Preview | Resident Evil 9 tem dois jogos excelentes dentro de si
Resident Evil Requiem tem dois jogos excelentes dentro de si
Em uma indústria cada vez mais acomodada em suas grandes franquias que não diferem tanto entre um jogo e outro, Resident Evil 9: Requiem é quase um grito de resistência. O Omelete foi convidado pela Capcom a testar o game por aproximadamente três horas, mostrando o inédito gameplay com Leon S. Kennedy e também como a jornada de Grace irá se expandir para além do que já vimos no primeiro capítulo, e é impossível não ficar empolgado.
Iniciamos o teste já sentindo a potência de Leon: ágil, repleto de recursos e totalmente acostumado com os tipos mais escabrosos de zumbis, o personagem transmite uma força implacável pelo controle — mas ainda é necessário respeitar a ameaça dos Infectados, que definitivamente não têm medo do protagonista.
O personagem adentra a mesma mansão em que Grace está na busca pelo cientista Victor Gideon, que provavelmente sabe um pouco demais sobre uma estranha mancha que está crescendo em seu pescoço. O encontro de ambos, mesmo nos minutos iniciais da campanha, já deixa claro o respeito que um tem pelo outro, ao mesmo tempo que exalta a importância de ambos para o desenrolar da história.
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Em suas interações, não há espaço para ceder. São dois tipos diferentes de gigantes se colidindo, e enquanto Leon usa o seu já característico sarcasmo como arma, Gideon se defende com sadismo e força sobre-humana.
O carisma e imponência do agente são canalizados na gameplay de formas criativas: frases de efeito para tirar uma com a cara dos Infectados, a facilidade de achar mais munição e itens de cura ou a intimidade com armas mais simples, como facas e machados, e até mais pesadas, como uma motosserra. Leon é um exército de um homem só, mas o desafio à frente não se apequena frente a ele, e ainda é necessário ter algum cuidado com os inimigos.
Essa força é escancarada ao trocarmos para Grace. Depois de um breve encontro com Leon, ela recebe uma pistola gigantesca — carinhosamente chamada de Requiem — e precisa entender como escapar da mansão.
É nessa seção que o game finalmente mostra as caras. No primeiro teste, do Summer Game Fest 2025, as comparações com P.T. eram inevitáveis graças aos corredores apertados e a sensação constante de ameaça. Desta vez, com mais tempo no controle da personagem, os ares de Resident Evil 2 são muito mais fortes: descobrir, aos poucos, os segredos necessários para explorar cada ambiente é a parte central do gameplay, e é claro que os zumbis estarão sempre te esperando para atrapalhar sua vida.
A forma com que os Infectados interagem com Grace, entretanto, é bem diferente. A personagem não tem tantas balas assim, não se move tão rápido e também não tem muita margem para erros. A protagonista não tem uma barra de vida como Leon — sua saúde é indicada por uma onda colorida que surge a cada golpe —, e quanto pior sua situação, mais prejudicada é sua mobilidade.
O HP de ambos é um dos exemplos mais visuais da diferença entre cada personagem, que vai além das capacidades físicas. Ainda em termos de vida, uma Erva Verde é quase dispensável para Leon, enquanto é um recurso valiosíssimo para Grace; por ser mais experiente, o agente tem acesso a armários e gavetas que sua dupla não tem; a interface de itens e menus para cada um é diferente, e até a câmera sugerida pelo game muda entre um e outro: é recomendado jogar com Grace em primeira pessoa, e Leon em terceira.
Os tipos de câmera, claro, podem ser configurados da maneira que mais agradar ao jogador, mas é nítido que a primeira pessoa favorece os sustos e a claustrofobia da novata, enquanto a terceira dá ainda mais plasticidade para os movimentos do veterano.
Ainda sobre Grace, vale destacar que a sua interação com a pistola Requiem é bem diferente da de Leon — e os detalhes podem ser descobertos pelo próprio jogador, para preservar a experiência.
Mesmo que ela seja mais frágil, o jogo dá ferramentas o suficiente para que o jogador não se sinta impotente. O crafting é bastante facilitado, e pode ser acessado por meio de menus rápidos — itens como Sucata e Sangue de Infectados são essenciais para criar a maioria dos itens, mas sua oferta não é tão escassa.
Em situações desesperadoras, o mapa também é de grande ajuda, e mostra potenciais cantos inexplorados que podem conter algo valioso. Moedas para comprar mais itens, ervas de cura e munição estão sempre destacados, facilitando a vida do jogador. A experiência com Grace passa bem longe de ser tranquila, e é feita para deixar qualquer um ansioso pelo que está aguardando na próxima sala, e ainda causar certa frustração quando se percebe que seu último salvamento foi há muito tempo, mas quase todos os problemas podem ser resolvidos com paciência.
Depois de finalizar a sequência com Grace, a mais longa do teste, voltamos a ter um gostinho de Leon, dessa vez reforçando ainda mais os trejeitos de ação que vêm com o personagem. Enfrentamos uma espécie de mini-chefão, que apesar de amedrontador em sua aparência não oferece grande perigo, e passamos por uma sala que funciona quase como um hack’n’slash das antigas.
Aos que se lembram dos jogos em que é necessário eliminar todos os inimigos de uma área para que uma barreira invisível caia, é certo que a gameplay de Leon vai soar bastante familiar. Granadas, escopetas e uma trilha sonora frenética marcam o tom de uma experiência que parece ser um jogo completamente diferente.
Resident Evil não é desacostumado a trazer campanhas totalmente diferentes dentro de um único game, mas mesclá-las em uma só, ainda mais com tantas diferenças entre si, não deixa de ser uma aposta ousada.
Por tudo que a Capcom atingiu nos últimos anos, com grandes sucessos e, mesmo nos poucos fracassos, demonstrando aprendizados, a empresa possui algum espaço para se arriscar — e fazer isso com a sua maior franquia é no mínimo louvável. O grande desafio para Resident Evil 9 é, provavelmente, encontrar um ritmo agradável nas transições entre personagens, algo que só será sentido com o jogo completo em mãos. Por enquanto, a impressão é que existem dois games excelentes ali dentro, e resta a dúvida se haverá coesão para que eles se tornem um só.