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Gato de Botas | Entrevista Coletiva com Antonio Banderas e Salma Hayek

Atores vieram ao Brasil acompanhados do produtor Jeffery Katzenbergh e o diretor Chris Miller

Marcelo Forlani
18.11.2011, às 15H07
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H38
ATUALIZADA EM 29.06.2018, ÀS 02H38

Coletivas de imprensa podem ser perigosas. Algumas delas acabam sendo enormes micos. Outras, dependendo dos colegas jornalistas e, claro, também dos entrevistados são bastante proveitosas. Felizmente, a experiência do Gato de Botas (Puss in Boots) no Brasil foi bastante proveitosa. Estiveram presentes no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, os atores Antonio Banderas e Salma Hayek, além do diretor Chris Miller e o produtor e dono da DreamWorks, Jeffrey Katzemberg.

Gato de Botas

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Katzemberg começou o dia dizendo que logo depois que eles gravaram a primeira sessão de Banderas como Gato de Botas, o ator disse que deveriam fazer um filme com o personagem. "Agora que fizemos um filme, ele já pediu para fazermos o segundo", brincou.

Banderas falou sobre os 10 anos que já convive com o personagem, desde Shrek 2. "O normal seria ter uma voz condizente com o tamanho do personagem, mas nós fomos na direção oposta, criando uma voz profunda, grandiosa. Depois fomos atrás da criação do personagem. O personagem foi crescendo, participou dos filmes 2, 3 e 4 da série Shrek e agora estamos aqui, com o filme solo", disse o ator.

Sobre 3D e as diferenças de mercado entre Brasil e Estados Unidos, Katzemberg disse que o mercado de 3D cresceu muito nos últimos 3 anos e teve saltos com Avatar e Como Treinar Seu Dragão e também sofreu quando viu filmes não tão bons, que afugentaram o público, que não gostou da ideia de pagar a mais por eles. "Parece que Hollywood aprendeu a lição e está fazendo filmes que realmente valham a pena. Recebemos muitos elogios com o Gato de Botas e hoje em dia você vê ainda cineastas como Spielberg e Scorsese fazendo trabalhos usando o 3D. O mercado brasileiro tem muito espaço para crescer. Temos aqui 450 salas contra 4 mil salas nos Estados Unidos. O futuro para o público que gosta de cinema no Brasil é espetacular. Sabemos da importância do Brasil, por isso estamos aqui", concluiu.

Salma Hayek falou sobre este seu primeiro trabalho na dublagem. Ela disse que Chris Miller não mostrou a ela um roteiro, nem desenhos de seu personagem, mas que isso não foi um problema. "Uma das coisas que foi ótimo, foi a oportunidade de trabalhar ao lado de Antonio Banderas, algo muito difícil de acontecer, mas que foi prazeroso, porque podíamos brigar, era uma via de mão dupla. Eu mandava e ele respondia", disse.

Banderas completou dizendo que além da versão em inglês ele também gravou uma versão em espanhol e uma em italiano. "Mas não me atrevi a fazer a versão em português. Adoro a língua, mas não tenho ainda como me aventurar por aí", brincou. "A próxima vez faremos a dublagem em português e os gatos vão sambar", completou Salma Hayek, que disse ainda que dança bem, mas não tanto quanto a gata - no filme, os dois participam de um duelo de dança. A atriz mexicana falou também sobre a construção da personagem, bastante feminista. "O filme é parecido com a vida real, porque nele a gata sai para salvar o macho, tal qual acontece normalmente na vida real", brincou. Ela falou também que adora como a caricatura dos latinos foi usada da forma correta no filme.

O diretor Chris Miller disse que estava feliz com o seu primeiro trabalho em 3D. "O formato combinava perfeitamente com os personagens e com a história. Criamos uma trama que funciona também em 2D, mas fica muito melhor no novo formato", disse.

No filme, o Gato de Botas tem uma antiga rixa antiga com o ovo Humpty Dumpty (Zack Galifianakis). "Todos nós já tivemos ovos em nossas vidas", brincou Banderas. "Quando somos pequenos, todos temos nossas inseguranças e confiamos nas pessoas. O filme ensina que as más influências podem levar a caminhos estranhos, mas ensina também a perdoar", completou.

O ator espanhol falou também de sua atual fase, que além da animação teve uma recente participação em um filme de Woody Allen e o recém-lançado A Pele Que Habito, revivendo sua parceria com Pedro Almodóvar. "O cinema proporciona estilos e formas diferentes. Gato de Botas e divertido e tem mito brilho. Depois vamos para A Pele que Habito, que é escuro, denso. Como ator, o que mais gosto é achar esses personagens", refletiu. "Filmes são arte. São criação de algo. É a possibilidade de ser deus, como disse Almodóvar uma vez", completou.

Quando perguntada sobre os filmes dublados, Salma disse que prefere ver os filmes no seu som original, com legendas. "É difícil superar a interpretação original. Mesmo com as animações. Quando gravamos a voz original, estamos criando os personagens. Tudo é gravado com câmeras, onde são captados os maneirismos e tudo mais. Já quando dublamos, temos que nos preocupar em fazer as falas caberem nos movimentos dos lábios e ali alguma coisa sempre se perde", disse.

Já ao fim da entrevista, Salma Hayek disse que ia falar pela primeira vez sobre um assunto e abriu a boca para dizer que o brasileiro Walter Salles foi por muito tempo o diretor de Frida. "Trabalhamos juntos por muito tempo no roteiro e tudo mais. Por vários motivos, seguimos caminhos diferentes, mas ele continuou como mentor e sinto que um pouco do filme é dele", disse.

Para terminar, Banderas disse para as pessoas não esperarem que Gato de Botas seja um Shrek 5. "Tem mais de Sam Peckinpah e Sergio Leone do que uma continuaçao de Shrek", avisou ele.

Gato de Botas estreia no Brasil em 9 de dezembro com cópias 2D, 3D e 3D-IMAX.

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