O Globo de Ouro pode prever o Oscar?

Créditos da imagem: MARK RALSTON / AFP

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O Globo de Ouro pode prever o Oscar?

Entenda como uma premiação não tem nada a ver com a outra

Natália Bridi
02.01.2020
23h20

Fundada em 1943, a Associação dos Correspondentes Estrangeiros de Hollywood (Hollywood Foreign Press Association - HFPA) reúne cerca de 90 jornalistas e fotógrafos de mais de 50 países. Desde 1944, o seleto grupo, que não permite mais do que cinco novos membros por ano (todos obrigatoriamente com residência fixa no sul da Califórnia), entrega o Globo de Ouro para os seus escolhidos no cinema e na TV.

Apesar de a HFPA ter sido acusada inúmeras vezes de se render abertamente às vontades dos estúdios (como no caso da indicação de O Turista a Melhor Musical ou Comédia, por exemplo), sua estatueta dourada ainda é considerada uma prévia para outra de mais prestígio, o Oscar. Essa fama tem como base apenas um grande número de coincidências, já que o prêmio entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas é fruto dos votos de milhares de profissionais da própria indústria (ainda que nem todos estejam interessados nos indicados, como já mostraram algumas cédulas de votação). Assim, apostas mais precisas para a celebração da Academia precisam levar em conta os prêmios dos sindicatos, esses sim compostos por membros votantes no Oscar.

No mais, as duas festas são grandes vitrines, cujos prêmios representam a chance de promover para o mundo filmes e séries de TV (no caso do Globo), juntamente com seus atores, diretores e outros profissionais. Não ver esse lado comercial é ingenuidade cinéfila, assim como pensar em qualquer premiação como definidor de qualidade é entender a arte de forma matemática, robótica. Se o Oscar tem o peso da tradição hollywoodiana, o Globo de Ouro tem como vantagem o seu elevado número de categorias. Separar drama de musicais e comédias criou uma festa mais inclusiva, com mais oportunidades para subir ao palco, justificando sua importância para os estúdios na temporada de prêmios.

Vale acompanhar a festa também pelo clima descontraído, em uma cerimônia muito mais interessante de ser assistida do que a do Oscar. No lugar das cadeiras de um teatro, o Globo de Ouro tem mesas fartas. As celebridades continuam luxuosamente vestidas, mas suas atitudes são bem mais informais do que no encontro da Academia. Sem falar na ausência de números musicais exagerados e no acerto na escolha dos apresentadores (como Ricky Gervais, que apresentou quatro vezes e comanda a cerimônia novamente neste ano; as tri-campeãs Tina Fey e Amy Poehler; o "host" de 2017 Jimmy Fallon; e Seth Meyers, em 2018).  Tudo isso confirma a fama do prêmio como o mais divertido, para o público e para os convidados.

O Globo de Ouro realiza a sua 77ª edição em 5 de janeiro. Coringa, de Todd Phillips, e História de Um Casamento, de Noah Baumbach, são dois dos destaques nas categorias de cinema. Já entre as séries chama a atenção Big Little Lies, que concorreu anos antes entre as minisséries e agora disputa nas categorias principais, com três indicações.