito

Bruna Passos Amaral
06.02.2014
20h14
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

The Grand Budapest Hotel, mais uma amostra da imaginação sem limites do diretor Wes Anderson, teve sua estreia mundial nesta quinta-feira no Festival de Berlim. O longa narra a história do polido concierge Gustave (Ralph Fiennes) em um famoso hotel na Europa que sobreviveu às guerras, ao fascismo e ao comunismo, e sua amizade com seu mais novo pupilo, interpretado pelo ator de 16 anos Tony Revolori.

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Tomada por um clima de conto de fadas insólito, a história se desenrola em um país imaginário da Europa, a República de Zubrowka - coincidência ou não esse também é o nome de uma famosa vodka polonesa. Para criar a Belle époque do concierge Gustave, Anderson diz ter se inspirado nas obras do escritor austríaco Stephan Zweig. Não são poucas as declamações da obra do alemão no longa, o que confere um charme teatral para o personagem de Fiennes, neste que é o segundo filme de época do cineasta - o primeiro foi o anterior, Moonrise Kingdom.

A intriga na trama fica por conta do roubo e da recuperação de uma pintura renascentista valiosíssima. A obra foi deixada como herança para o concierge após a dona do hotel, uma milionária de 84 anos interpretada por Tilda Swinton, ser assassinada. O filho da octagenária (Adrien Brody) não gosta nada da "bondade" da mãe e faz de tudo para enquadrar Gustave como assassino. Para isso, ele envolve seu capanga, um vilão sinistro interpretado por Willem Dafoe, em uma perseguição burlesca que garante ao espectador algumas das sequências mais divertidas e esteticamente impecáveis do longa.

Apesar de dar a ideia de se passar na Hungria, The Grand Budapest Hotel é uma co-produção alemã e foi rodado inteiramente no país. As locações são os estúdios de Babelsberg, em Potsdam, e a cidadezinha de Görlitz, onde o hotel local virou o quartel general da equipe técnica e do elenco, que conta ainda com várias figuras que já trabalham em outras obras de Anderson, como Owen Wilson, Edward Norton, Jeff Goldblum, Jason Schwartzman e Bill Murray.

Na coletiva, Murray, fiel companheiro de Anderson em seus filmes, garantiu saber por que tantos atores bons gostam de trabahar com o diretor: "É a promessa de muitas horas de trabalho, baixos salários e pão velho. Você viaja o mundo e ainda ganha o direito de deixar Wes criar esta vida mágica onde seus sonhos se tornam realidade".

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