Na coluna Geekidz de hoje, Forlani quer saber: É mais fácil ser criança hoje?

Créditos da imagem: Divulgação/Omelete

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Geekidz | É mais fácil ser criança hoje?

Hoje tem Switch, celular e Netflix, mas também tem bulllying e redes sociais...

Marcelo Forlani
12.10.2020
11h36

Quando alguém inicia a frase com “na minha época…” se segura, porque lá vem bomba. Começa pelo fato de que se a pessoa está viva para dizer “na minha época”, então, hoje ainda é época dela, não?

Mas, enfim, você acha que é mais fácil ser criança hoje em dia do que nos dias em que você era uma criança?

Eu, sinceramente, acho que é difícil comparar. Eu nasci e cresci em Suzano, subúrbio de São Paulo. Por lá, durante a década de 1980, eu conseguia sair para andar de bicicleta, skate (era péssimo!) e jogar bola com meus amigos. Isso sem ter celular, nem nada. Era tudo na confiança: “manhê, tô indo na casa do Vinicius!” Ou “paiê, tô indo lá no clube!”. E lá ia eu e voltava mais tarde (geralmente na hora combinada). 

Hoje em dia, morando em São Paulo, a gente leva as crianças para todos os lugares. Leva e vai buscar! E o Theo, agora no sexto ano e colégio novo, tem um celular. É uma insegurança que temos do mundo em que vivemos? Ou é uma excesso de zelo? 

Semana passada passamos alguns dias na praia. Não eram férias, então a gente continuava trabalhando. Um dia, o Theo já tinha acabado as lições e pediu para andar de bicicleta. Tem uma ciclovia bem segura por lá, por onde já pedalamos vários dias. Combinamos bem até onde ele iria e ele foi. E não voltava nunca! A ida e volta deveria durar uns 15 a 20 minutos e mais de meia hora depois ele ainda estava na rua. Começo a ficar preocupado, mas não posso passar esta insegurança. Quando ele chegou, aquele alívio e a informação “ah, fui e voltei várias vezes”. UFA! 

Quando cresci, tinha Atari e VHS. Hoje é Switch e Netflix. O futebol com os amigos continua existindo e as pedaladas pela cidade podem acontecer, principalmente onde há ciclovias ou ciclofaixas. E é uma ótima forma de já ir explicando um pouco as leis de trânsito. 

Mas o bom mesmo é que não tinha (pelo menos eu não lembro de ter visto nada grave) a maldade das redes sociais e o bullying. Aliás, este verbo que “importamos” do inglês só fui ver nos filmes de colégio, como Karatê Kid - A Hora da Verdade (Karate Kid, 1984) ou Te Pego Lá Fora (Three O'Clock High, 1987). 

Acho que tem coisas que estão melhores hoje e outras que estão piores. Mas cabe a nós (pais, mães, tios, tias, padrinhos e madrinhas, avôs e avós) cuidar para que nenhum momento seja apressado. Deixemos as crianças brincarem, caírem, voltar para casa sozinhas sempre que isso for seguro :-)

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