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Cultura Pop no Brasil | Como a voz de George Clooney virou filme

E mais: peça de Matheus Souza estreia com influências de Skins, Bully e Kids

Rodrigo Fonseca
03.03.2016, às 12H39
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H38
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H38

Nos acordes de George Clooney

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Vida de dublador também rende filme – e dos bons! – como comprova o documentário americano Being George Clooney, cercado de elogios em sua recentes projeções em festivais nos EUA e na Croácia, retratando bastidores dos longas-metragens estrelados pelo galã. Em sua pesquisa em busca de sete dos 16 dubladores internacionais do astro de sucessos como Gravidade (2013), o diretor Paul Mariano chegou ao Brasil, atrás de imagens do ator carioca Marco Antônio Costa, voz oficial de Clooney no país desde 1995, quando E.R. - Plantão Médico era exibido pela Rede Globo.

Megan Fox e Stephen Amell no Brasil

"Estima-se que cerca de 60% do faturamento bruto de Hollywood vêm de mercados estrangeiros, como a Europa, a Ásia e a América Latina, onde os atros de prestígio popular ganham vozes locais, o que torna a dublagem uma proção indispensável á sobrevivência da indústria audiovisual", diz Mariano ao Omelete em entrevista por telefone de Los Angeles.

Em sua pesquisa, ele correu países como Itália, Alemanha, Turquia e Índia atrás de causos de estúdios de dublagem onde os filmes de Clooney foram vertidos do Inglês para outros idiomas.

"A gênese deste documentário curiosamente não tem a ver com Clooney, mas com Brad Pitt. Um dia, estava lendo um artigo numa revista sobre o dublador francês de Brad e pensei o quanto a gente desconhece sobre os bastidores do mercado da voz no cinema. O que me fez optar por um recorte centrado em Clooney foi o fato de que seus dubladores, pelo mundo afora, estão há anos a fio ligados a ele. E, para além deste vínculo afetivo, todos têm histórias pessoais muito curiosas", explica o cineasta, que explora situações anedóticas como o fato de a Alemanha ter dois dubladores de Clooney, com tipos físicos bem distintos do porte galante do ator.

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No caso de Marco Antônio, que completa 30 anos de dublagem em 2016, Mariano se encantou pelo fato de o ator ser também médico, há cerca de três décadas, e atender em emergências de hospitais públicos do Rio.

"Quando fui escalado para dublar ‘Plantão Médico’, eu faria um outro personagem, mas o ator Mário Jorge (dublador de Eddie Murphy e John Travolta no Brasil), que fazia uma espécie de supervisão artística das dublagens da TV Globo, defendia que a minha voz tinha o peso ideal para o Clooney. Mais do que isso, ele achava que, por eu ser médico, nem precisaria revisar os termos técnicos usados pelo personagem dele. De fato, eu fazia as revisões dos termos usados pelos personagens na ermergência", diz Marco Antônio, que empresta seu gogó ainda a Johnny Depp, a Brad Pitt e a Hugh Grant com freqüência no Brasil. “No filme do Mariano, a mulher de um dublador italiano brinca: ‘Eu sou casada com George Clooney’. É uma situação engraçada, mas, para além da graça, é um privilégio dar a voz a um artista tão bom que ainda tem um engajamento tão apaixonado em causas humanitárias, como Clooney”.

Ainda não há previsão de estreia de Being George Clooney no Brasil. Mas, para Marco Antônio, o longa é mais do que bem-vindo neste momento de desarticulação no mercado dos dubladores no país.

"Nossa profissão hoje passa por uma fase esquisita, porque nunca foi tão fácil montar um estúdio de dublagem como é agora. Antes, quando comecei, quando ainda havia a Herbert Richers, a tecnologia de dublagem era de difícil acesso. Hoje tudo se resume a um computador. Com isso, muitos estúdios de fundo de quintal surgiram, trazendo uma nova prática de preços”, lamenta Marco Antônio, que é casado com a também dubladora Lina Rossana"Com essa mudança, os estúdios querem pressa em vez de qualidade".

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Entre Júlias e suicidas

Em cartaz no Teatro das Artes, no Shopping da Gávea do Rio de Janeiro, até 5 de abril, com o musical Cinco Júlias, o diretor Matheus Souza vai pedir licença aos cânones da comédia e do amor – seus territórios habituais – para se arriscar pelas veredas do suspense e da dor com Suicidas. Projeto da produtora RT Features (de Frances Ha), o longa-metragem é baseado no livro homônimo de Raphael Montes, cujo ponto de partida é o drama de um grupo de jovens que, no último dia de aula, trancados na biblioteca do colégio, decidem cometer suicídio coletivo em um jogo de roleta-russa. João Côrtes será um dos protagonistas da produção, que entra em filmagem no segundo semestre.

A trama volta no tempo para explicar o que levou cada um deles até ali”, diz Souza, realizador premiado Apenas o Fim (2008). “O roteiro tem como referências filmes do Larry Clark, como ‘Kids’ e ‘Bully’, além da série ‘Skins’”.

Fé no real

Celebrizado por uma peça teatral vista por quase 300 mil brasileiros, o livro A Alma Imoral, do rabino Nilton Bonder, um best-seller com 120 mil exemplares vendidos, vai chegar ao cinema em forma de documentário, sob a direção do único cineasta do filão não-ficcional a ter blockbusters no currículo: Silvio Tendler. Já começou a montagem do longa-metragem que parte das ideias de Bonder sobre caridade, liberdade, pecado e conceitos bíblicos afins para fazer um ensaio crítico sobre as formas da Fé. 

Das sinagogas para a poesia

Em paralelo à edição de A Alma ImoralTendler inicia as filmagens de Há Muitas Noites na Noite, um documentário sobre o livro Poema Sujo, de Ferreira Gullar, e sua importância para a literatura nacional.

CURTA ESSA: Feijoada Completa, de Ângelo Defanti: Com no conto de Luis Fernando Veríssimo, inspirado na canção homônima de Chico Buarque, este filme-piada sobre as agruras da vida a dois trouxe a diva Sonia Braga de volta às produções brasileiras. Ela acompanha a angústia da filha de um marido bonzinho, mas sem aspirações, que resolve trazer os amigos todos para um almoço regado a paio e laranja seleta. No elenco, Augusto Madeira mostra porque é um dos maiores atores do país. A produção terá sessão no Canal Brasil no dia 6, às 8h50m, e no dia 9, às 15h10m.

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