Novo Rocket League na Unreal Engine 6 é sinal positivo para toda a indústria
Epic Games se mostra disposta a seguir em frente depois de fase instável com UE 5
É no mínimo esquisito que a Epic Games tenha escolhido o Major de Rocket League para anunciar seu próximo motor gráfico: a Unreal Engine 6 foi revelada quase na surdina, nos momentos finais do novo trailer de um game que, apesar de excelente, passa longe de ter tanto apelo quanto outros títulos no guarda-chuva da empresa.
Ainda assim, a notícia dá alguns sinais para a indústria como um todo: a era da criticada Unreal Engine 5 está chegando ao fim, e mesmo que não saibamos praticamente nada sobre sua sucessora, já é possível ficar animado pelo futuro. Do outro lado da moeda, um dos melhores jogos competitivos já feitos pode ganhar uma nova chance de receber a atenção que merece.
Antes de especular o que a UE6 pode trazer à mesa, é necessário esclarecer que o desenvolvimento de motores gráficos passa longe do formato que estamos acostumados com games. A Unreal Engine 4, por exemplo, foi anunciada em 2005 e só foi chegar ao mercado em 2014, com sua versão final sendo disponibilizada em 2021; a versão estável da UE5 só está disponível há seis meses, ainda que inúmeros títulos gigantescos — incluindo Clair Obscur: Expedition 33, o Jogo do Ano de 2025 — tenham sido desenvolvidos com ela.
Ainda que nomes enormes carreguem o logotipo da UE5 em seus créditos, o motor gráfico passa longe de ser unânime entre desenvolvedores e jogadores. Ele se tornou, na verdade, quase um sinônimo para problemas de performance ou, no mínimo, uma apreensão pelo nível de otimização dos games. O próprio Tim Sweeney, CEO da Epic Games, chegou a falar sobre o assunto e, de maneira não tão agressiva, culpou os desenvolvedores por isso.
Mesmo com os problemas, não é como se a Unreal atual não tivesse elementos positivos. O grande destaque é a tecnologia Nanite, que permite geometrias muito mais precisas e realistas. Se em algum momento dos últimos cinco anos você olhou para o chão de um jogo e pensou que ele estava lindo, provavelmente a UE5 é a "culpada". O recurso Lumen, que segue a tendência da indústria de focar em melhorias de iluminação, também foi uma das novidades bem-recebidas.
Olhando para o futuro, a Epic indica que já é hora de seguir em frente. A Unreal 6 chegará sob uma narrativa de resolver os problemas de sua antecessora enquanto ainda mantém os pontos fortes. Daqui alguns meses, quando o motor inevitavelmente receber mais detalhes, é praticamente certo que a performance será mencionada — e no momento que os games estão passando, poucos temas são tão importantes.
Normalmente, o próximo ano já marcaria a troca da geração de consoles. A Sony já falou abertamente sobre o PlayStation 6, e o Project Helix já foi anunciado como o próximo Xbox, mas é bem provável que ambos aparelhos cheguem depois do esperado. A crise de memória RAM e armazenamento gerada pela explosão da inteligência artificial obrigou todos os players do mercado a segurarem suas cartas na mão por mais tempo, e uma renovação na performance que deve chegar no finalzinho da atual geração é como uma sobrevida para eles.
Nos anos finais do PlayStation 4, era comum falar sobre jogos que já nem rodavam tão bem, e que praticamente pediam por um upgrade de hardware. Ainda não chegamos neste ponto com o PlayStation 5 e Series X|S, mas ele não deve tardar; considerando que a nova geração não estará nas prateleiras tão em breve, é animador que exista uma chance dos consoles atuais não ficarem num limbo de obsolescência para o qual não existe sucessor.
É curioso que a Epic tenha escolhido Rocket League para liderar essa nova era. Ainda que o game seja estável desde seu lançamento em 2015, Fortnite já havia sido o "garoto-propaganda" da UE5 e, mesmo em período de crise, ele segue como um dos maiores jogos do mundo. Para a Psyonix e os desenvolvedores de RL, entretanto, a notícia deve ter sido festejada: é a oportunidade de mostrar o porquê desse game já ter superado dez anos de história com uma base de fãs apaixonada; para a Epic, RL é um ambiente definitivamente mais controlado, facilitando esse tipo de testes.
Rocket League é, entre os jogos competitivos, um dos mais difíceis de se começar. Seu sistema de câmera é esquisito, sua física não é óbvia de imediato, e o teto de habilidade é altíssimo; mesmo assim, ele é extremamente divertido e, desde sua concepção, tem tudo que um game como serviço almeja. Performance ótima em várias plataformas, um sistema de monetização honesto, um bom fluxo de novos conteúdos e servidores povoados.
"Parado" na Unreal Engine 3 há tanto tempo, o título mostrou muito pouco do que deve mudar com o novo motor gráfico. Melhorias na interface e gráficos melhores são visíveis no teaser, mas isso deve ser apenas a ponta do iceberg. Ficamos no aguardo para mais novidades do novo Rocket League e, claro, da Unreal Engine 6.
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