Screamer dá vida à clássica mistura de animes e drift
Game se aproveita de combinação que já fez sucesso em outras mídias
Não faltam exemplos da mistura entre a cultura japonesa e a arte do drift na cultura pop. O maior expoente, claro, está dentro da franquia Velozes e Furiosos, que ambienta seu terceiro filme nas ruas de Tóquio. Nos animes e mangás, a franquia Initial D é influência estética para inúmeras obras até os dias de hoje. Nos games, parece que Screamer quer tomar esse posto de referência.
Em teste antecipado de quase duas horas, o Omelete pôde correr e deslizar por algumas das pistas do game de corrida, que traz o estilo visual de anime mas não abandona o fotorrealismo na hora de pisar no acelerador. A mistura é uma maneira de extrair o máximo potencial de suas duas vertentes: contar uma história engajante usando personagens cartunescos, e levar a adrenalina ao limite em circuitos realistas.
Começamos a demonstração justamente pela campanha, com acesso aos seis primeiros capítulos. Nela, um trio de pilotos busca vingança contra Gabriel, grande vilão que foi responsável pela morte de sua mentora. A maneira mais fácil de fazer isso, claro, é entrar para o maior torneio de corridas clandestinas do mundo, que tem a premiação na casa dos bilhões de dólares.
O campeonato Screamer é introduzido junto da tecnologia Echo: carros que explodem são automaticamente reconstruídos, trazendo seu piloto de volta à vida e o chassi de volta à corrida — o que talvez frustre um pouco os planos de nossos protagonistas.
Infelizmente, os seis capítulos passaram muito rapidamente e ainda é cedo para ter certeza dos rumos que a história tomará. Ainda assim, tivemos a oportunidade de testar por bastante tempo os modos regulares de corrida, aprendendo ainda mais sobre a tal Echo.
Além de reconstruir carros, a Echo também introduz um sistema de habilidades bastante complexo, que vai forçar os jogadores a pensarem bastante a cada curva. Cada carro em Screamer possui um câmbio semi-automático, e trocar a marcha no momento certo garante um pequeno boost na velocidade. Essas trocas preenchem mais rapidamente uma barra de turbo — esse sim garantindo segundos consideráveis de velocidade extrema, especialmente quando usado no timing certo.
Cada turbo usado preenche uma segunda barra, de Entropia, responsável pelas habilidades de ataque e defesa de seu carro. Dois pontos de Entropia podem ser gastos para ligar o Strike, um pequeno boost capaz de destruir qualquer oponente que seja tocado pelo seu veículo; com um único ponto, é possível ativar um escudo que te protege do Strike. Uma barra completa de Entropia ainda ativa o Overdrive, mecânica que combina velocidade altíssima com capacidade destrutiva por um longo período de tempo — mas encostar nas bordas da pista pode explodir o próprio usuário.
Em resumo, além de realizar drifts e se manter dentro da pista, o jogador também precisa se preocupar com a defesa de possíveis ataques e, claro, encontrar oportunidades para explodir os concorrentes.
A mecânica é divertidíssima e bem aprofundada pelas habilidades de cada personagem. Alguns possuem Strikes mais baratos, outros te dão turbo por mais tempo, e por aí vai.
Todas essas mecânicas ganham vida nos dois principais modos de corrida do game: a por equipes, em que eliminações e a posição de cada integrante na linha de chegada importam para sair vencedor; e as corridas comuns, que se dividem em três formatos menores.
Há a disputa entre líderes, que traz apenas os chefes de time do torneio Screamer, deixando a pista mais vazia; a corrida entre membros, com os outros dois integrantes da equipe; e o “cada um por si”, onde todos os personagens entram na disputa.
As duas primeiras opções se mostraram mais charmosas e, principalmente, equilibradas. Na corrida entre líderes, a pista mais vazia dá mais espaço para focar na direção; o oposto acontece com os membros, que requerem mais uso e gerenciamento das habilidades de Strike e escudo. No cada um por si, a disparidade entre os carros fica evidente: os líderes possuem habilidades melhores e motores mais potentes, e fica difícil competir caso se escolha um membro comum.
Apesar das diferenças perceptíveis em suas propostas, todos os modos trazem uma sensação em comum de freneticidade e poder. Mesmo ficando para trás nas colocações, a presença constante de curvas acentuadas e a quase obrigação de se entender o drift do game dão emoção e desafio em todos os momentos da prova; na campanha, isso é reforçado pelas divertidas cenas com estética de anime — especialmente a abertura com direito a música-tema.
Programado para chegar em 26 de março no PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, Screamer tem potencial de finalmente dar vida, nos games, à deliciosa mistura de cultura japonesa e corridas de rua clandestinas.