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Preview | Resident Evil 9 tem dois jogos excelentes dentro de si

Resident Evil Requiem tem dois jogos excelentes dentro de si

Omelete
5 min de leitura
26.01.2026, às 12H00.

Em uma indústria cada vez mais acomodada em suas grandes franquias que não diferem tanto entre um jogo e outro, Resident Evil 9: Requiem é quase um grito de resistência. O Omelete foi convidado pela Capcom a testar o game por aproximadamente três horas, mostrando o inédito gameplay com Leon S. Kennedy e também como a jornada de Grace irá se expandir para além do que já vimos no primeiro capítulo, e é impossível não ficar empolgado.

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Iniciamos o teste já sentindo a potência de Leon: ágil, repleto de recursos e totalmente acostumado com os tipos mais escabrosos de zumbis, o personagem transmite uma força implacável pelo controle — mas ainda é necessário respeitar a ameaça dos Infectados, que definitivamente não têm medo do protagonista.

O personagem adentra a mesma mansão em que Grace está na busca pelo cientista Victor Gideon, que provavelmente sabe um pouco demais sobre uma estranha mancha que está crescendo em seu pescoço. O encontro de ambos, mesmo nos minutos iniciais da campanha, já deixa claro o respeito que um tem pelo outro, ao mesmo tempo que exalta a importância de ambos para o desenrolar da história.

Em suas interações, não há espaço para ceder. São dois tipos diferentes de gigantes se colidindo, e enquanto Leon usa o seu já característico sarcasmo como arma, Gideon se defende com sadismo e força sobre-humana.

O carisma e imponência do agente são canalizados na gameplay de formas criativas: frases de efeito para tirar uma com a cara dos Infectados, a facilidade de achar mais munição e itens de cura ou a intimidade com armas mais simples, como facas e machados, e até mais pesadas, como uma motosserra. Leon é um exército de um homem só, mas o desafio à frente não se apequena frente a ele, e ainda é necessário ter algum cuidado com os inimigos.
  
Essa força é escancarada ao trocarmos para Grace. Depois de um breve encontro com Leon, ela recebe uma pistola gigantesca — carinhosamente chamada de Requiem — e precisa entender como escapar da mansão.

É nessa seção que o game finalmente mostra as caras. No primeiro teste, do Summer Game Fest 2025, as comparações com P.T. eram inevitáveis graças aos corredores apertados e a sensação constante de ameaça. Desta vez, com mais tempo no controle da personagem, os ares de Resident Evil 2 são muito mais fortes: descobrir, aos poucos, os segredos necessários para explorar cada ambiente é a parte central do gameplay, e é claro que os zumbis estarão sempre te esperando para atrapalhar sua vida.

Resident Evil 9
Divulgação/Capcom

A forma com que os Infectados interagem com Grace, entretanto, é bem diferente. A personagem não tem tantas balas assim, não se move tão rápido e também não tem muita margem para erros. A protagonista não tem uma barra de vida como Leon — sua saúde é indicada por uma onda colorida que surge a cada golpe —, e quanto pior sua situação, mais prejudicada é sua mobilidade.

O HP de ambos é um dos exemplos mais visuais da diferença entre cada personagem, que vai além das capacidades físicas. Ainda em termos de vida, uma Erva Verde é quase dispensável para Leon, enquanto é um recurso valiosíssimo para Grace; por ser mais experiente, o agente tem acesso a armários e gavetas que sua dupla não tem; a interface de itens e menus para cada um é diferente, e até a câmera sugerida pelo game muda entre um e outro: é recomendado jogar com Grace em primeira pessoa, e Leon em terceira.

Os tipos de câmera, claro, podem ser configurados da maneira que mais agradar ao jogador, mas é nítido que a primeira pessoa favorece os sustos e a claustrofobia da novata, enquanto a terceira dá ainda mais plasticidade para os movimentos do veterano.

Resident Evil 9
Divulgação/Capcom

Ainda sobre Grace, vale destacar que a sua interação com a pistola Requiem é bem diferente da de Leon —  e os detalhes podem ser descobertos pelo próprio jogador, para preservar a experiência.

Mesmo que ela seja mais frágil, o jogo dá ferramentas o suficiente para que o jogador não se sinta impotente. O crafting é bastante facilitado, e pode ser acessado por meio de menus rápidos —  itens como Sucata e Sangue de Infectados são essenciais para criar a maioria dos itens, mas sua oferta não é tão escassa.

Em situações desesperadoras, o mapa também é de grande ajuda, e mostra potenciais cantos inexplorados que podem conter algo valioso. Moedas para comprar mais itens, ervas de cura e munição estão sempre destacados, facilitando a vida do jogador. A experiência com Grace passa bem longe de ser tranquila, e é feita para deixar qualquer um ansioso pelo que está aguardando na próxima sala, e ainda causar certa frustração quando se percebe que seu último salvamento foi há muito tempo, mas quase todos os problemas podem ser resolvidos com paciência.

Depois de finalizar a sequência com Grace, a mais longa do teste, voltamos a ter um gostinho de Leon, dessa vez reforçando ainda mais os trejeitos de ação que vêm com o personagem. Enfrentamos uma espécie de mini-chefão, que apesar de amedrontador em sua aparência não oferece grande perigo, e passamos por uma sala que funciona quase como um hack’n’slash das antigas.

Resident Evil 9
Divulgação/Capcom

Aos que se lembram dos jogos em que é necessário eliminar todos os inimigos de uma área para que uma barreira invisível caia, é certo que a gameplay de Leon vai soar bastante familiar. Granadas, escopetas e uma trilha sonora frenética marcam o tom de uma experiência que parece ser um jogo completamente diferente.

Resident Evil não é desacostumado a trazer campanhas totalmente diferentes dentro de um único game, mas mesclá-las em uma só, ainda mais com tantas diferenças entre si, não deixa de ser uma aposta ousada.

Por tudo que a Capcom atingiu nos últimos anos, com grandes sucessos e, mesmo nos poucos fracassos, demonstrando aprendizados, a empresa possui algum espaço para se arriscar — e fazer isso com a sua maior franquia é no mínimo louvável. O grande desafio para Resident Evil 9 é, provavelmente, encontrar um ritmo agradável nas transições entre personagens, algo que só será sentido com o jogo completo em mãos. Por enquanto, a impressão é que existem dois games excelentes ali dentro, e resta a dúvida se haverá coesão para que eles se tornem um só.

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