Mundial de Pokémon e Pokémon XP transformam paixão em espetáculo com evento dos sonhos
Evento aconteceu na cidade americana de São Francisco entre o dias 28 e 30 de agosto
Quem acompanhou o primeiro Campeonato Mundial de Pokémon, em 2000, provavelmente não imaginou que o evento atravessaria décadas e alcançaria a dimensão que tem hoje. Para a edição de 2026 já era esperado algo inesquecível. Dona de uma das maiores franquias de entretenimento do mundo, a Pokémon Company jamais entregaria um evento aquém das expectativas da sua gigantesca comunidade de fãs. Entretanto, mesmo com todo o hype em torno do evento, os fãs ainda conseguiram se surpreender. Estar no evento foi viver um final de semana de pura paixão pelo competitivo e o nascimento da Pokémon XP, uma experiência imersiva que surge como uma celebração da franquia.
Com a surpreendente marca de 50 mil visitantes ao longo dos três dias de evento, o Moscone Center foi o coração da edição entre os dias 28 e 20 de agosto de 2026. O pavilhão abrigou a feira e também as fases classificatórias, reservando as decisões para o icônico Chase Center, arena do time da NBA Golden State Warriors. Lá, mais de 2 mil treinadores de todo o mundo disputaram os títulos de videogame (VGC), estampas ilustradas (TCG), Pokémon GO e Pokémon UNITE – este último, inclusive, se despedindo do circuito oficial do Mundial em grande estilo nesta edição.
Antes de mergulhar nas espetaculares finais do campeonato – uma das experiências comunitárias mais impressionantes que já testemunhei –, é preciso falar da grande sacada da Pokémon Company nesta edição: a Pokémon XP. O projeto nasceu para dar espaço àquela enorme fatia de fãs casuais, pessoas que não necessariamente jogam os títulos no competitivo, mas que carregam uma paixão gigante pela franquia.
A ideia foi criar um ecossistema inteiramente focado em ativações e imersão, separado do ritmo tenso dos torneios. Rayquaza Road foi o nome dado à principal avenida do Moscone Center, que foi transformada em um verdadeiro parque temático ao ar livre, repleto de espaços interativos, cenários para fotos e palcos com atividades. O sucesso foi tão gigantesco que chegou a pegar a própria organização de surpresa. A busca foi tão insana que iniciativas gratuitas de enorme apelo – como o disputado Pin Rally, uma caça aos pins exclusivos espalhados pelo evento.
Esse fenômeno traduz perfeitamente o tamanho da marca. Em entrevista recente ao IGN e ao Kotaku, Chris Brown, diretor global de eSports e eventos da The Pokémon Company, revelou que o sistema de ingressos recebeu mais de 130 mil inscritos para tentar uma vaga, provando que a demanda do público casual ultrapassou qualquer teto esperado. A Pokémon XP parece se provar como um grande acerto, mas também como uma grande janela de aprendizado para a franquia. O público quer viver esse universo além das telas e das mesas de jogo. Cabe agora à franquia processar o que aprendeu e entender como expandir essa experiência.
Vale notar que a edição de 2027 do Mundial já foi confirmada para Singapura, mas a organização ainda não revelou se a Pokémon XP fará parte da estrutura no próximo ano. Essa ausência no anúncio oficial reforça a ideia de que a empresa pode estar em fase de avaliação.
E se por um lado a Pokémon XP oferecia ao fã casual uma imersão descompromissada, do outro lado, no Chase Center, o evento entregava seu verdadeiro clímax. A atmosfera descontraída de convenção dava lugar a algo maior: a sensação quase surreal de ter sido transportado para dentro de um Ginásio Pokémon da vida real.
Estar na arena, rodeado por imensos telões de alta definição, belos efeitos visuais tomando conta do palco e o rugido da torcida, trazia o que eu imagino ser a sensação exata de assistir a uma batalha da Liga Pokémon em carne e osso – só que disputada nos consoles. Foi a transformação da nostalgia e da fantasia dos games em um espetáculo de Esports de nível internacional.
O espetáculo das batalhas ainda recebeu uma cerimônia de encerramento para deixar qualquer fã da franquia com lágrimas nos olhos, com participações musicais de Ed Sheeran e Loren Allred cantando clássicos do mundo Pokémon e acompanhados por Pikachu e seus amigos no palco. Além de, é claro, a presença ilustre de Tsunekazu Ishihara, CEO da The Pokémon Company, que subiu ao palco no final do evento para anunciar as novidades da franquia – incluindo um novo longa chamado Pokémon Wildcard, o primeiro filme animado da franquia depois de 6 anos.
Tudo isso somado a detalhes que fizeram toda a diferença — como a chance única de explorar a Pokémon Center, loja oficial recheada de colecionáveis exclusivos que raramente dá as caras fora do Japão — transformou esta edição em uma jornada inesquecível.
É claro que esta análise vem de um fã assumido – pois sou daqueles que garantem o jogo no pré-lançamento, tenho meu próprio binder de TCG e uma prateleira cheia das mais diversas pelúcias dos monstrinhos. Seria fácil dizer que meu olhar é enviesado, mas a verdade é sobre o que senti estando lá. Não foram poucas as vezes, por exemplo, que me peguei com os olhos marejados ao ver um Pikachu acenando na minha frente ou ao escutar, nas caixas de som do evento, as notas nostálgicas em 8-bit do Centro Pokémon. O evento conseguiu dialogar com cada pedaço da minha paixão pela franquia: o jogador, o colecionador, o admirador e o fã. Aos 30 anos, eu achava que a franquia já tinha esgotado sua capacidade de me surpreender, mas São Francisco me provou o contrário. Foi uma emoção que eu não esperava viver – e que desejo, do fundo do coração, que todo treinador Pokémon apaixonado possa sentir um dia.
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