Novo Star Fox soa nostálgico mesmo para quem não viveu sua era de ouro
Jogo traz o mesmo charme do passado para os dias contemporâneos
É um pouco difícil de explicar que o novo Star Fox me trouxe nostalgia: eu tinha um ano de idade quando Star Fox 64 chegou às lojas, e passei longe de ter uma relação intensa com a franquia desde então. Ainda assim, existe um charme irresistível no jogo de Switch 2 que, de alguma forma, me levou de volta ao passado durante um teste fechado realizado na Cidade do México pela Nintendo.
Essencialmente, a aventura de Fox McCloud está sendo recontada mais uma vez. As fases possuem os mesmos nomes; o enredo e os personagens se mantiveram, assim como a base da gameplay. Talvez a ciência desse background já nos faça encarar o jogo de maneira diferente, entendendo que ele se apoia bastante em algo que já existe.
À nova geração que está chegando agora, Fox é o líder do esquadrão Star Fox, que parte em uma missão dificílima — porém de altíssima recompensa. Comandando a nave Arwing, o jogador está constantemente se movendo para a frente enquanto derrota os inimigos que aparecem na tela e também protege seus companheiros de equipe das ameaças.
No controle, isso se traduz para uma nave que sempre atira na direção para a qual seu nariz aponta, resultando em fases que consistem tanto de tiroteios quanto de manobras para evitar colisões.
Nesse cenário, há adicionais como upgrades para os canhões, manobras para alcançar itens em posições improváveis, e bombas de altíssima potência que destroem múltiplos adversários de uma vez. Isso tudo, claro, sem falar do clássico Barrell Roll, rotação defensiva que se tornou meme ao longo dos anos, e que agora é batizada em português como Tunô Barril.
A combinação forma um game que pode confundir um pouco o senso de orientação nos primeiros minutos. Não é tão fácil se acostumar com controlar a nave enquanto se posiciona para atirar; em pouco tempo, entretanto, a memória muscular já entra em cena e o processo fica bem mais simples. Para entusiastas de jogos FPS, há ainda a alternativa de usar os controles de mouse do Switch 2, que mudam a perspectiva para primeira pessoa e dão uma precisão maior aos movimentos, a custo da visibilidade do que está acontecendo a seu redor.
Por aqui, a impressão foi de que alguns momentos encaixam melhor com o mouse, enquanto outros são quase injogáveis senão na câmera tradicional — neste segundo caso, fica o destaque para as sequências de mapa semi-aberto, que permitem uma movimentação mais ampla. Felizmente, os Joy-Cons reagem muito rapidamente a essas alterações, e nem é preciso pausar o jogo para aplicá-las: basta reposicionar os controles.
Essa agilidade vem a calhar nos modos multiplayer. Durante o teste, disputamos duas partidas do Modo Batalha, em que duas equipes tentam recuperar uma mesma carga de piratas espaciais; aqui, a precisão nos disparos é essencial, e a sensação de eliminar um jogador de carne e osso é bem mais intensa do que bater a inteligência artificial da campanha. A jogatina online pode até colocar elementos demais na tela, mas a diversão é garantida, especialmente com os recursos do GameChat que transformam os rostos dos jogadores em versões de realidade de aumentada de Fox e seus amigos.
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O processo de nos acostumar com os controles e aprender a batalhar como um verdadeiro piloto foi acomodado por um trabalho de dublagem excelente, e que talvez seja o maior responsável pela nostalgia mencionada anteriormente. Existe algo na estética de Star Fox que evoca os animes dos anos 90 e 2000, e a combinação desse visual com as vozes brasileiras é muito natural.
A troca de farpas entre os membros do Star Fox, a confiança do protagonista e o alívio cômico dos outros companheiros são muito fluidos, reforçando o carisma intrínseco a uma raposa que usa um casaco maneiro. Fox já seria um cara muito legal por si só, e sua voz em português reforça essa aura.
O novo Star Fox parece mirar, e acertar, em transmitir a mesma sensação que as suas versões mais antigas causaram nos jogadores novatos daquela época. Sim, o jogo é mais uma recontagem da mesma história, mas o plano aqui parece ser de reestabelecer essa franquia nos holofotes para, então, pensar em algo novo. Por enquanto, a força da nostalgia deve ser grande o suficiente para carregar o título ao sucesso no Nintendo Switch 2, e ficamos no aguardo do dia 25 de junho para descobrir se isso se concretizará.
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